terça-feira, 29 de abril de 2014

O FAZEDOR DE LEIS DEVE AMAR A DEUS...

Nossa submissão à Lei eterna é participação, um coadjuvar a ordem. Quando nos submetemos à ela, não a criamos; quando dela nos esquivamos, não a anulamos nem debilitamos. Podemos nos furtar de uma norma, mas não da ordem normativa universal; podemos realizar atos contraditórios, mas sem pretender que levem ao mesmo fim: semelhante contradição implicaria a desorientação absoluta de nossa racionalidade e, portanto, de nossa liberdade, e o esboroamento do Universo. O que depende de nós é que essa Lei se cumpra, que a justiça temporal reflita e realize no que for possível a Justiça divina. Direitos e deveres vinculam-se à hierarquia dos valores humanos. Tudo quanto contraria o verdadeiro bem do homem contraria a Lei natural. A culpa, antes que um desacato à vontade divina, é um atentado à natureza humana, de sorte que cabe afirmar rigorosamente com Santo Tomás: Non enim Deus a nobis offenditur, nisi ex eo quod nostrum bonum agimus. Por isso nosso Vásquez de Menchaca, frente aos que alegavam como título de expansão na América certos pecados dos índios, observa oportunamente: “todo pecado é contra natura, e por esse caminho nunca faltaria um pretexto para declarar guerra aos infiéis, e mesmo aos cristãos”. Cortando as mil questões que aqui surgem, pensemos, finalmente, que, junto ao problema da vigência, está o da eficácia. Sem uma fundamentação ontológica e teológica dos valores, desvirtuamos a justiça e não cabe pedir-lhe mais prestígio do que vai restando ao homem, uma vez abandonado da mão de Deus. Neste, como em tantos pontos, segue vigente também nossa gloriosa Lei de Partidas: O fazedor das leis deve amar a Deus e tê-lo ante seus olhos quando as fizer, para que sejam direitas e cumpridas.

José CORTS GRAU. Axiología y iusnaturalismo. Atas do Primeiro Congresso Nacional de Filosofia, Mendoza, Argentina, março-abril 1949, tomo II, p. 1286-1287.

sábado, 19 de abril de 2014

A FORÇA EXPRESSIVA DO CANTO GREGORIANO

Não há alma, por mais desamparada que seja, que não possa ouvir a verdade quando esta adota uma linguagem feita para ela. Eis ai o gregoriano: “Uma linguagem da alma para a alma”, como assevera Charlier. A força expressiva do canto gregoriano não se afirma no paroxismo, senão na sobriedade, na sinceridade, na cortesia e na castidade de suas formulas. Sua beleza é sempre nova, porque diz o que nenhuma música expressa; por isso tem a certeza de comover as almas de qualquer raça. Sua compreensão profunda não é fácil, como ocorre com qualquer das artes, porque é a meditação dos mais altos mistérios.

Alberto BOIXADÓS. Arte y subversión. Buenos Aires: Editorial Areté, 1977, p.59..


ESQUERDA CATÓLICA E O COMPROMISSO COM A REVOLUÇÃO MARXISTA

Não só a CNBB, enquanto organismo episcopal, tem atuado em favor de um agro-reformismo radical, mas também bispos individualmente o têm feito. Enquanto a moralidade no Brasil decai de modo vertiginoso, com a dissolução das famílias, aborto, uniões homossexuais, amor livre etc, e a religiosidade da população entra em acentuado declínio, a ponto de muitos, inteiramente aturdidos, procurarem amparo em seitas protestantes, a preocupação primordial dos pronunciamentos episcopais continua a ser com os problemas econômico-sociais, apontando “soluções” de tipo socialista.


