terça-feira, 30 de agosto de 2016

CONTEMPLAÇÃO DA ESSÊNCIA DIVINA

"Em sua providente e insondável Sabedoria, o Criador nos chama à vida e nos coloca, a cada um dos homens, em um ponto determinado do espaço e do tempo; liga nossas existências com laços e vínculos de sangue, de amizade, de estudos, de militância, de religião, com os quais entrelaça nossas relações de convivência e nutre a personalidade própria de cada um. Nosso viver é, assim, conviver. E isto, que assim o é na ordem natural, acentua-se e, superlativamente, enriquece-se dentro da economia sobrenatural do Corpo Místico – a que pertencem os cristãos - que transforma aquela coexistência em autentica e indestrutível fraternidade em Cristo, Nosso Rei e Senhor, que, longe de esgotar-se neste mundo transitório, se abre à eterna contemplação da essência divina".
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Editorial da revista Prudentia Iuris (da Faculdade de Direito e Ciências Políticas da Universidade Católica Argentina Santa Maria), 1982, n° 07, de Buenos Aires. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

RAINHA DOS CORAÇÕES

“Maria é a Rainha do céu e da terra, pela graça, como Jesus é o Rei por natureza e conquista. Ora, como o reino de Jesus Cristo compreende principalmente o coração ou o interior do homem, conforme a palavra: ‘O Reino de Deus está no meio de vós’ (Lc 17, 21), o reino da Santíssima Virgem está principalmente no interior do homem, isto é, em sua alma, e é principalmente nas almas que ela é mais glorificada com seu Filho, do que em todas as criaturas visíveis, e podemos chamá-la com os santos a Rainha dos corações”.
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S. Luís Maria Grignion de Montfort. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, Petrópolis: Vozes, 1961, p. 32.

domingo, 28 de agosto de 2016

NEM LIBERTAÇÃO POLÍTICA, NEM PROMOÇÃO SOCIAL

“A Igreja é Jesus Cristo. E Jesus Cristo não veio trazer nem a libertação política nem a promoção social. Salvando-nos do pecado e fazendo-nos participar de sua vida divina, Ele fundou ‘um reino que não é deste mundo’. Ele deu à Sua Igreja a missão de prolongar até o fim dos tempos a Sua presença e a Sua ação; não lhe confiou nenhum poder direto na ordem temporal”.
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Monsenhor Puech, Bispo de Carcassonne, in. Boletim Diocesano de 3/4/1970.

PRECE

(15/11/1895 – 17/07/1918)

De S. A. I. a Gran-Duquesa Olga, assassinada em Iekaterinenbourg, a 17 de julho de 1918.  Oração escrita em Tobolsk. Transmitida pela Condessa Hendrikoff, assassinada depois pelos bolchevistas. Traduzida pelo ex-ministro russo Botkine, assassinado com o Tzar.

Inspira-nos, Senhor, paciência;
Nestes dias sombrios e atormentados,
Devemos suportar a populaça,
E as torturas de nossos algozes.

Dá-nos, Deus Justo, a força
De perdoar as infâmias,
De ir, como tu, resignados,
Para a cruz pesada e cruenta.

E, na fúria da tormenta,
Roubados, vituperados pelo inimigo,
Ajuda-nos, Jesus Salvador,
A suportar tudo: injúrias e desprezo.

Deus, Todo Poderoso do universo,
Faze com que a prece nos dê forças
E acalme a nossa alma dolorida,
Na hora da angústia e do terror.

Diante da sepultura entreaberta,
Sentindo-lhe o hálito nos lábios,
Dá-nos a força sobre-humana
De perdoar e de rogar por eles.
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Leon de PONCIS. As Forças Secretas da Revolução: maçonaria-judaísmo, 2. ed., Porto Alegre: Globo, 1945, p. 05.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

JESUS, FONTE VIVA DE MISERICÓRDIA.

“Deus, que com uma só palavra poderíeis salvar milhares de mundos! Um único suspiro de Cristo satisfaria a Vossa justiça, mas Vós, ó Jesus, empreendestes uma tão terrível Paixão por nós, unicamente por amor. A justiça de Vosso Pai poderia conceder o perdão com um suspiro Vosso, e todas as Vossas humilhações são apenas obra da Vossa misericórdia e amor inconcebíveis. Vós, Senhor, saindo desta Terra, quisestes ficar conosco e deixastes a Vós mesmo no Sacramento do Altar e nos abristes a porta da Vossa Misericórdia. Não existe misericórdia que possa esgotar-Vos. Chamastes a todos a esse manancial de amor, a essa fonte de compaixão de Deus. Aí está o santuário da Vossa misericórdia, aí está o remédio para as nossas fraquezas. A Vós, Fonte Viva de misericórdia, recorrem todas as almas: umas, como servos sedentos do Vosso amor; outras, para lavar a ferida dos pecados; outras ainda, cansadas da vida, para haurir forças. Quando agonizáveis na cruz, nesse momento nos concedestes a vida eterna. Permitindo que Vos abrissem o Vosso Lado Santíssimo, Vós nos abristes a fonte inesgotável da Vossa misericórdia. Vós nos destes o que tínheis de mais caro, isto é, o Sangue e a Água do Vosso Coração. Eis a onipotência da Vossa misericórdia. Dela descem todas as graças para nós”.

