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sexta-feira, 4 de abril de 2014

TODO HOMEM MODERNO É UM MISERÁVEL JORNAL

 “Todo homem moderno é um miserável jornal. E não só isso, um miserável jornal de um dia. De um só dia. Mas é como um jornal velho de um dia no qual, sobre o mesmo papel, todas as manhãs fosse impresso o jornal de cada dia...
O jornal, a maior invenção desde a criação do mundo e com toda a certeza desde a criação da alma. O jornal, segunda criação. Espiritual. Ou melhor, princípio, ponto de origem da descriação. Espiritual”.

Charles PÉGUY (1873-1914). Note conjointe sur M. Descartes et la philosophie cartésienne, Gallimard 1935.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

A IMPRENSA IRRESPONSÁVEL

A liberdade não se desviou subitamente para o mal. A evolução foi se fazendo progressivamente. Segundo parece, o ponto de partida foi a benévola concepção humanista segundo a qual o homem, senhor do mundo, não leva em si gérmen algum de maldade, e tudo o que de viciado aparece em nossa existência é simplesmente fruto de sistemas sociais errôneos que devem ser corrigidos. Olhai, há algo que é deveras estranho: o Ocidente, aonde as condições sociais são melhores, tem uma criminalidade indiscutivelmente elevada e nitidamente mais forte que a sociedade soviética, com toda sua miséria e sua ausência de leis...

A imprensa (emprego a palavra “imprensa” para designar todos os meios massivos de comunicação) goza, naturalmente, também ela, da maior liberdade. Mas como usa esta liberdade? Já o sabemos: guardando-se bem de transgredir os marcos jurídicos, mas sem nenhuma verdadeira responsabilidade moral, se falsifica os fatos e deforma as proporções. Por acaso o jornalista e seu jornal são verdadeiramente responsáveis diante de seus leitores ou diante da história? Quando, por exemplo, ao publicar uma informação falsa ou ao tirar conclusões errôneas, enganaram a opinião pública ou fizeram que o próprio Estado desse um passo em falso, por acaso os vimos reconhecer publicamente sua culpa? Não, evidentemente, porque isso iria contra a venda… Você pode apostar que agora, com renova altivez, escreverá o contrário do que afirmou antes.

A necessidade de dar uma informação imediata com firmeza obriga a preencher os espaços em branco com conjecturas, a fazer eco de rumores e suposições que logo não serão desmentidos e permanecerão, portanto, na memória dos leitores. Todos os dias, quantos juízos apressados, temerários, presunçosos e falazes, que obscurecem o cérebro dos ouvintes, e ali se fixam! A imprensa tem o poder de falsificar a opinião publica, e também de pervertê-la. Vemos assim como coroa aos terroristas com os audazes lauréis de Eróstrato, como revela assuntos secretos ainda quando pertencentes à defesa nacional, como viola impudicamente a vida privada das celebridades ao grito de: “Todo o mundo tem direito a saber tudo”. Este é um slogan mentiroso para um século de mentira. Porque acima deste direito há outro, hoje perdido: o direito que o homem tem a não saber, o direito a que não encham sua alma criada por Deus com fofocas, falatórios e futilidades. Aquele que verdadeiramente trabalha e cuja vida está bem ocupada, não precisa para nada desta onda superabundante de informações embrutecedoras.

A imprensa é o lugar privilegiado aonde se manifesta esta precipitação e esta superficialidade que são a enfermidade do século XX. Foi proibida de ir ao coração dos problemas; não está ai para isso, senão para oferecer formulas sensacionalistas.

E, com tudo isso, a imprensa se converteu na força mais poderosa dos Estados ocidentais, mais poderosa que os poderes executivo, legislativo e judiciário. Vejamos: em virtude de que lei foi escolhida e a quem presta conta de sua atividade? No Leste comunista, um jornalista é abertamente nomeado pelo Estado, como todo funcionário. Mas, que eleitores decidiram que os jornalistas ocidentais tenham uma posição tão preponderante? Por quanto tempo a ocupam e quais são seus poderes?

Acrescentemos por fim uma peculiaridade inesperada para um homem que vem do Leste totalitário, aonde a imprensa está estritamente unificada: se se toma em conjunto a imprensa ocidental, observamos como também nela as simpatias se dirigem em bloco para o mesmo lado (para onde sopra o vento do século), juízos afirmados dentro de certos limites aceitos por todos, talvez também interesses corporativos comuns. Tudo isto tem por resultado não a competência senão certa unificação. A liberdade sem freios é para a própria imprensa, não para os leitores: uma opinião só será apresentada com certo relevo e ressonância se não está em demasiada contradição com as ideias próprias do jornal e com essa tendência geral da imprensa.

O Ocidente, que não possui censura, opera, contudo, uma seleção minuciosa separando as ideias que estão em voga daquelas que não estão, e se é certo que estas últimas não padeçam de qualquer ilegalidade ou proibição, não podem expressar-se verdadeiramente nem na imprensa periódica, nem nos livros, nem no ensino universitário. O espírito de vossos investigadores é muito livre, juridicamente falando, mas está totalmente cercado pela moda. Sem que haja, como no Leste, violência aberta, está seleção feita pela moda, esta necessidade de conformar tudo à modelos standard impede que os pensadores mais originais aportem sua contribuição à vida pública e provoca a aparição de um perigoso espírito gregário que obstaculiza o verdadeiro progresso. Desde que estou nos Estados Unidos, recebi cartas de pessoas notavelmente inteligentes, como a que mandou o professor de um “college” perdido no fundo de uma província, cujas ideias poderiam ajudar muito a rejuvenescer e salvar seu país, mas que os Estados Unidos não podem ouvir porque os meios de comunicação se negam a interessar-se por ele. Assim é que os preconceitos vão se enraizando na multidão, assim é como um país vai ficando cego, enfermidade tão perigosa em nosso dinâmico século.

