domingo, 26 de março de 2017

O MAIS URGENTE PROBLEMA BRASILEIRO

José Newton Alves de Sousa

Não se pense que é só de instrução que está necessitando o Brasil. Nem só de reformas do ensino.
Nem apenas de campos de aviação e praças esportivas.
Mais do que isto, primeiro que isto, ele precisa de uma grande, profunda e radical reforma católica dos costumes.
Qual o panorama que ele nos apresenta, nos tempos atuais? O de uma nação decantada inconscientemente, romanticamente exaltada em todos os pontos e aspectos, mas que, no âmago da sua realidade, um Brasil carcomido pelos germes daninhos da degradação moral e espiritual.
Não se julgue que é meu desejo empanar o brilho do nome do Brasil, tão fulgurante nos fatos reais que apesenta a sua verdadeira História. Desejo apenas mostrar, baseado na observação direta e nos estudos que, neste sentido, hão feito os que se preocupam com os magnos problemas nacionais, os meios que atormentam e corroem o organismo brasileiro. A degradação dos costumes já avançou tanto, no Brasil, que chegou a penetrar os recintos mais puros e sagrados, e emurchecer o belo jardim da inocência infantil.
Já o lar não se guia pelos divinos ensinamentos que, através das páginas do Evangelho, nos ministra a Casinha de Nazaré, em que habitou a Sagrada Família. A maioria dos lares brasileiros modernos tomou para exemplo o centro universal da degenerescência e exploração judaica - Hollywood. Já não são o Catecismo e a História Sagrada os mentores domésticos da educação, as fontes onde vão haurir as luzes da formação moral. São aos figurinos, revistas e jornais indecentes que se acurvam, na ânsia louca de executar todos os desígnios pormenorizados, das modas mais estúpidas e desumanas, disto fazendo o centro de convergência de todos os interesses e preocupações.
O palco se vai transformando em cenário de escândalo e mostruário de nudismo.
As bibliotecas são constituídas, na sua maioria, dessas coleções exóticas de romances policiais em que o vício, o roubo, o assassínio são as "virtudes" mais belas (...) dos heróis e bandidos. Nenhum livro de religião se encontra na maior parte das nossas bibliotecas. E quando lá existe algum livro que fale, favoravelmente, em Deus e Religião, por quem será lido? Por ninguém! Se volvemos a vista ao ambiente acadêmico, uma tristeza profunda nos invade o ser, ao mesmo tempo que se nos assoma o desejo veemente de concitar toda a mocidade católica brasileira para uma reação enérgica e eficaz.
A grande maioria dos professores é a-religiosa, quando não indiferente.
Muitos moços, cursando escolas e colégios em que se não pratica a verdadeira pedagogia, e nem se ministra uma educação integral, encontrando o ambiente viciado e cheio de materialismo das academias, trilharão, irremediavelmente, o caminho que os levará à derrocada espiritual e moral. Das invenções mais nobres fazem meios da degradação moral. Cinema, rádio e imprensa são veículos de transmissão pornográfica e propaganda sectária.
É a invasão do mal. É a implantação da desgraça. É o cetro satânico a querer reinar sobre o Brasil!
O Brasil precisa de instrução. Mas a instrução é motivo de decadência moral quando não completada pela educação, e educação católica. Reformem-se como quiserem os programas de ensino: se não se cuidar primeiro da reforma moral do Brasil, recolocando-o no Caminho de Cristo, vão será todo trabalho, inútil qualquer esforço. Se não aprendermos primeiro a voar pelas altas regiões das Virtudes Católicas, como formar uma nacionalidade nas nuvens, como engrandecer uma pátria sem grandeza moral?
Para se ser uma raça fisicamente forte e valorosa, antes se têm que fortificar e valorizar o espírito e a inteligência nos princípios católico-nacionalistas, e não treinar somente os pés e as mãos.
Antes da bola, o livro moralizado!
Muitos me hão de zombar por ter escrito estas linhas, e outros tantos me chamarão de inimigo do Brasil... por ter dito estas verdades. Mas, para eles todos tenho esta resposta:
Ser patriota é denunciar os erros da Pátria e trabalhar em união com os demais - poucos embora, como aqui no Brasil - para a sanagem, para a cura desses males. Isto, o que me dita a consciência, a voz sincera do coração.

Crato, Ceará, julho de 1941.

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Publicado no Jornal “A Ação”, de 18-07-1941, Ano III, N. 44, p. 2.