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Santa Faustina. Diário, n. 1747.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

CULTURA DA INTEMPERANÇA

“O penoso remédio de uma cultura fornicaria, do desenfreio, “akolasía” como diz Aristóteles, é a “sofrosyne”, a temperança, segundo o mesmo filósofo explicava no livro III de sua Ética a Nicômaco vários séculos antes de Cristo. Para nós, cristãos, uma espécie concretíssima da temperança, que se chama castidade, regenera a intemperança do incontinente. Aquele grande pensador observava que há algo de infantil, pela irreflexão, no desenfreio, na intemperança, e, acrescentava ainda que “se dá em nós não enquanto homens, senão enquanto animais”. O propriamente humano é que a potencia sexual e sua atuação integrem-se harmoniosamente à riqueza da personalidade, e que esse exercício se desenrole na ordem familiar. É esta a consecução da virtude”.
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Mons. Héctor AGUER (Arcebispo de La Plata). La fornicación, Jornal “El Día”, de 23/08/2016.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O SURTO DA SOCIALIZAÇÃO TOTALITÁRIA

“A filosofia liberal e a do Estado totalitário são duas modalidades do imanentismo moderno no pensamento político. Aí temos, respectivamente, o imanentismo da liberdade e a divinização do Estado, concebido como um absoluto, como a encarnação da ideia ética. A liberdade, para os liberais, deixa de ser ordenada a um fim pessoal transcendente; e concretamente, na perspectiva do totalitarismo, ela resulta da total subordinação dos indivíduos e dos grupos ao Estado, isto é, ao fim imanente deste.
No primeiro caso, a dimensão social da liberdade desaparece. No segundo caso, o homem é inteiramente socializado numa completa ‘estatização’ da vida.
Uma das razões dos fracassos a que se têm exposto as democracias modernas, está em que seus regimes constitucionais, estruturados segundo os princípios do liberalismo desvinculam o homem dos grupos orgânicos, cujo fortalecimento preserva as liberdades e cujo desaparecimento ou enfraquecimento as deixam sem defesa. Em face de tais regimes de uma liberdade meramente abstrata, Hegel percebeu que nesses grupos as liberdades concretamente são asseguradas, mas, fazendo do Estado a síntese absorvente de toda a sociedade, preparou o monismo totalitário.
O liberalismo desconhece o princípio de subsidiariedade, fundado na autonomia dos grupos intermediários: em relação aos quais o Estado deve exercer uma função supletiva, para atender às suas deficiências. Por falta desse enquadramento social, abandona as liberdades individuais umas em face das outras, deixando-as, assim, desprotegidas para enfrentar a concorrência. Dessa forma, na competição da struggle for life, a liberdade dos mais fracos parece ante a dos mais fortes.
Daí facilmente se passa ao totalitarismo, pois o Estado encontra caminho preparado para exercer uma liberdade onímoda na direção da vida social, suprimindo a falta dos grupos e anulando as liberdades individuais.
Foi o cristianismo que ensinou ao mundo antigo o verdadeiro sentido da dignidade da pessoa humana e da liberdade em sua ordenação para o fim transcendente e sobrenatural do homem. Sob sua influencia floresceram as comunidades autônomas e se formaram as monarquias limitadas, anteriores à centralização do Estado moderno. O liberalismo foi a negação dessa transcendência e a perda da dimensão social da liberdade, propiciando o surto da socialização totalitária”.
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José Pedro GALVÃO DE SOUSA. A Liberdade em sua Dimensão Social, a Proposito da Distinção entre “Liberdade Abstrata” e “Liberdades Concretas”, in Filosofar Cristiano, Asociación Católica Interamericana de Filosofía, Revista Semestral, VIII-IX, n. 15-18, 1984-1985, p. 148-149.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

VIDA INTERIOR

“O homem foi redimido por Cristo. Com suas dores e com sua morte, o Senhor pagou a Deus a dívida de nossos pecados, alcançou-nos o perdão e, incorporando-nos a Ele – o Filho de Deus – fez-nos partícipes de sua Filiação divina.
Pela fé e pelo arrependimento, e através do batismo, o homem incorpora-se a Cristo, e com a graça santificante que procede d’Ele, como Cabeça da Igreja – seu Corpo Místico – começa a viver a vida de Deus.
Essa vida de Deus, porém, é absolutamente sobrenatural. Está instaurada na vida natural de nossa alma espiritual, mas é essencialmente superior a ele. O homem não pode merecê-la, nem vivê-la, apenas com suas forças. Por penetrante e culta que seja, sua inteligência, por si mesma, não pode chegar a conhecer as verdades sobrenaturais da Revelação; e, por vigorosa que seja, sua vontade não pode atuar sobrenaturalmente. Daí necessitar não somente da graça santificante, que transforma e eleva seu espírito de modo permanente à vida de filho de Deus, como também das graças ou auxílios atuais, com que deus lhe ilumina o intelecto e lhe conforta e anima a vontade. A palavra de Cristo é terminante: “Sine me nihil potestis facere” (“Sem Mim não podereis fazer nada”).
Sem estas graças com que Deus nos conforta e sustenta na vida sobrenatural, não poderíamos permanecer nem atuar nela, precisamente porque esta vida sobrenatural está essencialmente por cima de toda natureza criada e criável. Pertence a uma ordem divina, que o homem só pode alcançar e viver com a ação de Deus em sua alma. Ação de Deus que normalmente opera através dos meios sobrenaturais estabelecidos pelo próprio Cristo.
Se todo ser natural – também o ser do agir do homem e de todas as criaturas – sob o aspecto de ser (sub ratione entis) procede sempre de Deus como Causa primeira, o homem, precisamente porque não é o ser, mas participa dele contingencialmente, com muito mais razão depende imediatamente do Ser de Deus no ser e na vida sobrenaturais, que transcendem essencialmente toda a ordem humana e criada”.
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Mons. Octavio NICOLÁS DERISI. Vida interior: base de toda a renovação, Revista Hora Presente, Ano III, Agosto de 1971, n. 10, p. 93-94.

