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sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A NOVA MORAL CONJUGAL E A CORRUPÇÃO DA FAMÍLIA

Não foge à observação geral o movimento organizado e a sistemática ação com que as forças tenebrosas se empenham na subversão da ordem em todas as nações, com o fim de destruir a civilização cristã.
O plano foi projetado com superior habilidade: alvo primeiro e preferido é a família, célula que é do organismo social, condição e garantia do seu bem-estar e prosperidade.
Podemos acompanhar as etapas da campanha: afrouxamento do vínculo conjugal pela emancipação da mulher; perversão, por múltiplos métodos de contracepção, de sua missão de propagar a vida humana; destruição, pelo aborto oficializado, dessa vida já iniciada; extermínio, lento mas radical, da própria família pelo divórcio, pelo amor livre, pela homossexualidade.
Aceleram este movimento de desagregação as grandes revistas de consórcios internacionais; os teatros, cinemas e televisões teleguiados por forças secretas; os Institutos, especializados em contracepção, o poderoso BEMFAM...
O mais consternador é publicações católicas e mesmo sacerdotes cooperam para a penetração dos princípios corruptores nas famílias.
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Paulo BANNWARTH S.J.. A propósito da “nova” moral conjugal, In. Hora Presente n. 13, Ano IV, Novembro/1072, p. 208.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O HOMEM NÃO EXISTE PARA SI MESMO

“É verdade que os homens, criaturas racionais e livres, governam e ordenam a si mesmos para lograr o Bem Comum, sob a direção de uma autoridade legítima; mas é erro grave sustentar que existem para si mesmos posto que embora tenham razão de causa e de fim, não são causa primeira nem fim último. O homem, cada homem, é pessoa uma vez que subsiste em si e por si como sujeito único e exclusivo de sua existência, de seus atos, de seus acidentes. A distinção último de sua natureza é a alma imaterial e imortal, feita à imagem e semelhança de Deus, unida substancialmente a um corpo com o qual subsistem como alguém, como uma pessoa singular com vocação e destino eternos. A causa primeira e o fim último de cada pessoa humana é Deus; quer dizer que vem de Deus e vai para Deus que é sua meta definida e definitiva. Isso nos permite compreender que quando o homem se divide/afasta de Deus pelo pecado original e os cometidos doravante, corrompe seu próprio ser, distorce sua natureza desarraigada do princípio e do fim, torna-se desumano para com os demais homens e para consigo mesmo. Dividido/afastado de Deus se divide do próximo e de si mesmo, precipitando-se na dialética da contradição infinita”.


Jórdan Bruno GENTA (1909-1974). Opción política del Cristiano: soberanía de Cristo o soberanía popular, Buenos Aires: Ediciones REX, 1997, P. 19.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

