segunda-feira, 24 de abril de 2017

A LIÇÃO DO CAMPO

“Apesar de todas as dificuldades, o trabalho dos campos representa, todavia, a ordem natural querida por Deus, quer dizer, que o homem deve por seu trabalho dominar as coisas materiais e não que estas dominem a ele".
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Pio XII, 15 de novembro de 1946.



sábado, 15 de abril de 2017

A CASA E A ORAÇÃO

" A casa deve ter lugar marcado de conversa e de oração. A cadeira de balanço favorece o aconchego. O oratório facilita a elevação da alma. Os risos do levantar, do despedir, do consagrar o trabalho e o alimento, a benção da noite impregnam a alma de afeto e de fé. A oração em família é fator de segurança sem igual. O fervor dos pais é contagioso, pois toda criança é mística. A confiança na Providência cura dos medos que tanto amarguram a infância. A devoção ao Anjo da Guarda auxilia a vencer o horror à solidão e favorece o encontro com o sobrenatural".
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Maria Junqueira SCHMIDT. A família por dentro, Rio de Janeiro: Editora Agir.

O DESCUIDO COM OS PEQUENOS...

Não deixeis ainda de chorar sobre os berços, desejando sempre promover singelas festinhas sobre o túmulo da criança que morre em nossos dias. Custa-me demais suportar o abandono crudelíssimo da criança, sem experimentar revoltas tremendas nos meu coração. 
Ela vai a escola, mas naquele luxuoso estabelecimento não há um indicio de Religião; não falam em Deus os seus livros; ocupam-se de tudo os seus mestres, exceto de religião. 
A criança entoa hinos à bandeira, faz ginástica, canta as glórias dos patrícios que se distinguiram pelo saber e pelo valor militar; mas não a ginástica da alma – o exercício da virtude –, não canta um hino ao estandarte da pátria celestial – a Cruz -, não glorifica aos heróis do bem – os Santos -, não louva ao autor supremo de todas as cousas – Deus.
Começou a aula.
Esta de posse de sua carteirinha de estudos: ao lado um colega procura dissipá-la a todo transe... na frente um outro prende a sua atenção... além, companheiros cínicos.
Nos recreios aconselhados para descanso do espírito, brinca bastante, faz queixas dos colegas, e estes queixam-se dela também.
Volta de novo ao estudo e, depois de pequeno esforço é chamada a dar lição. Expõe o que aprende, recebe explicações da mestra e regressa pressurosa à casa. Pela rua à fora recebe mil insinuações para o mal, conversas indecentes, vistas livres, insultos a velhinhos que passam, altercações grosseiras entre pessoas sem educação, deboche e até blasfêmias. Falam-lhe sobre fitas de cinema, senas de círculos, crimes sensacionais, escândalos dados, prisões efetuadas, valentias e suicídios.
Ouve falar de tudo menos da verdade, do bem, da virtude, de Deus. Ei-la ao pé da escada do rico palacete que habita, sobe aos pulos de alegria, chega ao refeitório de repente... pergunta pela mãe; não está, saiu a passeio, não voltará tão cedo. A criança tem alguma fome, pede pão e goiabada e a governanta mau humorada, não lhe atende.
Muda-lhe as roupas sem um carinho, injuriando-o algumas vezes, outras vezes lhe dá – piparotes. Nova série de maus exemplos nos remansos do lar doméstico: conversas de namoros, narrativas de fatos escabrosos, figuras asquerosas, e mil outros escândalos que penetram pelas portas a dentro dos lares, onde não há vigilância moral, onde não se teme a Deus e não se pensa no Céu. Batem 5 horas, quando vem entrando a sua mãe brigando contra a engomadeira, contra a modista e até contra a professora de seu filho, para o qual ainda não teve hoje um beijo, uma caricia, uma demonstração de verdadeiro amor. Volta-se arrebatada para ele e beija-o secamente, parecendo fazer esforço supremo...
Não terminou esta cena dolorosa, quando entra o pai chamando ao filho – diabinho mimoso, safadinho do meu coração, homem de futuro e tantas outras expressões próprias de almas sem formação. À noite a criança vai para o leito, sem uma Ave-Maria, como se levanta pela manhã.
Os berços de tais famílias merecem lágrimas, somente lágrimas...
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Padre Tabosa. Lágrimas ainda?, Publicado na Revista A Cruz.

AS LÁGRIMAS DE CRISTO


quinta-feira, 13 de abril de 2017

QUINTA-FEIRA SANTA

“Sirva-nos esta Quinta-feira Santa para plantar em nossa alma esta ideia fecundíssima: quando pisamos os degraus da Igreja e nos acercamos do Altar, nós, efetivamente, realíssimamente, saímos do velho mundo, e entramos nos átrios da Pátria verdadeira onde Jesus, no seu tabernáculo, a cada um de nós saúda com palavras de abismal ternura: ―Desejei tanto que viesses comer comigo esta páscoa ...”.
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Gustavo Corção. O GLOBO Quinta-feira, 23/3/78.



segunda-feira, 10 de abril de 2017

A GUARDIÃ DO LAR...

''Toda mulher deve desposar a carreira do marido; o centro de gravidade da família é sempre a ocupação do pai. Aí está situada a vida produtiva, por conseguinte também o dever fundamental. Mas isso é tanto mais verdadeiro quanto mais nobre e laboriosa for a carreira que ele abraçou. A vida em comum tem aqui por centro um cume; a mulher deve nele se instalar, em lugar de tentar afastar dele o pensamento viril. Arrastá-lo para bobagens sem relação com suas aspirações é fazer o marido perder o apetite por ambas as vidas que se contradizem entre si. (…) Os conflitos ocasionados pela incompreensão da alma gêmea são fatais à produção; eles levam o espírito a viver numa inquietação que o corrói; não lhe sobra nenhum entusiasmo e nenhuma alegria, e como poderia um pássaro voar sem asas, o pássaro e alma sem seu canto?
Que a guardiã do lar não seja, assim, o gênio maldoso, que ela seja a musa. Tendo desposado uma vocação, que também ela tenha vocação. Realizar por si ou pelo marido, tanto faz! Ela tem de realizar, contudo, já que ela constitui com aquele que realiza uma só carne. Sem precisar ser uma intelectual, menos ainda uma mulher de letras ou uma metida a literata, ela pode produzir bastante ajudando seu marido a produzir, obrigando-o a controlar-se, a dar o máximo de si, ajudando-o a reerguer-se na hora das inevitáveis quedas, endireitando-o quando ele vacilar, consolando-o das decepções sem muita insistência para não ressaltá-las, acalmando-o na aflição, tornando-se sua grata recompensa depois da labuta''.
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A.-D. Sertillanges. A Vida Intelectual, Cap. III A organização da vida, p. 49.