sábado, 20 de agosto de 2016

O VALOR DA TRADIÇÃO

“Soçobram impérios por não terem guardado as suas tradições mais caras, os seus usos e costumes, que, ao longo do tempo, se foram mudando, em acidentes, enquanto deveriam conservar-se na sua essência. (...) Na ordem espiritual, como na temporal, a tradição vivifica as instituições e lhes transmite o sopro da vida. A tradição é dinâmica, não estática. (...) Nem tudo o que passou deve ser conservado. Mas a depuração, pelo tempo, do que beneficiou o povo, os valores que se lhe acrescentaram como patrimônio moral, histórico, espiritual, literário, artístico, na mais alta expressão dos vocábulos, essa é a tradição. Por mais paradoxal que seja a aproximação, só evolui o que se sustenta sobre bases tradicionais”.
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João de SCANTIMBURGO. Eça de Queiroz e a Tradição, São Paulo: Editora Siciliano, 1995, p. 25-26.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O INTELECTUAL DE ESQUERDA

“O intelectual de esquerda é insensível ao trágico da situação contemporânea e ao destino da civilização num mundo que prescinde de Deus e que rejeita a Igreja. A desumanização de uma sociedade dominada pelo utilitarismo aparentemente não o afeta. A ameaça do totalitarismo comunista deixa-o indiferente ‘não porque esteja de má fé, ou porque lhe falte inteligência, como diz o dr. Etienne De Greeff, mas porque não se tornou homem bastante para pressentir esse desastre”.
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Alfredo LAGE. A Recusa do Ser, Rio de Janeiro: Agir Editora, 1971.

SOBRE A DEMOCRACIA...

“Uma democracia não se organiza, porque a ideia de organização em qualquer grau que seja, exclui, também em qualquer grau, a ideia de igualdade: organizar é diferenciar e é, em consequência, estabelecer graus e hierarquias” (287).

“... o termo natural de uma República democrática é o socialismo de Estado democrático, a obra fundamental da centralização e do funcionarismo”. (p. 368)
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Charles MAURRAS. Encuesta sobre la monarquía, (tradução e notas de Fernando Bertrán), Madrid: Sociedad General Española de Librería, 1935.

O HOMEM MODERNO É PRISIONEIRO DO TERROR

“O mundo retrocedeu em caridade e convivência o que avançou em técnica; e o homem moderno vive tão prisioneiro do terror como o homem das cavernas. Daí que tanta gente trate de abafar o medo invisível que carregam dentro de si em um mar de diversões febris às quais chamam “cultura”; quanto mais ‘excitantes’, melhor”.
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Padre Leonardo CASTELLANI. Dinámica Social Nº 43, Marzo de 1954.
Pe. Leonardo Castellani
(Reconquista, província de Santa Fé 16/11/1899 – † Buenos Aires, 15/03/1981).

PAZ INTERIOR

“A vida cristã é um constante convite ao retorno do homem à vida interior. Somente em uma permanente busca dos valores perenes o indivíduo encontra a alegria da paz interior”.
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Stan Popescu. Cultura y libertad

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

ORAÇÃO MATINAL

“Ao acordar, a vida recomeça. Tiremos ao nosso repouso alguns minutos, e não neguemos a Deus as primícias do novo dia, para não nos privarmos das graças da oração matinal. Os nossos afazeres vão colher-nos na sua engrenagem; convém por isso termos tempo para orientar o dia e consagrá-lo a Deus.
A oração da manhã é a oração de Cristo ao entrar no mundo: Eis que venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Hebr 10, 5-7). Também nós podemos dizer a Deus: ‘Senhor, venho receber as vossas ordens para este dia, a fim de estabelecer o vosso reinado na minha família, pelo meu carinho para com todos os meus. Fazei com que eu não me irrite com as minhas faltas de humor ou com o meu trabalho pessoal. Fazei com que o meu orgulho não me impeça de compreender as pessoas, e que não recorra à dureza quando tiver de repreender alguém.
Estou disposto a fazer a vossa vontade em todos os deveres do meu estado. Não permitais que transija com a injustiça, que ceda à mentira, que me abandone às leviandades perigosas. Desejo ouvir os meus irmãos com paciência, julgá-los sem amargura, orientá-los com serenidade, obedecer com entusiasmo, perdoar de sorriso nos lábios. Abençoai, Senhor, todos aqueles que hoje me prestarão serviços, ao mesmo tempo que me proponho servir os que tiverem necessidade de mim.
Senhor, eis-me aqui para encarnar entre os homens a verdade e a caridade do vosso Evangelho. Irei mostrar sem timidez nem ostentações, a todos aqueles que abordar, o que é um cristão. Fazei com que eu não dê a ninguém motivo de escândalo e que, pelo menos, faça alguém mais feliz”.
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Georges CHEVROT. Em segredo, São Paulo: Quadrante, 1981, p. 35-36. 