AS ORIGENS DA CONTESTAÇÃO TOTAL

Alfredo Lage

NADA É IMUTÁVEL; NADA É PERMANENTE

Mas que são os intelectuais de esquerda? Os membros de uma nova clerezia, a clerezia da nova Igreja, ou melhor, anti Igreja dos Iluminados (o clericalismo que suprime Deus mas conserva o padre, como observa Jules Monnerot), em suma, os devotos do irreal, os entusiastas do não-Ser. Ao contrário de Deus plenitude de ser para o fiel, o Absoluto tal como o concebe o pensamento de esquerda, observa Molnar, "nunca está completo pois é imanente à história que o engendra à medida que avança".
"A plenitude é esperada a qualquer momento ou dentro de um bilhão de anos", de qualquer sorte, o concreto é o inaceitável por definição. Toda materialidade é sinônimo de imperfeição. O presente é que conduz ao Real através de sua própria negação. No que existe aqui e agora, e em tudo que possui a concretude da existência, temos a matéria sempre renovada da contestação.
A única atitude construtiva consiste em recusá-lo em nome de um possível, objeto não de visão, mas de fé. "O espírito crítico da esquerda – a falar propriamente – não é pois um espírito crítico, mas um espírito de negação da realidade concreta" (La Gauche..., p.27). E o próprio Maritain escreveu na Lettre sux l´Indépendance que "o puro homem de esquerda detesta ser, preferindo sempre e por hipótese (...) ao que é o que não é" (cit. no Paysan de la Garonne, p. 39). O que não é – ou melhor; não é ainda – (vemos agora) é o Recomeço absoluto ou (como diz Hegel) o Resultado da História de antemão conhecido, o qual consiste na plenitude final por fusão no Todo.
Daqui para o horror do permanente, do que, aqui e agora, dura ou perdura, sendo dotado de natureza, que é o princípio de permanência; daqui – o repúdio das normas que são fixas porque derivam dessa natureza. Para o homem de esquerda, as normas morais (como o mesmo homem) são relativas ao tempo. A ética pertence ao domínio do provisório (onde o Ser não é ainda e tudo está "em questão" e todas as questões permanecem abertas). Tudo muda e a própria verdade deve resultar de uma negação. Nesse diálogo universal, que é a evolução sujeita à dialética, ou o processo mesmo da Humanidade divina, o atual está sempre sob acusação (pois tudo o que pretende ser, neste baixo mundo, ou nesta etapa condenada da História, é culpado de não querer durar). Na medida em que pretendem firmar-se na existência, os termos presentes de qualquer situação social ou de qualquer instituição, devem ser contestados. (O Conceito – como diz Fichte – transforma a vida imediata num ser fixo e morto).
A Igreja com as suas instituições e códigos, cúrias e dicastérios,  seu corpo imutável de dogmas e seu sistema disciplinar, a Igreja com organizações de base presas à terra (dioceses, paróquias, lugares consagrados, o Vaticano e suas secretarias e representantes no exterior, e tratados firmados com autoridades temporais etc). Essas mesmas autoridades civis, o Estado, com seu sistema jurídico, sua ação estabilizadora das relações civis e coordenadora dos vários grupos sociais (grupos de caráter local, profissional, etc); o Estado – repito – com seus instrumentos de coação e a precisa medida em que aspire à continuidade e pretenda ancorar-se aqui e agora, criando raízes neste mundo do provisório, é mau. Mau é tudo o que especifica, separa e diferencia, tudo o que, de modo constante, introduz diversidades, categorias, ordens, divisões, qualificações, fronteiras (por divisões, separações, oposições, multiplicidades são a marca do degrado ou alienado que se opõe no Uno). A família, unidade básica da sociedade civil e fator n° 1 de estabilidade social, a família, dotada de estrutura imutável e de uma hierarquia fundada na natureza é especialmente má. Pretendendo o homem à terra, merece tornar-se o alvo principal de todas as detestações. Não há atitude mais "construtiva" para a esquerda do que atacar, desmoralizar, enfraquecer e solapar por todos os meios a família. "Familles, je vous hais".


Alfredo LAGE. "As origens da contestação total", Revista Hora Presente, Ano III – Agosto/1971, n° 10,  p. 188/189.

JUVENTUDE REBELDE

Professor Adib Casseb

25 anos de magistério, dos quais 20 no ensino superior, conferem a ADIB CASSEB especial autoridade para falar sobre a juventude. Sobretudo porque ele não é apenas o professor preocupado em transmitir conhecimentos técnicos a seus alunos, mas também o educador, na correta acepção do termo. Lecionando Economia Política e Direito Comercial, na Faculdade Paulista de Direito e na Faculdade de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, bem como na Faculdade de Direito da Universidade Católica de Campinas, não dissocia dessas funções a do apostolado entre a juventude.

