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terça-feira, 1 de abril de 2014

LIBERDADE E RESPONSABILIDADE

Uma relação entre os conceitos de Liberdade e Responsabilidade parece inegável, seja qual for a posição ideológica de seu enfoque. Somente o niilismo da chamada “postmodernidade” poderia postular uma liberdade sem responsabilidade, por negar a constância da identidade pessoal, supondo que a pessoa se “realiza” em um continuo “escolher” pontual, sem regra nem fim; poderia parecer congruente este “realizar-se” sem sentido com a despersonalização desumana que convertesse o homem em uma “coisa” (res), “coisificando-lhe” tal como uma máquina; mas não é assim, pois as “coisas” são precisamente as que carecem de toda liberdade, e regem-se, seja por um tropismo natural ou técnico, seja pela manipulação mais ou menos arbitraria que delas podem fazer os homens. Em troca, se não renunciarmos a distinguir os homens das coisas, será inevitável que o homem tenha que dar razão de sua própria conduta, e nisto consiste a responsabilidade. Sendo o homem um ser racional e necessariamente social, e, por isso, “pessoal”, sua existência social mesma lhe impõe esta necessidade de “dar razão” de sua conduta pessoal às outras pessoas com as quais se relaciona. É precisamente esta relação com seus semelhantes que faz com que o homem seja “pessoa”.

Álvaro D’ORS. Responsabilidad y Libertad.   

quarta-feira, 26 de março de 2014

O HOMEM É CAPAZ DE CONHECER AS VERDADES MORAIS E JURÍDICAS

“Se o homem fosse radicalmente incapaz de conhecer as verdades morais e jurídicas, para que perderíamos nosso tempo explicando isso que chamamos dever, direito, virtude, sacrifício, fim, autoridade etc.?”
José CORTS GRAU (1905-1995). Filosofia del Derecho, Madrid: ed. Nacional, 1948, p. 22-23.



segunda-feira, 24 de março de 2014

A IMPUNIDADE LEVA À BARBÁRIE

O amor aos inimigos não exclui a luta contra a injustiça que está neles; antes, às vezes, a impõe... A injustiça é o dissolvente mais tenaz que existe. Uma injustiça não reparada é algo imortal. Provoca naturalmente no homem o desejo de vingança, para restabelecer o equilíbrio quebrado; ou mesmo a propensão de responder com outra injustiça... É, pois, exatamente, um veneno moral.


Padre LEONARDO CASTELLANI. Los papeles de Benjamín Benavides. Bs. As., Dictio, 1978.

HOJE, O ADOLESCENTE LEVA UMA SENSAÇÃO DE ONIPOTÊNCIA

Eis o que eu queria dizer: - a origem do Poder Jovem está numa bofetada consentida, de filha em mãe, ou de filho em pai. Hoje, o adolescente leva uma sensação de onipotência. O homem maduro tem, por vezes, um olhar estrábico de pavor. Sim, o homem maduro traz o medo no coração...
 Mas eis o que eu queria repetir: - o jovem não tem culpa nenhuma. Vítima de um processo de desumanização, ele é vítima também dos velhos. Numa das minhas confissões, referi um episódio que considero magistral. A coisa se passou com o padre Ávila. Certo rapaz, se não me engano aluno da PUC, cometeu uma vileza atroz com um amigo. O padre Ávila (espírito altamente compreensivo) foi interpelá-lo. Perguntou-lhe: ‘Você acha isso uma deslealdade?’ O adolescente pergunta: ‘É preciso ser leal?’ O bom sacerdote perdeu noites sem saber direito o que aquilo significava. E nem lhe ocorreu que, por trás do moço, explicando esse e outras lealdades, estava um velho conhecido nosso – o pulha. Ora, o ser humano não anda de quatro, nem está no bosque urrando à lua. E por quê? Resposta: - porque somos responsáveis. É a responsabilidade o nosso mistério e a nossa salvação. Os velhos começaram por suprimir os limites morais da juventude. O nosso Padre Ávila apreciou a canalhice do aluno ou conhecido, sei lá, com um espanto muito leve, quase imperceptível... Portanto, são os velhos, sacerdotes, psicólogos, professores, artistas, sociólogos que dão cobertura à imaturidade. Os jovens são o certo, o direito, o histórico, o infalível.


Nelson RODRIGUES. A cabra vadia, Rio de Janeiro: Eldorado, pp. 298-299.

domingo, 23 de março de 2014

AMOR E RESPONSABILIDADE

“A etimologia da palavra responsabilidade proporcionada pelo excelente dicionário de Littré é suficientemente esclarecedora. Responsabilidade deriva de 'res' e de 'sponsus': esposo, noivo. Ser responsável por alguma coisa é estar unido a esta coisa por laços análogos aos que unem o esposo e a esposa. O que leva imediatamente consigo a ideia de escolha, de promessa, de fidelidade, em uma palavra, amor. Além de toda obrigação de tipo moral e jurídica o homem se sente responsável espontaneamente por aquilo que ama.”


Gustave THIBON. El equilibrio y la armonía, Barcelona: Belacqua, 2005.