Olhai a ilusão que tem tanta gente que imagina compreender a atual situação do mundo. Essa ilusão forma ao redor de suas cabeças uma couraça tão dura que nenhuma das vozes que chegam dos dezessete países do Leste europeu e da Ásia Oriental consegue atravessá-lo, na espera de que o inevitável porrete dos acontecimentos o faça voar em pedaços.

Alexander SOLJENITSIN. El suicidio de Occidente, Ediciones Mikael, 1983.

A IMPRENSA "GORDA" E A INVASÃO DOS SOFISTAS

A Imprensa. Quando o filho do povo sai do ensino primário-Gratuíto-Laico-Obrigatório, terminou sua instrução? Recém irá começar. A escolinha lhe deu apenas o órgão da instrução intelectual: saber ler e escrever. Todas as demais idiotices com que nossos grandes pedagogos se afanam em empanturrar-lhes terminaram logo após a criança operária ou colona ter ultrapassado o suporte escolar; porque não assimilaram tais bobagens de forma biológica, senão que tragaram de forma livresca. E eu sei por experiência, eu sou um filho da Laica! – gritou meu tio exaltando-se bruscamente como se alguém o contradissesse...

Pois bem, quem se encarrega dessa informação - e fique constado que não falo da educação total senão apenas da intelectual – que começa ao sair o argentino-povo do primário? A Imprensa, sem sombra de dúvida, incluindo dentro desse termo também as revistas, as novelas, os espetáculos, as diversões, e popularíssima delas, o Cinema. Se a verdadeira Universidade de hoje é a biblioteca e a Natura, a verdadeira Escola de hoje é o diário e o espetáculo: e diários e espetáculos estão hoje “industrializados”, entregues ao mercado e subjugados à lei do lucro. Diga-me que te diverte e te direi quem te domina; outrora aos argentinos divertia Cervantes, agora nos diverte do Cine Ianque. Eu não quero te falar dos pasquins, que são outro dos “Crimes nacionais”, mas da “imprensa séria”! A nossa imprensa séria (chamada comumente “grande” quando só é “gorda”) apesar da boa vontade de alguma dela, não educa ao país; o deseduca, o entorpece, o esvazia, o faz pensar no que não tem importância, perder o senso comum que lhe resta....

Tampouco isto tem conserto fora do domínio político; pois sua origem está no Mito político novecentista da LIBERDADE de IMPRENSA. A liberdade de Imprensa, corrupção de uma santa verdade que poderia ser chamada “primazia do pensamento”, é na prática hodierna simplesmente a “licença ao sofista”, a liberdade do forte (intelectualmente) aproveitar-se do débil, a licença para o adulto bater na criança. Escravidão do pensar.
  
R.P Leonardo CASTELLANI. “Primero Política”, em Las ideas de mi tío el Cura, pp. 137-138.

JORNALISMO CORRUPTOR

“Creio, leitor, que se Satanás houvesse de encarnar-se em algo digno de sua perversidade e de seu ódio à Deus e ao gênero humano, se encarnaria no mal periódico. Recorrendo com a imaginação a imensidão de maldade que sobre a face da terra vomitou o inferno desde o pecado de Adão até as blasfêmias de hoje em dia, nada encontro tão diabolicamente corruptor como um jornal ímpio”.

R.P Félix SARDÁ y SALVANY. “Los malos periódicos”, artigos publicados em “Propaganda católica”.

IMPRENSA MENTIROSA E TRAPACEIRA

O que temos aqui não é imprensa livre, senão imprensa mentirosa, estrangeirizante e trapaceira... Estou inteiramente certo de que enquanto tivermos a imprensa que temos, este país não é governável.
R. P. Leonardo CASTELLANI. “La ficha escolar”, em "Cristo ¿vuelve o no vuelve?"

AI DA IMPRENSA

“Ai, ai, ai da imprensa! Se Cristo voltasse ao mundo, Ele – tão certo como eu estou vivo – não teria como adversários os Sumo Sacerdotes, senão os jornalistas”.

Sören KIERKEGAARD. Diario, Tomo X, p. 258.


domingo, 23 de março de 2014

JORNALISMO PROSTITUÍDO

“O jornalismo atual surge necessariamente do fato da massificação do povo; e digam o que quiserem sobre o ‘jornalismo católico’, tal como está agora o jornalismo é imoral. Kirk disse: ‘Se eu tivesse um filho e uma filha e os perdesse, ela se fizesse prostituta e ele jornalista, eu receberia ela em minha casa se se arrependesse, mas não a meu filho. Cinco anos de jornalismo arruínam a mente irremediavelmente...’ (menos mal que eu fiz apenas quatro). Quem não acredita este fato o fará perceber: um grande diário é um grande negócio; portanto, torna ‘negociável’ o que é por natureza NÃO-NEGOCIÁVEL; quer dizer, é uma prostituição”.      

“Nenhum homem é desprezível quando ordenado, quer dizer, em contato com o que é superior a ele e sob sua influência. Ser discípulo não é nenhuma desonra enquanto está sujeito ao mestre; o mal é quando o discípulo se crê ou quer se fazer o mestre; e pior quando não é nem sequer discípulo e ensina: como, por exemplo, o jornalista”.


Padre Leonardo CASTELLANI. De Kirkegord a Tomás de Aquino. Introducción a la Filosofía, Editorial Guadalupe, 1973.