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A obra dos adultos

É certo que há uma minoria de infelizes jovens, totalmente desorientados, dominados por uma profunda inquietação, e que vão aos poucos se destruindo por uma mórbida angústia, que os conduz a explosivas revoltas contra tudo e contra todos.
Desde logo, o comportamento desses pobres moços revela sintomas graves de que realmente se trata de um fenômeno de patologia psico-social, a exigir a atenção de sociólogos, psicólogos, educadores e sacerdotes.
São esses moços, em grande parte, vítimas de um desajustamento que é determinado, de um lado, pela omissão consciente ou inconsciente dos pais, e, de outro lado, pelo vendaval de desatinos que atinge os mais variados setores da vida social, desorientando orientadores, mestres e diretores espirituais.
Basta lembrar como, até pouco tempo, o jovem formava a sua personalidade. A educação tinha início no lar, geralmente bem constituído e solidamente estruturado. Era a família o habitat ideal, em que a criança recebia os primeiros ensinamentos, baseados nos princípios cristãos de seus pais.
Continuava a criança completamente sob a influência dos pais até atingir a idade escolar, quando escapava um pouco da orientação paterna. Mas nisso ainda não havia graves inconvenientes, eis que a escola conservava aqueles mesmos princípios que o adolescente recebera em casa. Era costume dizer-se que a escola era um prolongamento do lar, completando com ensinamentos sadios a formação do jovem. A escolha do educandário nunca era difícil. Quantas vezes, consultados por pais acerca de qual o colégio que deveriam escolher, sem vacilar indicávamos: ser for menino, colégio de padres; e se for menina, colégio de freiras.
Hoje, poderíamos, em sã consciência, faze-lo com a mesma decisão e tranqüilidade?
Além disso, o jovem, paralelamente com os ensinamentos que lhe eram ministrados na escola, encontrava na Igreja a mesma fé dos seus maiores e ouvia as mesmas orações que aprendera no regaço materno, ao som daquelas mesmas músicas, que para Santo Agostinho, canta-las era rezar duas vezes.
Tudo se mantinha fiel a si mesmo. O pecado era pecado, o céu era céu e o inferno era inferno. O sacerdote, o homem austero e simples, que se habituara a respeitar e a amar; em cujo confessionário penitente muitas vezes se ajoelhava; e de cujas mãos santas recebia, sem qualquer sombra de dúvida, Cristo Vivo na Eucaristia.
A Igreja contemplava, assim, a personalidade do jovem.
E o que ocorre neste mundo de hoje?
A começar do lar... Não há necessidade de a criança atingir a idade escolar, para escapar da orientação paterna e receber as más influencias de fora para dentro. Desde a mais tenra idade, a criança recebe através da televisão, dentro do próprio lar o impacto de programas desprimorosos, que vão corroendo paulatinamente toda a sua escala de valores morais.
E fora de casa a desorientação é total. O que ocorre nos colégios, nas ruas, nos cinemas e até na igreja é tão notório que aqui nos permitimos poupar a amargura de repeti-lo.
Trabalhados por tantas forças de desagregação de seu caráter, como estranhar que jovens infelizes se transformem em revoltados contra tudo e contra todos, dispostos a levar ao paroxismo as mensagens de subversão no plano dos costumes, da política, da arte e da religião?
A principal culpa por esses fatos cabe àqueles aos quais incumbe orientar, educar, formar a personalidade dos jovens. Por isso, para acabar com toda a desorientação reinante, é preciso que os responsáveis tenham a coragem de reconhecer e eliminar as suas principais causas: nos lares, que os pais deem testemunho de seu próprio exemplo e reconquistem a sua posição de hierarquia subvertida; nas escolas, que se restaurem os valores banidos; e, na Igreja, que se restabeleça o princípio de autoridade.

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*In HORA PRESENTE, Ano I, Setembro/Outubro de 1968, N 01, p.165/166.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

AUTÓPSIA DA REVOLUÇÃO

 Segue abaixo excerto de um artigo originalmente publicado na antiga revista católica francesa "Permanences" (413-414, “Autopsie de la Révolution”), que a pesar do tempo transcorrido não perdeu sua atualidade, sobretudo na América Latina governada pelos revolucionários do Foro de São Paulo.

É habitual resumir em cinco pontos os mecanismos da Revolução (1) que sintetizam a tática elaborada por León Trotsky.