terça-feira, 16 de agosto de 2016

AO HOMEM NÃO CABE SEPARAR O QUE DEUS UNIU

“O verdadeiro amor consiste no desprendimento de si mesmo e na entrega à pessoa amada, sem medir sacrifícios. O que é verdade tanto do amor conjugal como dos amores materno e paterno. Amor não se confunde com paixão animal, segundo pensam os que fazem do prazer a meta da vida.... Se o amor pode nascer da fogueira de uma paixão, ele acaba por converter-se numa comunhão de almas e de vidas, caso contrário não terá passado de expressão de um refinado egoísmo.
(...)
Sacrifício: de sacrum facere. Os sofrimentos em comum, na vida matrimonial, têm o sentido de uma oblação. O matrimônio realiza-se na sua plenitude e torna-se fonte de verdadeira felicidade quando os sacrifícios que exige são oferecidos a Deus, na comum convicção dos cônjuges de que ao homem não cabe separar o que Deus uniu”.
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José Pedro GALVÃO DE SOUSA. O divórcio e a família do futuro. In. Hora Presente. Ano III – Maio/1971 - n. 9, p. 68-70.

JESUS MISERICORDIOSO

“Ó Deus, quão generosamente está espalhada a Vossa misericórdia! E fizestes tudo isso pelo homem. Ó! Quanto deveis amar a esse homem, se o Vosso amor é tão intenso para com ele. Ó meu Criador e Senhor, em toda parte vejo os vestígios da Vossa mão e o selo de Vossa misericórdia que envolve tudo que é criado. Ó meu Criador compassivo, desejo dar-Vos honra em nome de todas essas criaturas e criações sem alma: conclamo o universo todo para adorar a Vossa misericórdia. Ó! Como é grande a Vossa bondade, ó Deus”. 
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Santa Faustina. Diário, n. 1749.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

MÁRTIRES POR AMOR A CRISTO

“Há pouco, falecia na Tchecoslováquia o Cardeal Trochta, que passou quase a totalidade de sua vida de bispo em cárceres e campos de concentração [comunistas]. Foi expulso de sua diocese e condenado a trabalhos forçados em uma fábrica. Quando lá chegou, os trabalhadores sabiam que ele não vinha na qualidade de padre-operário, para fazer-lhes concorrências na luta pela subsistência, mas que fora banino para a fábrica. Seu único crime: ser bispo da Igreja de Cristo.
Também o cardeal Stepinac foi prisioneiro e exilado. Foi sepultado em sua catedral de Zagreb. Floes e velas sobre seu túmulo lembram ressurreição e vida. Foi expulso de sua sé episcopal por ser bispo que cria em Cristo.
Longe de sua sé episcopal faleceu o arcebispo de Praga, cardeal Beran, ex-prisioneiro do campo de concentração de Dachau e prisioneiro do nosso tempo. Seu crime era: ser bispo e crer em Cristo. Faleceu em fama de santidade.
Também  o cardeal Mindszenty primaz da Hungria foi prisioneiro e foi afastado de sua sé episcopal. Por que? Por ser criminoso? Inimigo de seu povo e d de sua pátria? Não, por ser bispo e crer em Cristo.
E o cardeal Slipyj, arcebispo de Lwbw, por mais de 20 anos prisioneiro e banido. Agora vive fora de sua pátria. Por que? Sempre de novo, por que? Os covardes jamais fornecem resposta honesta para isso. Esta é a verdadeira Igreja pós-conciliar. O próprio Deus deu a resposta de como devia ser essa Igreja, ao mandar cardeais para a frente de batalha, onde se tornaram confessores da fé, prisioneiros e mártires por amor de Cristo.
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Do pronunciamento do Cardeal WYSZYNSKI, invicto defensor da Fé na católica Polônia, vítima da tirania totalitária, traduzido pelo Pe. José Maria Wisniewski, SVD, e publicado originalmente em “Lar Católico”, de Juiz de Fora (20-10-1974) e posteriormente em Hora Presente, de onde extraímos o presente excerto (outros serão ainda postados). Abaixo transcrevemos uma pequena introdução ao referido pronunciamento de autoria dos redatores da revista Hora Presente  (n. 18, 1975):   

