domingo, 28 de agosto de 2016

NEM LIBERTAÇÃO POLÍTICA, NEM PROMOÇÃO SOCIAL

“A Igreja é Jesus Cristo. E Jesus Cristo não veio trazer nem a libertação política nem a promoção social. Salvando-nos do pecado e fazendo-nos participar de sua vida divina, Ele fundou ‘um reino que não é deste mundo’. Ele deu à Sua Igreja a missão de prolongar até o fim dos tempos a Sua presença e a Sua ação; não lhe confiou nenhum poder direto na ordem temporal”.
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Monsenhor Puech, Bispo de Carcassonne, in. Boletim Diocesano de 3/4/1970.

PRECE

(15/11/1895 – 17/07/1918)

De S. A. I. a Gran-Duquesa Olga, assassinada em Iekaterinenbourg, a 17 de julho de 1918.  Oração escrita em Tobolsk. Transmitida pela Condessa Hendrikoff, assassinada depois pelos bolchevistas. Traduzida pelo ex-ministro russo Botkine, assassinado com o Tzar.

Inspira-nos, Senhor, paciência;
Nestes dias sombrios e atormentados,
Devemos suportar a populaça,
E as torturas de nossos algozes.

Dá-nos, Deus Justo, a força
De perdoar as infâmias,
De ir, como tu, resignados,
Para a cruz pesada e cruenta.

E, na fúria da tormenta,
Roubados, vituperados pelo inimigo,
Ajuda-nos, Jesus Salvador,
A suportar tudo: injúrias e desprezo.

Deus, Todo Poderoso do universo,
Faze com que a prece nos dê forças
E acalme a nossa alma dolorida,
Na hora da angústia e do terror.

Diante da sepultura entreaberta,
Sentindo-lhe o hálito nos lábios,
Dá-nos a força sobre-humana
De perdoar e de rogar por eles.
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Leon de PONCIS. As Forças Secretas da Revolução: maçonaria-judaísmo, 2. ed., Porto Alegre: Globo, 1945, p. 05.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

JESUS, FONTE VIVA DE MISERICÓRDIA.

“Deus, que com uma só palavra poderíeis salvar milhares de mundos! Um único suspiro de Cristo satisfaria a Vossa justiça, mas Vós, ó Jesus, empreendestes uma tão terrível Paixão por nós, unicamente por amor. A justiça de Vosso Pai poderia conceder o perdão com um suspiro Vosso, e todas as Vossas humilhações são apenas obra da Vossa misericórdia e amor inconcebíveis. Vós, Senhor, saindo desta Terra, quisestes ficar conosco e deixastes a Vós mesmo no Sacramento do Altar e nos abristes a porta da Vossa Misericórdia. Não existe misericórdia que possa esgotar-Vos. Chamastes a todos a esse manancial de amor, a essa fonte de compaixão de Deus. Aí está o santuário da Vossa misericórdia, aí está o remédio para as nossas fraquezas. A Vós, Fonte Viva de misericórdia, recorrem todas as almas: umas, como servos sedentos do Vosso amor; outras, para lavar a ferida dos pecados; outras ainda, cansadas da vida, para haurir forças. Quando agonizáveis na cruz, nesse momento nos concedestes a vida eterna. Permitindo que Vos abrissem o Vosso Lado Santíssimo, Vós nos abristes a fonte inesgotável da Vossa misericórdia. Vós nos destes o que tínheis de mais caro, isto é, o Sangue e a Água do Vosso Coração. Eis a onipotência da Vossa misericórdia. Dela descem todas as graças para nós”.

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Santa Faustina. Diário, n. 1747.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

CULTURA DA INTEMPERANÇA

“O penoso remédio de uma cultura fornicaria, do desenfreio, “akolasía” como diz Aristóteles, é a “sofrosyne”, a temperança, segundo o mesmo filósofo explicava no livro III de sua Ética a Nicômaco vários séculos antes de Cristo. Para nós, cristãos, uma espécie concretíssima da temperança, que se chama castidade, regenera a intemperança do incontinente. Aquele grande pensador observava que há algo de infantil, pela irreflexão, no desenfreio, na intemperança, e, acrescentava ainda que “se dá em nós não enquanto homens, senão enquanto animais”. O propriamente humano é que a potencia sexual e sua atuação integrem-se harmoniosamente à riqueza da personalidade, e que esse exercício se desenrole na ordem familiar. É esta a consecução da virtude”.
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Mons. Héctor AGUER (Arcebispo de La Plata). La fornicación, Jornal “El Día”, de 23/08/2016.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O SURTO DA SOCIALIZAÇÃO TOTALITÁRIA