1 – Dispor de pequenas equipes de homens formados e exercitados. Este ponto não tem nada de subversivo em si; recordamos suficientemente esta necessidade de pequenas equipes e a força do pequeno número. Constitui o elemento obrigatório de toda ação humana eficaz.
2 – Montar pequenas operações que bloqueiem o funcionamento normal das instituições. Se trata de pôr de relevo a fragilidade do poder existente. Se provoca uma paralisação do país ou alguns setores de atividade; o "benefício prático" obtido importa pouco, o êxito só está vinculado ao impacto ideológico. Exemplos: A greve ou a transgressão que conduz a um processo judicial para manifestar que a lei tornou-se ultrapassada e não pode ser respeitada…
3 – Suscitar a dúvida, o medo, o silêncio e o recolhimento sobre si. A dúvida, que paralisa, é a arma mais eficaz de Satanás. O objetivo é, em particular, instalar o temor (temor de não ser de seu tempo, de ser racista, homofóbico...) e de constituir o que se convencionou chamar a "maioria silenciosa". Esta maioria é efetivamente convertida em silenciosa por meios de pressão eficazes.
4 – Suscitar e fazer crer a aparição de uma nova moral e, em consequência, de uma nova legitimidade. O discurso subversivo procura, constantemente, ser moralizador. Tem por objetivo fabricar uma consciência coletiva que maneje a consciência pessoal. Um consenso fabricado substitui os dados essenciais da lei natural. O vocabulário é manipulado: bebê de proveta se converteu, em ocasião dos debates sobre bioética, em bebê do amor ou bebê da esperança… Encontramos aqui o princípio maçônico solve et coagula: dissolver uma moral para legitimar uma novidade.
5 – Suscitar novos poderes sobrepondo-se acima das competências e responsabilidades legais. O poder político debilitado é substituído por um poder paralelo, que não está fundado em legitimidade alguma e não responde por suas decisões. A política se elabora em comissões ou grupos obscuros (financeiros, maçônicos…). Organismos como SOS Racismo ou Act-Up elaboram as leis. As ONGs se convertem em níveis essenciais destas hierarquias paralelas à nível mundial (planificação familiar…).

A cada um destes pontos corresponde uma "contra-medida", mas é importante recordar que a ação contra revolucionária não é uma Revolução ao contrário senão o contrário da Revolução.
A pergunta, por quem é que lutamos? Enquanto leigos católicos, não podemos senão responder: por Cristo Rei. A pergunta, contra quem nós lutamos? A resposta é também evidente: contra Satã. Mas Satã é "legião", como nos diz a Escritura. Se sabe que a Virgem em La Salette revelou aos videntes que Lúcifer aparecia assistido por uma classe de ministério composto de três membros: Mamon, o demônio do dinheiro; Asmodeo, o demônio da luxúria, e Belzebu, o demônio do ocultismo.
Uma vez mais, devemos a Jean OUSSET (2) a conclusão e a intuição do que convém fazer:
"Temos em nossa frente o erro e aqueles que o divulgam. É impossível separar os dois. Os erros são similares às flechas que não fariam nenhum mal à ninguém se não houvesse quem as lançassem com um arco ou com um fuzil. Pretender guerrear somente contra as ideias e os sistemas perversos, sem ter em conta quem os divulgam, difundem, aplicam sistematicamente seria uma loucura, senão cumplicidade manifesta com o inimigo".

(1) Utilizamos aqui o folheto de Philippe Maxence: Introduction à une action civique.

(2) Pour qu’Il règne, p. 81.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