SILÊNCIO tomba sobre a Igreja da Europa oriental. Os cardeais mais valentes morreram ou foram reduzidos ao silêncio. Bispos procuram um acordo com os inimigos de Deus, sob a pressão de uma politica de descontração falsamente interpretada. Algumas sedes episcopais já estão ocupadas por chefes do movimento da paz traidor, que se tornam os executores desfibrados dos planos ateus de destruição. Por ordem dos comunistas, mais e mais sacerdotes zelosos são suspensos pelos seus superiores hierárquicos e retirados do pastoreio de almas. Um dos últimos que têm fibra para resistir, é o cardeal polonês Wyszynski. Esperança e entusiasmo apoderam-se dos corações do se jovem auditório, quando, aos 9 de abril de 1974, desafiando os perseguidores da Igreja e abrindo mão de frases diplomáticas, acertou contas com os adversários de Deus que prosseguem em sua obra destruidora, dentro e fora da Igreja, sem serem molestados. O cardeal descreveu a verdadeira e a falsa Igreja pós-conciliar, diante de um auditório acadêmico e com valentia inaudita deu o sinal para a contra-ofensiva. 

Cardeal Wyszynski
(Zuzela, 3 de agosto de 1901 — Varsóvia, 28 de maio de 1981)

O GRANDE COMBATE DA HORA PRESENTE

“O combate enérgico contra as manobras satânicas para sapar a Igreja por dentro reclama de nós uma santa coragem, uma fé ardente e uma fidelidade inquebrantável a Cristo e à Igreja. Que a nossa fé não se deixe enganar pelas correntes de opiniões, as tendências em moda ou a prolixidade dos escritos de teólogos. Que ela se defenda contra s desmandos da imprensa e as pressões da opinião pública. Precisamos de uma fé autêntica, fortemente escorada pela comunidade santa na qual vivemos. Ou seja, uma fé tradicional, que alguns chamam de ‘convencional’! A fé dum Cardeal Mindszenty e de tantos outros bispos e padres mártires da Europa perseguida, que aceitam a tortura e se recusam a abandonar um jota do seu Credo”.

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Dietrich VON HILDEBRAND (1889-1977). La vigne ravagée, p. 136.


domingo, 14 de agosto de 2016

NOSSA ADVOGADA

“Nossa Senhora é a nossa Advogada junto a Jesus Cristo e Medianeira de todas as graças. É chamada a Onipotência Suplicante, porque sendo a Mãe de Deus, é impossível que Deus não a ouça. Daí o grande valor da devoção a Nossa Senhora, cujos devotos ela protege qual a mais terna e carinhosa das mães. São Luís Maria Grignion de Montfort ensina que, assim como o Filho de Deus veio a nós por Maria, é por Maria que iremos a Ele.
E Dante, na belíssima oração à Virgem que põe nos lábios de São Bernardo (canto XXIII do Paraíso), diz que pedir graças sem recorrer a Maria equivale a voar sem asas”.
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José Pedro GALVÃO DE SOUSA. Breve Catecismo Expositivo: para Conhecer e Viver as Verdades da Fé, Belo Horizonte: Edições Cristo Rei, 2013, p. 52.

O APOSTOLADO DO SACERDOTE E DO LEIGO

“Como disse na sua mensagem natalícia S.S. Pio XII, não existe organização do mundo que possa garantir a dignidade do homem e a soberania inviolável da pessoa, se se prescindir dos valores imortais do espírito e da verdade de Cristo; e não existe, por consequência, nem humanismos da cultura nem do trabalho. Daí o valor insubstituível da religião, que é indispensável ao homem como a sua mesma alma.
Também a vida religiosa é “trabalho”, o mais humano, o mais universal e, por isso, “católico”: trabalhar, para nós, para o próximo e para Deus, segundo a ordem da verdade natural, iluminada pela fé, que é verdade e graça sobrenatural. O apostolado do Sacerdote ou o leigo católicos, o culto religioso, a oração, etc., são trabalho e altíssimo trabalho social, mais do que social na medida em que se encontra voltado para fins supersociais, para a total realização do homem e, por isso, da liberdade plena. Não edifica casas ou outros confortos materiais, mas edifica o espirito dos homens, isto é, aqueles que habitam as casas e usam dos confortos. A técnica preocupa-se em construir as estradas, mas a Igreja de Deus assume uma empresa muito mais importante: preocupa-se com a alma dos homens que por elas passam, reza pela sua paz material e espiritual, e, quando pode, prodiga-se em toda a espécie de auxilio. Mas para que serve a oração? Para nada, se for ateu; é eficacíssima, se se crer que o homem é filho de Deus e que o Pai é também o Amor. A oração, que tem confiança na misericórdia do Criador, e o temor de Deus, por amor da sua justiça, são “trabalho”, o trabalho que eleva e santifica todas as formas da atividade humana que, no fundo, com as nossas obras honestas, quaisquer que sejam, é resposta à verdade. Resposta sempre inadequada – a do grande poeta tanto como a do camponês que ara a terra – que nunca poderá dar ao homem a sua plenitude, porque a plenitude do homem não é a sociedade (liberal ou comunista, ou o que quer que seja) ou o homem mesmo. Só o destino sobrenatural é a elevação suprema da dignidade da pessoa; só ela faz com que o trabalho de todo o indivíduo, se Deus o quer, encontre a sua plenitude na glória de Deus”.
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Michele Federico SCIACCA. A hora de Cristo, Lisboa: Aster / São Paulo: Flambyant, p. 186.