A MÁ IMPRENSA

"O povo mais religioso do mundo que lesse maus jornais chegaria a ser, em trinta anos, um povo de ímpios e revolucionários. Humanamente falando, não há pregação que frutifique diante de má imprensa".
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Cardeal Pie (1815 – 1880)

sábado, 25 de março de 2017

HINO AO CRISTO


O COMUNISMO ATEU QUER VIVER NO MUNDO

Padre Palma

A grande desordem hoje existente na terra é triste fruto da trama soviética que domina os homens sem-deuses da sociedade ambiciosa. O tal comunismo quando se revolta contra Deus, é para perseguir a humanidade inteira, se fora possível.
Para tanto, acabando com a religião, quer o comando supremo de cada nação, escravizando as massas populares.

I

Declarando-se ATEU, avança com sua ideologia materialista voraz, sequestrando e liquidando a propriedade particular do homem. Sistema cheio de erros sociais, que pretende encampar tudo nas mãos do Estado absoluto, sob o guante do comunista de escol. Toda a pessoa humana sofre por todas as formas. O amor livre implantado por essa teoria destrói e dá cabo da família. Os filhos são do Estado. Os adultos têm o trabalho forçado e a ração diária. As mulheres são vigiadas pela guarnição de soldados. Não há liberdade, mas licenciosidade. Não há direito e nem justiça, mas o severo arbítrio do camarada chefe. Não há respeito à autoridade e impera o despotismo. Despotismo primeiro entre os mandões e depois entre os inimigos do credo moscovita rubro.

II

Os partidários e chefes supremos do comunismo nunca podem estar tranquilos e sossegados. A menor suspeita os levará ao campo de concentração militar, ao cárcere e masmorra e à morte certa em pouco tempo. Pois é sabido que os heróis da véspera serão devorados pelos heróis do dia seguinte. O maior inimigo do comunismo é o próprio comunista, que vê em todos um seu rival. O pavor persegue a todos.
- Quem perde a fé religiosa, também perderá a consciência humana.

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Publicado no Jornal “A União”, de 14-03-1948, n. 8, p.2.

terça-feira, 21 de março de 2017

O cura d'ARS


A 31 de Maio deste ano foi canonizado João Maria Batista Vianney (1786-1850) o celebre Cura d’Ars, ao qual nestes termos se refere, em um dos últimos números da revista “E’tudes” o jesuíta Paul Dudou:
Levou na sua paroquia d’Ars, durante quarenta e um anos, uma vida de santo (1818-1859).
A casa dele era a Igreja. De madrugada, já lá estava a rezar. Dizia sua missa, como um serafim, pregava com uma unção de abalar montanhas; ensinava catecismo numa linguagem luminosa ainda para os espíritos menos penetrantes; ouvia de confissão inúmeras pessoas, doze, quinze, dezoito horas seguidas, com uma paciência, uma bondade, uma autoridade de direção, difícil de imaginar.
Quando cessava de ser dos outros, nem por isso se pertencia a si próprio.
Refeições ligeiras, ou antes, repastos de mendigos, temperados com a mortificação quotidiana. Sono curto e mal, no chão duro; noites passadas em sangrentas penitencias, em lutas contra os assaltos do “tinhoso”, em conversas com Deus por meio do breviário ou da oração mental.
Nada de adegas, nem copa, nem vestiários. Não tinha casa montada. Dinheiro, provisões, roupas de cama ou de mesa que passavam pela mão desse perdulário, lá se ia tudo entregue ao primeiro necessitado que se lhe punha diante.
Pouco se lhe dava do amanhã. O cura d’Ars seguia à risca o programa evangélico traçado pelo Cristo nos capítulos V e VI de São Mateus.
No início da carreira pastoral, saia da paróquia, para ajudar os colegas da vizinhança, quando ausentes, em missões ou jubileus.
A breve trecho, apegaram-se as almas àquele pregador e àquele confessor que não se parecia com nenhum outro. De Montmere, Saint Trevier, Savigneux, Caueins, São Bernardo, Trévoux.
Era costume ir muita gente a Ars, em busca do homem de Deus, cuja vida e cujos conselhos tocavam as raias do prodígio.
Assim é que começou essa romaria que aos poucos arrastava aos pés do santo, peregrinos de Dombes, da Bresse, do Bugey, do Beaujoiale, do Lyonnais, e da França inteira, da Bélgica, da Inglaterra e das duas Américas.
Ars, aldeia obscura do preguiçoso Saône, e dos açudes das Dombes, ficou sendo uma das encruzilhadas do mundo.
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Publicado em A Cruz, n. 30, de 19 de julho de 1925.