DIGNIDADE HUMANA E REVOLUÇÃO CULTURAL

Nunca na história insistiu-se tanto na dignidade humana como fundamento do ordenamento jurídico e na primazia dos direitos inalienáveis da pessoa, mas é certo também que nunca na história da juridicidade como agora, esqueceu-se o interesse geral como limite desta.
Pretende-se construir uma doutrina personalista em que deforma-se sua dignidade reduzindo-a exclusivamente à liberdade, e esta, à ausência de coação; o desejo ou o apetite sem limitação seria fundamento do direito, portanto, dentro de tão “sui generis” personalismo a autonomia individual viria a ser o único valor fundante do ordenamento jurídico, sem importar a alteridade como elemento essencial do direito ou o cumprimento do dever e menos ainda o bem comum.
O direito de fazer valer como direito qualquer ato do querer estatal ou individual, embora às vezes seja limitado por razões de utilidade, seria o absoluto relativismo: todos podem fazer valer como direitos as coisas mais estranhas, contraditórias e até mesmo absurdas; teríamos que concluir, sem dúvidas, que a anarquia seria um direito. Encontramo-nos diante de um inexorável aviltamento sob pretexto da vigência de um novo dogma, ou melhor, de uma utopia batizada por alguns como o livre desenvolvimento de nossa animalidade, perfeita caricatura do verdadeiro desenvolvimento da pessoa, que sugere ao homem liberar-se, inclusive, de sua própria natureza, o que tem acarretado um acelerado processo de dissolução moral e de aviltamento coletivo que se não é freado acaba perdendo todo o sentido o conceito clássico de liberdade social como liberdade dentro de uma ordem. Ao final, virá a guerra de todos contra todos.
O exposto anteriormente não é, por acaso, o sustentáculo ideológico do direito ao porte de drogas para uso pessoal, ao suicídio, ao aborto, à união homossexual, à eutanásia, à eugenia, ao incesto, à maternidade incógnita, à zoofilia etc., reconhecidos por diferentes Tratados Internacionais e pela grande maioria dos ordenamentos jurídicos nacionais e justificados em nome dos novos dogmas laicos?
A tolerância, o pluralismo e a não-discriminação, ao que toda sociedade está sendo conduzida, já estão sendo implantados mediante os programas estatais pelo Ministério da Educação e da Saúde, ou através das decisões proferidas pela Corte Constitucional nas sentenças relacionadas ao livre desenvolvimento de nossa personalidade. Perdida a dimensão moral do Estado, este se converte em um claro promotor da desordem. É uma autêntica Revolução Cultural na qual o colégio aonde nossos filhos estudam, a empresa aonde trabalhamos, nossas famílias, a mentalidade, a política, a religião, a moral, o direito, em síntese, toda nossa vida, deverão se enquadrar a estes postulados “politicamente corretos”. Com grande agudez se lê no prólogo do texto "A Revolução Cultural, um 'smog' que envenena a família chilena": “Sim, uma revolução que penetrar como um smog em todos os ambientes, contaminando gradualmente leis e costumes, corroendo os princípios, eliminando as noções do bem e do mal e implantando uma nova moral ateia e relativista e que ademais prepara o clima jurídico e publicitário para que se persigam todos aqueles que oponham alguma resistência”.
Trata-se de um programa de desconstrução dos resquícios da sociedade de inspiração cristã, para impor um modelo relativista no campo ideológico e amoral nas condutas; seu fundamento doutrinário encontra-se em uma peculiar interpretação dos direitos humanos, fazendo total abstração do ensinamento da igreja e da índole cristã de nosso povo. Desde logo, tudo sendo executado pela ditadura dos tolerantes, os quais estão fazendo uma cirurgia social de grande envergadura, mutilando a raiz cristã de nossa sociedade e impondo um pansexualismo freudiano demolidor da família e de todas nossas tradições.
Sem titubear, Rodolfo Llopis, dirigente do PSOE (Partido Socialista Espanhol), nos anos da II República espanhola, reconhece a agenda que o socialismo elaborou sobre o tema: “Para mim não há revolução simplesmente por quê se leve a cabo uma mudança de regime político. Nem sequer há revolução quando junto com a mudança política ocorra uma mudança social. Para mim, o ciclo revolucionário não termina enquanto a revolução não se faça nas consciências... há que se apoderar das almas das crianças”.
 Depois viria – hoje experimentamos em nossa política – o que propunha o pensador italiano Antonio Gramsci: marxistizar o homem interior sem violência ou derramamento de sangue, não importa conquistar as ruas e cidades, o que se deve conquistar é a mentalidade da sociedade civil; sobretudo na América hispânica e no sul da Europa deve-se desconstruir todos os hábitos, os costumes e as instituições sociais aonde o catolicismo romano guiou mais profundamente o pensamento e as ações da generalidade das populações e isso tem-se cumprido ao pé da letra pelos organismos estatais e judiciais mencionados.
É necessário, no cumprimento dos objetivos da revolução cultural, modificar esta mentalidade, convertê-la no seu oposto em todos os seus detalhes, de modo que se transforme não simplesmente em uma mentalidade não cristã, mas em uma mentalidade anticristã. Tais metas estão sendo alcançadas por meio de uma revolução tranquila e anônima em nome da dignidade e dos direitos do homem e em nome da autonomia e da liberdade em relação às restrições exteriores.
A ideologia dos direitos humanos que impera na hora presente acaba potencializando a liberação absoluta do homem, de toda espécie de dominações e potestades, inclusive as constitucionais. Em sua origem, o homem liberal se torna independente não só dos reis e dos privilégios, senão basicamente de Deus, de sua lei e da religião; em seguida, das desigualdades materiais. Na hora presente busca nos liberar de todo limite à autonomia, começando por nosso corpo: é a primazia do corpo individual, à que a razão agora se submete. Hoje, os alvos favoritos da revolução cultural não são os quartéis militares ou as repartições públicas, como outrora ocorria, hoje como já foi dito, é a alma das crianças, em uma baldeação ideológica inadvertida que se produz de maneira imperceptível em toda nossa cultura. A tomada do palácio de inverno, dizia o próprio Gramsci referindo-se ao poder político, é o secundário, antes, devera se preceder a tomada da cultura. Nosso inefável Nicolás Gómez Dávila resume o exposto em uma de suas extraordinárias sentenças doutas ou escólios como popularmente são conhecidos: “A revolução só invade palácios previamente desertados”.