A PÁTRIA COMO PATRIMÔNIO MORAL DE TRADIÇÕES E DE ASPIRAÇÕES

“Eu já uma vez o disse e parece-me que não é demais repetir que a Pátria não é apenas uma ideia com mera significação territorial. É antes de mais nada um patrimônio moral de tradições e de aspirações, ligado ao solo em que os nossos Mortos repousam. Ser patriota não é manter somente a integridade dos limites físicos em que a Pátria se emoldura. É principalmente não atentar contra a inalterabilidade duma alma coletiva, que fundada na continuidade da história e na consciência dum povo, constitui o que em verdade se pode chamar o gênio duma nacionalidade. Ninguém colocou melhor o problema de que o ilustre historiador francês Fustel de Coulanges, ao escrever na clausula celebre do seu testamento: ‘O patriotismo exige que, quando se não pense como os antepassados, se respeite ao menos o que eles têm pensado’. Porque o patriotismo é assim Fustel de Coulanges o definia nas disposições da sua ultima vontade, é que o autor de La Cité Antique se mandava enterrar catolicamente, embora não fosse nem um crente nem um praticante”.
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Antonio SARDINHA. A prol do comum… doutrina e história, Lisboa: Livraria Ferin/Editora Torres e Cia, 1934, p. 72.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A NOVIDADE TRAZIDA PELA REVELAÇÃO CRISTÃ

“A ideia de uma sociedade com Deus, cujo laço é feito pela amizade e cujo alimento é a comunidade graciosa dos segredos da vida divina, eis a ideia nova trazida pela revelação cristã, eis o que constitui a originalidade de nossas vidas cristãs”.
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Pe. A. Gardeil. La craie vie chrétienne. Desclée de Brouwer, 1935, p. 72.

A PROPÓSITO DA ORDEM NATURAL

“E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães. Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus. Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra. Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus. Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles. E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás”. (S. Mateus IV: 3-10).
Tal foi o desafio lançado contra o Senhor no inicio de sua vida pública. Triplo desafio que alça, ainda hoje sobre a Igreja, amoldado às variantes de tempo e lugar, mas conservando sempre suas características essenciais, a unidade de sua trama e sua pérfida finalidade. Tripla tentação que afeta os homens em sua moral pessoal e no ambiento de suas relações sociais, politicas e jurídicas, incitando-os para o exclusivo cuidado das coisas criadas e sensíveis, subvertendo a ordem natural e, definitivamente, afastando-os de Deus.
Mas o que propõe o tentador? Em cada uma das três tentações sugere uma ação precisa, concreta, diferente. Mas as três atacam decididamente a ordem natural, o plano do Criador, a hierarquia dos bens e valores, as leis da física e da ética, a que deve ajustar-se a vida dos homens. As três, gradual e hipocritamente, desembocam no que se devia entrever com suficiente nitidez na terceira: a aversão a Deus, implícita naquela “se, prostrado, me adorares”.
O Senhor poderia ter transformado as pedras em pães. Porque não? Mas preferiu a ordenada produção do sustento, com todas suas implicações morais, econômicas, jurídicas, com a conseguinte divisão de tarefas e funções, os trabalhos de cultivação da terra, da plantação das sementes, das colheitas e até de sua comercialização.... tudo está no plano do Criador. Porque haveria de mudar? Quis o Senhor, ainda, nos ensinar a não caminharmos desenfreadamente em busca das coisas que se consomem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.
Poderia da mesma forma, atirar-se do pináculo do templo, deixando absortos todos os habitantes de Jerusalém. Não quis fazê-lo, como não quereria depois descer da Cruz para provar sua divindade ante os blasfemadores que o injuriavam. Preferiu que os homens se valessem do franco uso do seu livre arbitro, que se aproximassem d’Ele pela Fé e se valessem, também, de sua razão discursiva, iluminada pela graça, em vez anulá-los sob o peso de uma evidencia cabal, impropria da condição humana e incompatível com uma adesão fundada no mais puro respeito da Verdade. Poderia finalmente aceitar a realidade da dominação demoníaca sobre as nações, e, em um instante, assumir a plenitude da soberania universal até sobre os mais perversos que lhe seguiriam, exultante como o seu caudilho e seu cumplice. Preferiu, em troca, deixar os homens livres para que o obedecesse e servisse por amor, embora isso equivalesse a submeter-se ao império dos malvados, às vexações criminosas e injustas, e a aceitar das mãos deles a morte e a Cruz.
Mas, sem perscrutarmos o profundo tema teológico suscitado no texto evangélico, queríamos apenas assinalar sua relevância no campo do direito e da vida social, tanto pelo que atine à sanção, aplicação e interpretação das leis, como ao exercício do governo e aos objetivos da política. Porque, a despeito de necessárias distinções e da sideral distancia que vai do espiritual ao temporal, cabe afirmar que, ainda quando não seja admissível falar de pecados sociais, distintos dos pecados pessoais; convém, em troca, não perder de vista que, no fim das contas, se trata do comportamento humano, regido por normas e princípios constantes e analogamente validos nos diversos planos em que o homem atua.
É assim que os três princípios fundamentais do ordenamento jurídico da vida em sociedade: honeste vivere, alterum non laedere, Suum cuique tribuere, alcançam sua plenitude quando os homens compreendem e vivem em sua dimensão social as repostas do Salvador às sugestões diabólicas. Sugestões que reúnem os elementos característicos de todo pecado: 'conversio ad creaturas, inordinatio, aversio a Deo', que, por certo, também afetam as comunidades temporais.
Na realidade é difícil ocultar a maldade implícita no amor imoderado das coisas sensíveis, e impossível é negar a perfídia do ateísmo. Por isso o demônio, que é sutil, costuma recorrer ao ardil de atacar a ordem natural, dissimulando sua perversidade. Com não pouca frequência promove o desconhecimento desta ordem, conseguindo que, disfarçado de valoração do espiritual e ainda do sobrenatural, se lhe retire a importância ou se prescinda aberta dela. Dessa forma consegue, por um cômodo atalho, desencadear o consumismo e a apostasia.... tal como propusera no deserto.
Não parece, pois, estranho que de alguma maneira as sociedades humanas tenham de padecer neste mundo males ligeiramente semelhantes às penas eternas que todo pecador merece: uma corrosiva e permanente destruição e bancarrota, como castigo do imoderado apego às coisas inferiores que implica o consumismo desenfreado; uma variadíssima gama de perturbações, moléstias e incômodos... e uma mutua e intrínseca belicosidade, merecidas pelo desprezo da ordem; e, finalmente, a perda efetiva da divina presença do Reinado Social de Cristo, como justíssima sanção do amargo e ímpio ateísmo professado.
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Santiago de ESTRADA. A Proposito del Orden Natural, In. Prudentia Iuris – Revista da Faculdade de Direito e Ciências Políticas da Pontifica Universidade Católica Argentina Santa Maria de los Buenos Aires, Dezembro de 1980, pp. 3-4.