“A filosofia liberal e a do Estado totalitário são duas modalidades do imanentismo moderno no pensamento político. Aí temos, respectivamente, o imanentismo da liberdade e a divinização do Estado, concebido como um absoluto, como a encarnação da ideia ética. A liberdade, para os liberais, deixa de ser ordenada a um fim pessoal transcendente; e concretamente, na perspectiva do totalitarismo, ela resulta da total subordinação dos indivíduos e dos grupos ao Estado, isto é, ao fim imanente deste.
No primeiro caso, a dimensão social da liberdade desaparece. No segundo caso, o homem é inteiramente socializado numa completa ‘estatização’ da vida.
Uma das razões dos fracassos a que se têm exposto as democracias modernas, está em que seus regimes constitucionais, estruturados segundo os princípios do liberalismo desvinculam o homem dos grupos orgânicos, cujo fortalecimento preserva as liberdades e cujo desaparecimento ou enfraquecimento as deixam sem defesa. Em face de tais regimes de uma liberdade meramente abstrata, Hegel percebeu que nesses grupos as liberdades concretamente são asseguradas, mas, fazendo do Estado a síntese absorvente de toda a sociedade, preparou o monismo totalitário.
O liberalismo desconhece o princípio de subsidiariedade, fundado na autonomia dos grupos intermediários: em relação aos quais o Estado deve exercer uma função supletiva, para atender às suas deficiências. Por falta desse enquadramento social, abandona as liberdades individuais umas em face das outras, deixando-as, assim, desprotegidas para enfrentar a concorrência. Dessa forma, na competição da struggle for life, a liberdade dos mais fracos parece ante a dos mais fortes.
Daí facilmente se passa ao totalitarismo, pois o Estado encontra caminho preparado para exercer uma liberdade onímoda na direção da vida social, suprimindo a falta dos grupos e anulando as liberdades individuais.
Foi o cristianismo que ensinou ao mundo antigo o verdadeiro sentido da dignidade da pessoa humana e da liberdade em sua ordenação para o fim transcendente e sobrenatural do homem. Sob sua influencia floresceram as comunidades autônomas e se formaram as monarquias limitadas, anteriores à centralização do Estado moderno. O liberalismo foi a negação dessa transcendência e a perda da dimensão social da liberdade, propiciando o surto da socialização totalitária”.
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José Pedro GALVÃO DE SOUSA. A Liberdade em sua Dimensão Social, a Proposito da Distinção entre “Liberdade Abstrata” e “Liberdades Concretas”, in Filosofar Cristiano, Asociación Católica Interamericana de Filosofía, Revista Semestral, VIII-IX, n. 15-18, 1984-1985, p. 148-149.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

VIDA INTERIOR

“O homem foi redimido por Cristo. Com suas dores e com sua morte, o Senhor pagou a Deus a dívida de nossos pecados, alcançou-nos o perdão e, incorporando-nos a Ele – o Filho de Deus – fez-nos partícipes de sua Filiação divina.
Pela fé e pelo arrependimento, e através do batismo, o homem incorpora-se a Cristo, e com a graça santificante que procede d’Ele, como Cabeça da Igreja – seu Corpo Místico – começa a viver a vida de Deus.
Essa vida de Deus, porém, é absolutamente sobrenatural. Está instaurada na vida natural de nossa alma espiritual, mas é essencialmente superior a ele. O homem não pode merecê-la, nem vivê-la, apenas com suas forças. Por penetrante e culta que seja, sua inteligência, por si mesma, não pode chegar a conhecer as verdades sobrenaturais da Revelação; e, por vigorosa que seja, sua vontade não pode atuar sobrenaturalmente. Daí necessitar não somente da graça santificante, que transforma e eleva seu espírito de modo permanente à vida de filho de Deus, como também das graças ou auxílios atuais, com que deus lhe ilumina o intelecto e lhe conforta e anima a vontade. A palavra de Cristo é terminante: “Sine me nihil potestis facere” (“Sem Mim não podereis fazer nada”).
Sem estas graças com que Deus nos conforta e sustenta na vida sobrenatural, não poderíamos permanecer nem atuar nela, precisamente porque esta vida sobrenatural está essencialmente por cima de toda natureza criada e criável. Pertence a uma ordem divina, que o homem só pode alcançar e viver com a ação de Deus em sua alma. Ação de Deus que normalmente opera através dos meios sobrenaturais estabelecidos pelo próprio Cristo.
Se todo ser natural – também o ser do agir do homem e de todas as criaturas – sob o aspecto de ser (sub ratione entis) procede sempre de Deus como Causa primeira, o homem, precisamente porque não é o ser, mas participa dele contingencialmente, com muito mais razão depende imediatamente do Ser de Deus no ser e na vida sobrenaturais, que transcendem essencialmente toda a ordem humana e criada”.
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Mons. Octavio NICOLÁS DERISI. Vida interior: base de toda a renovação, Revista Hora Presente, Ano III, Agosto de 1971, n. 10, p. 93-94.

sábado, 20 de agosto de 2016

O VALOR DA TRADIÇÃO

“Soçobram impérios por não terem guardado as suas tradições mais caras, os seus usos e costumes, que, ao longo do tempo, se foram mudando, em acidentes, enquanto deveriam conservar-se na sua essência. (...) Na ordem espiritual, como na temporal, a tradição vivifica as instituições e lhes transmite o sopro da vida. A tradição é dinâmica, não estática. (...) Nem tudo o que passou deve ser conservado. Mas a depuração, pelo tempo, do que beneficiou o povo, os valores que se lhe acrescentaram como patrimônio moral, histórico, espiritual, literário, artístico, na mais alta expressão dos vocábulos, essa é a tradição. Por mais paradoxal que seja a aproximação, só evolui o que se sustenta sobre bases tradicionais”.
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João de SCANTIMBURGO. Eça de Queiroz e a Tradição, São Paulo: Editora Siciliano, 1995, p. 25-26.