__ Alejandro ORDOÑEZ MALDONADO. El nuevo Derecho, el nuevo orden mundial y la revolución cultural, Revista Verbo (Madrid), n.431-432, Jan-Fev. de 2005, pp. 54-58.


sábado, 19 de julho de 2014

EDUCAÇÃO E REVOLUÇÃO

"Para Platão e os antigos, a polis ou cidade humana é, antes de tudo, uma escola de educação (de civilização, de cives), e a sadia e reta cidade – com a boa terra para a planta – são necessárias para a vida virtuosa, objeto ultimo de toda educação. A corrupção – ou a mera decadência dos ambientes – é causa imediata da ruína moral dos homens. Daí o interesse primordial da antiga pedagogia pela manutenção dos costumes, que são, como os hábitos para o indivíduo, o sustentáculo da sociedade em seu vigor e tensão interiores; e seu apoio do mesmo modo ao princípio de autoridade, especialmente do pátrio poder, a cuja imagem – sábio “paternalismo” – se concebia o ideal de toda e qualquer autoridade, inclusive a do Rei e a do Papa (Santo Padre, por excelência). Conceber – como se faz hoje – os costumes e as raízes (o arraigo, o afinco, a tradição) como estorvos/impedimentos ou “tabus” irracionais para o desenvolvimento e liberdade do homem, e substituir a educação familiar e paterna por um ensino massivo, estatal e regulamentador, é destruir os verdadeiros e estáveis fundamentos da ordem moral e do reto desenvolvimento da personalidade. Não nos esqueçamos que o último e mais refinado instrumento da Revolução é a chamada “revolução cultural”, cujos efeitos se revelam fulminantes para a definitiva estabulação gregária do gênero humano, e que, por desgraça, tantas versões tem embaladas “para exportação” no mundo de hoje".


___ Rafael GAMBRA CIUDAD. Educación y ensino. Revista VERBO (Madrid) Serie IX, ns. 85-86. Maio-Julho de 1970, p. 439-444.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

FAMÍLIA E MARXISMO

“a família – na visão marxista - deve estar vinculada à produtividade. Os pedagogos russos clássicos insistiram muito na necessidade da unidade e integridade da família, mas sempre como esfera da coletividade e relacionada à produtividade. Inclusive os jogos infantis eram concebidos como preparação para a atividade produtiva e como educação para o trabalho. Um sinal trágico deste ‘caráter funcional’ da família em relação à produtividade foi precisamente que a primeira sociedade marxista considerasse necessário não só que a mulher ingressasse no mundo do trabalho, mas também a legalização do aborto caso impedisse esta realização da mulher trabalhadora... o homem deve ser liberado da dependência erótica  e afetiva que se realiza no matrimônio, assim como da dependência do espírito que dá na vida moral. O principal representante desta ideologia é Herbert Marcuse, com o qual chega-se inclusive a teorizar a libertação da sexualidade da heterossexualidade, e falar de ‘polimorfismo’ e, portanto, de ‘livre escolha de sexo’”.


___ Elio SGRECCIA. Manual de Bioética. Fundamentos y ética biomédica, Vol. 1, 4 ed., Madrid: BAC, 2007, pp. 478-479.  


GÊNERO E REVOLUÇÃO

“A ideologia de gênero vê na família tradicional o ‘principal inimigo’ a ser combatido. Para fazer desparecer a instituição natural da família colocou entre seus objetivos prioritários a abolição da maternidade e da paternidade. Para isso considerou imprescindível adiantar-se na promoção tanto da anticoncepção como da despenalização do aborto. Assim, a ideologia de gênero perfilou-se como uma revolução que trouxe consigo: uma erosão da autoridade em todas as ordens, a perda do sentido da tradição e, em determinados aspectos, a evasão do realismo mais elementar”.