Gregório VIVANCO LOPES. Pastoral da Terra e MST incendeiam o País. Coleção Em Defesa do Agronegócio, São Paulo: 2004, p. 36.




quinta-feira, 17 de abril de 2014

NO LIMIAR DA SEMANA SANTA

Hoje estamos no limiar da Semana Santa, preparando nosso olhos para o quadro da vitória do Cristo, que a Igreja nos oferece com sinais moldados nas coisas peregrinas, e que nos deixa entrever, no outro lado do espelho, o país maravilhoso da divina esperança. A obra de Cristo, espécie de usinagem operada sobre a dor e a morte, e por conseguinte sobre o que constitui o máximo espanto do mundo, abre-se agora num estuário de glória... São Bento ensina que a vida do monge deveria ser uma Quaresma contínua. A nossa também. E essa Quaresma deveria ser paixão e a paixão deveria ser morte; e a morte deveria ser Páscoa. A travessia, a transmutação que Deus espera de nós é uma conversão que vá deixando o que menos somos em favor do que verdadeiramente somos por dom de natureza e pelos dons da graça. De claridade em claridade, se formos dóceis, iremos caminhando por atalhos de dores, para o país do amor perfeito que tem bandeira de fogo em mastro de cera.

Gustavo CORÇÃO. Marcos da eternidade.

TRIBALISMO E PASTORAL MISSIONÁRIA

Para um cristão não há nada mais espantoso, horroroso, blasfemo e sacrílego que a profanação da Santa Missa, pelo próprio clero católico, e mais ainda se encabeçado por seus bispos, com a introdução de elementos de culto satânico. As mais autênticas, blasfêmicas e sacrílegas “missas negras” são hoje celebradas não tanto por maníacos depravados, senão pelo clero marxista infiltrado na Igreja, e inclusive publicamente nos templos católicos. Deus seguramente não deixará este crime impune. Por muito que as autoridades eclesiásticas se “esqueçam” das disposições do Direito Canônico a respeito, os culpados não irão escapar da ira de Deus... Em 1928, o VI Congresso da  Internacional Comunista instruiu os partidos comunistas da América Latina a se aproveitarem do tribalismo para a revolução marxista. É doloroso constatar que o que o comunismo internacional não pode realizar trinta anos atrás, servindo-se de seus partidos, consiga plenamente em nossos dias mediante a manipulação com este propósito de uma parte do clero católico.

Padre Miguel PORADOWSKI. El Tribalismo y La Pastoral Misionera, Revista Verbo, maio-junho de 1980, n. 185-186, p.576-577.



Conselho Indigenista Missionário (CIMI)

terça-feira, 15 de abril de 2014

O PROGRESSISMO É UMA DOUTRINA DE MORTE

O progressista está sempre à procura porque não acredita em nada.
Mas essa pesquisa permanente destrói a verdadeira fé, sobretudo se emana de padres e bispos.
Aí está a armadilha. Existirá uma atitude mais desconcertante para um fiel do que ver posto em dúvida aquilo que constituía a própria base da fé? Se a Igreja se enganou durante quase dois mil anos, onde estará a verdade desde o último Concílio?
Dessa maneira, insinua-se a dúvida nas almas e acaba-se por destruir a fé. O progressista é um assassino no sentido mais completo do termo.
Os progressistas não são homens de fé porque não são homens de verdade. Estas palavras de São Paulo lhes dizem respeito diretamente: “Porque eles não abriram seus corações à verdade que os salva é que Deus lhes envia ilusões profundas que os fazem acreditar na mentira.”
O verdadeiro Amor (Deus é a Verdade) condiciona a verdadeira fé e dá a vida (porque Deus se disse também a Vida).
O progressismo é uma doutrina de morte. Os progressistas são liberais porque não acreditam na verdade, e não acreditam porque não a amam.
O Amor, a Fé, a Vida, tudo se encadeia e se mantém. 

HENRI LE CARON. A essência do progressismo. Publicado originalmente no Courrier de Rome nº 169. Tradução de Maria Tereza Ferreira da Costa e Anna Luiza Fleichman. Revista Permanência, ano XII, nº 124/125, 1979.