O PAI DA MENTIRA E O SOCIALISMO

“E a evidência, de que todo o inferno está comprometido “na maior das catástrofes sociais”, que é o advento do comunismo, como advertiu, há mais de um século, Donoso Cortês, está na diligencia com que o “pai da mentira” escolhe e prepara seus agentes, com a paciência e a meticulosidade de quem tem a eternidade diante de si.
No prefácio de seu livro – “Marx et les Marxistes” – Kostas Papaioannou assim traça o perfil do idealizador da doutrina:
“Prometeu – que é o deus ou gênio do fogo – e Lúcifer, estas duas máscaras do rebelde romântico, acompanham Marx durante toda a sua longa existência. Nos seus primeiros escritos, encontramos já Prometeu glorificado na primeira fila dos ‘mártires e de santos filósofos’. O Tentador também é evocado num de seus poemas da juventude. Ele aparece sob o aspecto de um músico selvagem, que se recusa a cantar a harmonia da criação e que não quer senão atravessar as almas com sua espada. Deus, diz ele, não ama e nem honra as artes; a arte é nutrida com vapores do inferno, é o Diabo que a inspira... O ‘galhardo negro das Trevas’, como Engels e Edgard Bauer o tinham chamado, levara para sempre o traço de suas brejeirices com o Maligno: todos esses jatos de luz intensa, esses traços maliciosamente sardônicos, deliberadamente blasfematórios, esses sarcasmos gigantescos, que bruscamente envolvem a prosa de Marx – ver a audácia e o esplendor por vezes lúgubre de suas fulgurações – têm por fonte sua inimizade prometeana com a ordem dos deuses implacáveis que ele viu troar sobre um Olimpo de infâmias”.
(...)
“Não é a primeira vez – insiste Monsenhor Delassus -  que se produz uma invasão de satanismo na cristandade. No século XV, a Reforma foi precedida de um extraordinário desenvolvimento de magia. O protestantismo a favoreceu por todos os modos e produziu o descobrimento da feitiçaria, que, durante o século XVII, caiu como um pesadelo sobre a Alemanha, Inglaterra e Escócia...”. “Uma onda de ocultismo – escreve por sua vez Leon de Poncis – precedeu e acompanhou os dois movimentos revolucionários de 1789 e 1917. Os teósofos e iluminados do século XVIII, Boheme, Swdenborg, Marxinez de Pasqualis, Cagliostro, o conde de Santi Germain, etc., têm sua contrapartida nas numerosas seitas russas e nos magos e ocultistas da corte imperial da Rússia – Felipe, Papus, o tibetano Badmaieff, e, sobretudo, Rasputin, cuja extraordinária influencia contribuiu diretamente para desencadear a revolução” (Jean Ousset, “Para que El Reine”, nota n. 38, pp. 27-28).
Isso explica porque Satanás encontrou campo propicio aos seus desígnios na infeliz pátria de Berdiaeff.
“Lênin dissera: ‘Se tivesse havido na Rússia, em 1917, somente umas dez centenas de homens sabendo bem o que eles queriam, não teríamos, jamais, chegado a ocupar o poder” (Apud José Pedro Galvão de Sousa – “A Esperança Política”, in Problemas Brasileiros, n. 155, 0. 23, Julho de 1976).
Vale dizer que, em duzentos milhões de pessoas, não havia na Rússia mil justos, como em Sodoma e Gomorra não avia dez. Daí por que ambas foram destruídas – e cada qual a seu modo: a primeira, pelo fogo de Prometeu, o deus do fogo, a que se afeiçoara Marx; a segunda, pelo fogo do Céu; a primeira, por morte aviltante, porque produzida pela sanha do homem, possuído por Satan; a segunda, mais nobre, porque vida direta do Céu.
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Ítalo GALLI (1913-2012). Discurso de posse no Tribunal de Justiça de São Paulo. In “Direitos da Moral”, São Paulo, 1992, p. 45.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