A INVASÃO DOS BÁRBAROS

“Em nossos dias podemos ver sacerdotes e guardiões do Templo santo se unir à turba dos incendiários da Cidade e dedicar-se de forma desenfreada na demolição do patrimônio sagrado que eles receberam como depósito, como função. E assim os vemos hoje se empenharem na ‘desmistificação’ da fé, na ‘dessacralização’ do culto e outras iniciativas contraditórias, ao mesmo tempo em que definem a religião e a Igreja como ‘um serviço à Humanidade’. A promoção de uma vaga fraternidade humana, da paz, do desenvolvimento econômico, do bem-estar social e da igualdade são os objetivos explícitos de uma religião apenas de nome e de modo vergonhoso. Substituiu-se como paradigma à imagem ideal do monge macilento e ascético a do clérigo ‘eficaz’ e ativo... Mas, se a primazia da ação encerra a Cidade humana em um círculo sem saída em cujo centro sorri o Diabo do Fausto, quando essa mesma primazia é aplicada ao Templo o efeito é ainda maior: se o esvazia de sua própria substancia e realidade. O Templo já não é lugar de contemplação senão de ruído e de subversão, simplesmente porque já não é templo. Assim como a chamada sociedade de consumo e do transporte fácil origina uma atmosfera irrespirável, assim a corrupção do Templo torna impossível a oração pessoal, que é como a respiração da alma. A ruína total e definitiva da antiga Roma se resumiu sempre ‘na entrada dos bárbaros no Capitólio’, quer dizer, no templo supremo da Urbe. Nossa civilização não perece por bárbaros e estrangeiros, senão que produz ou destila de si mesma os seus próprios bárbaros. Em nossos dias se tem produzido a invasão destes bárbaros imanentes no Capitólio ou santuário de nossa Cidade, que é a Igreja Católica. Por isso não se trata de uma destruição exterior, a sangue e fogo, senão de uma autodemolição obstinada, silenciosa”.


Rafael GAMBRA CIUDAD. Sentido cristiano de la accion, Revista Verbo, ns. 119-120, 1973, pp. 961-962.

domingo, 13 de abril de 2014

A SAGRADA TRADIÇÃO

“Ainda que o Vigário de Cristo silenciasse, o Espírito Santo não cessaria jamais de assistir, nem mesmo por um momento a sua Igreja na qual, mesmo em tempos de apostasia da Fé, uma porção embora pequena de pastores e de fiéis continuará sempre a preservar e transmitir a Tradição. Para eles o modelo é a Santíssima virgem Maria, a única que manteve a Fé, no sábado que antecedeu a Ressurreição. O seu coração foi, a partir de então, o escrínio da Tradição da Igreja. Em tempos de crise, a Sagrada Tradição continua a ser a regra infalível da Fé, o critério para discernir o que é católico daquilo que não o é, a luz que ilumina a Igreja, fazendo resplandecer nela os sinais que nunca evanescem e que a fazem inextinguivelmente una, santa, apostólica e romana”.

Roberto de MATTEI. Apologia da Tradição: post-scriptum do livro O Concílio Vaticano II – uma história nunca escrita, São Paulo: Ambientes & Costumes Editora, 2013, p.132.

O VENENO MARXISTA

“Desgraçadamente ainda muita gente não se dá conta até que ponto o marxismo penetrou dentro da Igreja e segue envenenando não somente a própria convivência dos cristãos – opondo uns contra os outros, por introduzir, no interior da comunidade cristã, a luta de classes e injetando o ódio -, senão também pervertendo o pensamento cristão e elaborando uma, cada dia mais extensa e completa, verdadeira antiteologia”.

Padre Miguel PORADOWSKI. La mariologia marxista de Leonardo Boff. Revista Verbo, n. 177, julho-agosto de 1979, p. 863.






RESTAURAR TUDO EM CRISTO (ANTONIO CAPONNETTO)

O PECADO CONTRA A VERDADE

A comunidade ou a nação que peca contra a verdade, que perde a reverência pela verdade e o ódio pela mentira, está perdida. Abandonada pela mão de Deus. E que maior castigo que este... A Verdade não pode impor-se por si mesma pela força. Se não a aceitam, se retira. Temei a Verdade que se retira!

R. P. Leonardo CASTELLANI. San Agustín y Nosotros, p. 111.
 Padre Castellani

O IDIOTA É DONO DO MUNDO

"Já agora, o idiota é dono do mundo. É ele que é necessário, é ele que é procurado. Só ele é capaz de representar, de legislar, de presidir! A experiência está feita. Se há alguma coisa impossível é imaginar um homem, não digo superior, mas apenas dotado de uma inteligência rudimentar, podendo ser considerado digno de fazer leis ou de exercer uma função pública. O cretinismo é rigorosamente exigido."

Léon BLOY. Citado por Octávio de FARIA em: "Léon Bloy". Rio de Janeiro: Gráfica Record, 1968.

A SANTA MISSA

"Se Deus em sua cólera não destruiu o mundo, por causa de suas culpabilidades monstruosas é devido à imolação constante, perene, do sangue do Verbo Encarnado, no sacrifício incruento da Missa”.
Frei Benvindo DESTÉFANI. Ao entardecer, São Paulo: Paulinas, 1954, p. 186.

A TOLERÂNCIA

O único fundamento possível da tolerância encontra-se na necessidade de permitir um mal para impedir outro maior que ele. Esta necessidade é uma exigência absoluta, não relativa ou condicionada, ainda que indubitavelmente se prefira algo que só de um modo relativo (em sentido ontológico, não em acepção gnoseológica) é admissível. O tolerado é sempre um mal (o bom não é tolerado, senão positivamente querido, amado), e um mal é tolerável unicamente na qualidade de mal menor, sendo esta qualidade um valor objetivo, isto é, absoluto ou em si.
Antonio MILLÁN-PUELLES (1921-2005). Etica y realismo, Madrid: Rialp, 1996, pp. 382-383.
 A. MILLÁN-PUELLES

O SACERDOTE DEVE ODIAR O FARISEÍSMO

O sacerdote deve odiar o fariseísmo em todos os seus graus; é o primeiro dever de seu ministério zelar pela pureza da virtude da religião, a primeira entre as virtudes morais; e deve discerni-lo em todos seus desdobramentos com os olhos penetrantes do saber e do ódio. Assim odiou Cristo. Custou-lhe a vida. Jesus Cristo parece ter tomado o fariseísmo como combate de sua vida, como tarefa pessoal de sua poderosa personalidade viva  

R. P. Leonardo CASTELLANI. “Cristo y los fariseos”, p. 163.
Padre Castellani

quarta-feira, 9 de abril de 2014

VIRTUDES TEOLOGAIS E A REVOLUÇÃO: BREVES NOTAS DE UM MÁRTIR

Neste tempo de “homofilia”, de insipidez e de decadência universais, vemos a fé e a esperança vazias de seu conteúdo sobrenatural. A fé em Deus se converteu na “fé no homem” (isto o torna mais “companheiro” e inclusive mais “camarada”); a esperança no céu é trasladada para o “paraíso na terra”. É o enlouquecimento das virtudes cristãs de que falava Chesterton. Assim, a caridade, perdidos os seus apoios (a fé e a esperança), se transforma rapidamente em simples “humanitarismo” que constitui a mais grave falsificação da caridade e, em suma, do cristianismo, uma vez que constitui o seu núcleo. Mas nossos aprendizes de revolucionários, que aprenderam a lição de que nada se destrói senão quando é substituído, apressam-se em fazer brilhar diante de nossos olhos de cristãos ingênuos novas esperanças e novos destinos. E assim o mundo moderno vê desenvolverem-se formas de messianismo temporal, uma diversidade de novos mitos. Razão, Estado, Nação, Proletariado, Soberania popular, Raça, Igualdade, Progresso, Opinião pública, Técnica, Socialização, Descolonização, Pleromização, etc. Os filósofos modernos caíram, uns após os outros, nos pecados contra a esperança que Santo Tomás descreve em sua Summa Teológica: o primeiro é a presunção, o segundo é o desespero.