UMA NOVA CLASSE DE INIMPUTÁVEIS

“(...) nossos tempos têm assistido ao surgimento de uma nova classe de inimputáveis. Trata-se de uma inimputabilidade que nem está prevista em lei e nem se fundamenta na ausência de vontade ou de compreensão do agente de um ato tido por criminoso. Antes, trata-se de uma inimputabilidade que reside apenas no fato de que o criminoso em questão pertence a um determinado grupo social que a Nova Ordem elegeu como digno de proteção.
Funciona mais ou menos assim. A Nova Ordem escolheu alguns grupos aos quais dar uma proteção especial. São grupos que atuam, em conjunto ou separadamente, pela destruição do Ocidente, especialmente pela ruína do cristianismo e de seus valores, que constituem o principal obstáculo para que a própria Nova Ordem se estabeleça. São grupos como os homossexuais, os muçulmanos, as feministas, os esquerdistas, etc..
Algumas pessoas que compõem esses grupos, cientes de que estão protegidas pelo simples fato de a eles pertencer, passam a atuar de forma a cometer crimes e mais crimes, levando o horror à vida das pessoas comuns e o caos ao seio das sociedades ocidentais, praticando impunemente atos que, fossem praticados por indivíduos normais, conduzi-los-iam à cadeia.
Os exemplos repetem-se às centenas. Cito apenas alguns a guisa de ilustração do que estou afirmando.
Nas celebrações do último Réveillon, na cidade de Colônia, na Alemanha, houve a perpetração de estupro coletivo contra mulheres locais por jovens muçulmanos que adentraram na Europa como imigrantes ou refugiados. Os estupradores agiram na certeza de que ficariam impunes, havendo mesmo relatos de vítimas que afirmam terem ouvido que, sendo imigrantes, nada podiam fazer contra eles, pois tinham proteção do governo local.
Na Inglaterra, em Rotherham, fato semelhante (porém imensamente mais grave) ocorreu. Por anos a fio, jovens locais foram vítimas de violência sexual por parte de imigrantes muçulmanos e, embora procurassem ajuda das autoridades e de serviços sociais, não receberam nenhuma proteção, pois tanto a polícia quanto os demais agentes públicos temiam que, caso atuassem para protegê-las, viessem a ser taxados de islamofóbicos. E isso, na melhor das hipóteses, é algo que arruinaria suas reputações; e, na pior delas, acarretaria a demissão pura e simples de seus empregos. Provavelmente, algumas centenas de milhares de jovens foram impunemente molestadas e imoladas no altar da nova inimputabilidade num dos países mais civilizados do mundo…
Mundo a fora, ativistas da “Femen” agem da forma mais despudorada possível, mesmo em ambientes sagrados. Num episódio que se tornou emblemático, elas despiram-se dentro da Catedral de Notre Dame e danificaram um dos sinos da igreja, mas foram absolvidas (inimputáveis que são, o que se esperava?), sendo que os policiais que agiram para fazer cessar a cena bizarra acabaram, eles próprios, condenados.
Como se vê, um inimputável, por definição, é alguém mais merecedor de proteção do que de pena.
No Brasil, a situação não é muito diferente.
Integrantes de “movimentos sociais” atuam literalmente acima da lei. Proferem ameaças contra as autoridades constituídas. Invadem propriedades privadas e prédios públicos. Destroem plantações. Matam gados. Aniquilam trabalhos científicos. Bloqueiam estradas. Tudo sob o manto da mais completa impunidade, sem que as autoridades, muitas vezes, sequer se preocupem de persegui-los criminalmente. E, não raro, as poucas que o fazem acabam sofrendo punições.
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Alexandre SEMEDO DE OLIVEIRA (Juiz de Direito). Uma Nova Classe de Inimputáveis. Fonte: https://mmjusblog.wordpress.com/

SEM A GRAÇA A PERFEIÇÃO PURAMENTE HUMANA É IMPOSSÍVEL

“Uma perfeição puramente humana, integral, é moralmente irrealizável em toda sua complexidade pessoal e social e em continuidade perseverante, sem a graça adjuvante, devido às debilidades e propensões torcidas que segue padecendo o coração humano, perpetuamente ressentido de seus antecedentes pecaminosos, e à obnubilação da razão pratica para discernir adequadamente o bem e ditar sua realização”.
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Frei Victorino RODRÍGUEZ O.P. Estudios de Antropología Teológica, Madrid: Speiro, 1992, p. 121.  

(Asturias, 14/02/1926 - Madri, 28/03/1997)