Carlos Alberto SACHERI (1933-1974. Mártir de Cristo Rei). La virtud teologal de la esperanza. Revista Verbo, Madri, n. 131-132, janeiro-fevereiro (1975), p. 14.
O jovem professor argentino Carlos Alberto SACHERI com sua família.


Seu testemunho cristão imaculado, como esposo e pai de família, amigo, investigador, docente e promotor de inumeráveis iniciativas de restauração cívico-social de inspiração cristã, o marcou como alvo predileto das forças anti-cristãs e em pleno auge da violência terrorista de orientação marxista, em 22 de dezembro de 1974, após assistir a Santa Missa como o fazia diariamente, foi assassinado iníqua e covardemente pelo ERP (Exército Revolucionário do Povo), na presença de sua esposa e de seus sete filhos, o maior de 14 anos e a menor de apenas 2 anos de idade. Tinha 41 anos.

terça-feira, 8 de abril de 2014

A MORALIDADE DA AÇÃO REVOLUCIONÁRIA ACIMA DO BEM E DO MAL

A moralidade da ação revolucionária situa-se além do bem e do mal. O bem é a Revolução: e o mal é tudo o que se opõem a ela. O imperativo moral está totalmente incorporado à ação política posta ao seu serviço. O que justifica a violência numero 2 (a da ação revolucionária)? É a violência numero 1 (a ordem vigente): não as faltas pessoais, senão uma espécie de crime social difuso. De que crimes eram culpados os reféns da guerrilha, seja o embaixador ou o soldado? Há que referir-se à nova moral: a do pecado coletivo, que não é produto de pessoas senão das estruturas. O “mal das estruturas” é o nome do pecado original para teólogos como González Ruiz. Todo mundo é cúmplice desse mal, mas em primeiro lugar os que, por sua posição, defendem a ordem estabelecida. Se o pecado é fundamentalmente o mal das estruturas, a questão está em saber quem é cúmplice das estruturas. A moralidade da guerrilha vem a ser a de uma guerra justa: o guerrilheiro tem direito de colocar fora de combate todo indivíduo que seja cúmplice da ordem estabelecida.

Rev. Padre Philippe ANDRÉ-VINCENT, O.P. A violência e o mito no fenômeno revolucionário. Publicado originalmente em “Permaneces” (n. 107), França, fevereiro de 1974. Posteriormente foi publicado sob o título "Revolução e Direito" pela coleção “Philosophie du Droit”, então dirigida pelo conhecido professor Michel Villey.

BASTA DE CONFUSÕES!

O Cardeal Jorge Bergoglio, disse: “encarregar-se da utopia implica em saber para onde ir... para onde estou me dirigindo, não estar à deriva. Reivindicar a utopia adquire mais vigência nos tempos de obscuridade... Quando não há utopia ou a utopia encontra-se adormecida ou anestesiada, vive-se na conjuntura e não se sai dela”. Ela é um “caminho para o fim” e quando não existe “acomodo-me na conjuntura e volto-me sobre mim mesmo”. “Para que uma pastoral social, para que uma pastoral política funcione, hoje é necessário, dadas as situações de crises que vivemos, recuperar a utopia. A história nos ensina que este tipo de enfoque é o que encaminha para o amadurecimento de um povo... É criminoso privar um povo da utopia ou, dito de forma cristã, é criminoso privá-lo da esperança. Simplesmente é aprisioná-lo”. (Séptima Jornada Pastoral de Buenos Aires).

Lamentamos discrepar com nosso Pastor. Haveria que distinguir em primeiro lugar a utopia do ideal histórico concreto possível. A primeira fanatiza, o segundo desperta, amadurece e liberta. E em segundo lugar não se pode confundir a utopia com a virtude teologal da esperança, porque seria identificar o paraíso terrestre com a Pátria celestial, termo de nossa peregrinação aqui, no tempo... Basta de confusões!

Bernardino MONTEJANO. El mesianismo en los utopismos históricos. 

O MARXISMO SE APODERA DA RELIGIÃO

Embora o marxismo já tivesse grande influencia na teologia cristã protestante desde antes da primeira guerra mundial, esta influencia não teve maiores repercussões no pensar teológico em geral. Apenas depois do Concilio Vaticano II que esta “teologia dialética” de um grupo de teólogos protestantes começa a influir também sobre os teólogos católicos, criando uma corrente muito forte e muito perigosa de “teologia marxista”, que constitui a base doutrinal para a educação e a formação do novo clero da Igreja Católica; um clero completamente incorporado à revolução marxista e comprometido com seu êxito...Nós, os que cremos em Deus, somos testemunhas de algo inaudito; o marxismo, que é por definição ateu e materialista, se apodera da religião, instrumentaliza as igrejas para servir-se delas com o fim de alcançar o triunfo da revolução marxista, quer dizer, da destruição da religião e da crença em Deus. 

Miguel PORADOWSKI. El marxismo se apodera de la religion. Comunicação apresentada ao Congresso Mundial Anticomunista, Taiwan-Formosa, 1975. Revista Verbo, n. 133-134, mar-abril de 1975, pp. 521-522.

Dilma Vana (hoje presidente, outrora guerrilheira) e Evaristo Arns

Tomás Balduíno e membros do MST

segunda-feira, 7 de abril de 2014

"ELES" COMEÇAM PELAS CRIANÇAS...

A lepra inundou os costumes, envenenou os espetáculos públicos, ganhou as instituições oficiais, e conquistou lugar de honra nos institutos católicos. Sob o eufemismo de educação sexual o que se faz é erotização precoce e infinitamente perversa. Degradam-se as mulheres, maculam-se as consciências infantis, e com essas duas pontas de lança da ofensiva dos infernos, não se vê como será possível a reconquista da dignidade do Homem. Será sempre possível, com a graça de Deus, mas tememos muito que somente através de sofrimentos inconcebíveis poderá a humanidade lavar-se em um novo dilúvio. O ponto a que chegamos é sinistro: eles começam pelas crianças. Os novos pedagogos que nas Américas e na Europa querem libertar o sexo do universo moral, começam pela dessensibilização dos inocentes. Esse horror tem valia apologética, por tornar menos repulsiva a ideia de Inferno. Por aí, por um primeiro temor, por uma leve e inicial desconfiança talvez comece a onda de repressão. E nós podemos meditar nestas palavras que não passarão com as modas: “O que escandalizar porém a um destes que crê em Mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço a pedra da mó e que lançassem no fundo do mar”. (Mateus, XVIII, 6).

Gustavo CORÇÃO. Depravação do corpo: "eles" começam pelas crianças. Editorial Permanência, n°18, Ano III, Março de 1970.

A CIDADE TOTALITÁRIA

A Cidade totalitária que se elabora ao redor de nós oferece-nos, efetivamente, um duplo espetáculo: de um lado, uma tendência ao nivelamento geral, que apaga as verdadeiras diferenças entre os homens e consequentemente a complexidade natural; e, de outro, uma complicação cada vez maior na administração da Cidade e nas condições de existência de seus habitantes. Todos os homens estão em vias de se reunir como carneiros de um mesmo rebanho e nada é mais inextricavelmente emaranhado do que as leis e os regulamentos que regem suas relações. Tecnocracia, burocracia, papelada - isso não tem nada a ver com a relação orgânica complexidade-unidade. E isso se parece muito pouco com aquele processo de "amorisação" (impregnação de amor) de que fala Teilhard Chardin.

O coletivismo não reúne os homens senão para melhor os isolar. Ele os separa uns dos outros, na medida em que os amontoa uns sobre os outros. Assim, os grãos de areia no deserto formam uma imensa massa homogênea, mas os elementos que constituem essa massa não tem entre eles nenhum vínculo interno: é a própria imagem da Cidade Totalitária em que a solidão aumenta em função da promiscuidade.

A maqueta da Cidade Futura, nós a temos já nos grandes conjuntos anônimos que crescem como cogumelos ao redor de nossas cidades e dos quais transpira, para fora como para dentro, a lepra da uniformidade e do tédio; nos rebanhos humanos em que o "condutor" substitui o pastor; nesse desenraizamento geral que solta os indivíduos, como folhas mortas, ao vento da moda e da opinião; nessa fabricação em cadeia de consciências teleguiadas que são cevadas de abstrações e de quimeras ao invés de serem nutridas de realidades.
Falam-nos de bom grado da "dimensão planetária" da humanidade de hoje. Mas quem não vê que onde essa nova dimensão (que, aliás, não é nova: todos os santos conheceram essa paixão da humanidade) não tem por fundamento e por caução um apego vivido ao próximo imediato e uma experiência de responsabilidade pessoal, ela não pode ser senão ilusão e engano? É muito bonito ser cidadão do mundo, mas é preciso começar por não ser apátrida. Saint-Exupéry refere-se a este diálogo entre um homem apegado à sua terra e um desenraizado: "Você está partindo? - Sim. - Para onde? - Para Melbourne. - Como você estará longe! - Longe de onde?". Com efeito, não há distâncias para o desenraizado. Ele não está longe de nada. Mas, em contrapartida, ele não está ligado a nada: a palavra próximo não tem o menor sentido para ele.
Nessa ordem, o uso imoderado das facilidades de comunicação - quer se trate de deslocamento no espaço ou de informação - arrisca comprometer nossa capacidade de comunhão. O próximo se distância à medida que o longínquo se aproxima. E ainda não se aproxima senão em aparência: por palavras e por imagens. O que pensar, por exemplo, desse cidadão inconsciente e organizado (mecanizado caberia melhor) que se apaixona pela guerra do Vietnã e ignora os problemas e talvez mesmo a existência de seu vizinho de andar. Que ignora até o seu próprio problema, pois não se dá conta de que não entende nada das questões acerca das quais é pedido que tome partido. E esse homem, arrancado de seu próximo e de si mesmo, vive em sonho a duas mil léguas.
Diante dessa ameaça - já em parte realizada - do formigueiro futuro, Teilhard afirma com um otimismo intrépido: "não há formigueiro se as formigas aprendem a se amar". Mas como poderiam elas aprender a se amar se a própria construção do formigueiro implica na eliminação das condições de amor, na erosão do terreno social de que ele precisa germinar? É aqui que se aplica a fundo a parábola da semente e do solo: o grão divino aborta sobre um solo humano muito empobrecido.
Victor Hugo, num clarão de lucidez profética, coloca estas palavras na boca de não sei que Demos informe, construtor da Cidade coletivista e igualitária: "eu sou tudo, o inimigo misterioso de Tudo". O número, túmulo da unidade: é aí, com efeito, que desemboca a miragem coletivista. Uma cidade em que une seus habitantes enquanto cifras e não enquanto pessoas. Que faz a soma e não a síntese. E que, em última análise, se edifica sobre as ruínas do homem real. Um organismo - se isso se pode dizer! - em que a prótese substituiu os membros: no limite, os ídolos absorvendo seus adoradores – uma sociedade sem homens.

Gustave THIBON. Coletivismo contra o social. Revista Hora Presente, São Paulo, set-outubro de 1968, n. 1, p. 127-128.