___ Kathya Lisseth VASSALLO CRUZ. De-construcción histórica del feminismo: ¿un atentado ideológico planificado contra la família? In.: Revista de Investigación jurídica,  Volumen VI, p. 17.

segunda-feira, 31 de março de 2014

INSTITUCIONALIZAÇÃO DA DESORDEM REVOLUCIONÁRIA

O que aproxima entre si, não só o comunismo e o nacional-socialismo, mas também a democracia totalitária do nosso tempo, é exatamente o caráter de guerra civil institucionalizada segunda a lúcida análise de Domenico Fisichella, que definiu o totalitarismo, enquanto sistema global, como “um regime de institucionalização da desordem revolucionária e da guerra civil”. Já se vislumbra a passagem da guerra civil “moderna”, ideologicamente motivada, para a guerra civil “pós-moderna”: uma explosão de violência sem sentido que coincide o paroxismo da anarquia e do caos. A queda do muro de Berlim e o fim do sistema bipolar podem ser vistos como a certidão de nascimento deste novo gênero de conflito, definido como “guerra molecular” pelo sociólogo alemão Hans Magnus Enzensberger. As metástases da “guerra civil molecular”, escreve Enzensberger, “são parte integrante da vida quotidiana das grandes cidades, isto não só em lima ou Janesburgo, Bombaim e Rio de Janeiro, mas também Paris e Berlim, Detroit e Birmingham, Milão e Hamburgo”. Os protagonistas não são unicamente terroristas, mafiosos, skinheads, traficantes de droga e esquadrões da morte, mas também simples cidadãos que, de repente, se transformam em delinquentes hooligan, piromanos e serial killer. Segundo Enzensberger, para além de todas as diferenças, existe um denominador comum: o culto da destruição pela destruição, devido á absoluta falta de princípios. A nova guerra civil dentro das grandes metrópoles não encontra, com efeito, qualquer justificação ideológica ou moral: é fruto do niilismo contemporâneo. Na perspectiva dos “teóricos do caos”, o fundamento e o vínculo mais profundo da sociedade não consistem no princípio aristotélico da amizade, mas no princípio hobbesiano e schimittiano da inimizade e do conflito... O niilismo pós-moderno é o fundamento desta conflitualidade permanente e a vazia de significado.

Roberto DE MATTEI. A soberania necessária: reflexões sobre e a crise do Estado moderno, Porto: livraria Civilização, 2002, pp.165-167.

sábado, 29 de março de 2014

O FILOSOFO MODERNO E A REVOLUÇÃO

A classe intelectual por inteira, tal como é hoje, serve a Revolução. As exceções são individuais.. pouco numerosa e não sujeita às etiquetas eventualmente liberais, centristas, moderadas ou contemporâneas. O que conta é o ser e não o parecer, a substância e não os acidentes visíveis; o peso real, a autêntica densidade. A filosofia de Descartes, que era homem de ordem e de razão, prepara a Revolução. A anarquia aparente de um São Francisco de Assis, a contraria radicalmente. O filosofo moderno, enquanto tal, é um malfeitor público. “O maior de todos os criminosos – dizia Chesterton – é o filosofo moderno, livre de toda lei”. Livre da lei natural, ou do Decálogo, o filosofo moderno subverte toda possibilidade de educação e destrói, em pensamento e através do pensamento, as condições da vida. Tudo isto estava relegado à teoria, à retórica, virtual, implícita, inconsciente e apenas perceptível ao gênio de um Chesterton ou de um Péguy, de um Blanc de Saint-Bonnet ou de um Claudel. O peso real, o verdadeiro alcance de um pensamento, não o compreende muitas vezes os professores que o fracionam em fórmulas feitas, em series de palavras entrelaçadas umas nas outras, em capítulos de manual: esta espécie de moeda não deixa de ser uma moeda falsa, que afasta a verdadeira, que desintegra o pensamento, que degrada as almas. Chega um dia – o nosso – em que a filosofia moderna, naturalmente, atinge o seu último estágio de amadurecimento, de apodrecimento, e em que ao fim, consciente do que trazia em si, a ouvimos anunciar claramente o que era, sem saber muito bem, desde sempre. Eis aqui o que um filósofo moderno escreveu em 1966, em um numero de revista dedicado a um tal Jean Paul Sartre: “Fazer-se ouvir não é atrair a simpatia. É semear o terror. A filosofia de amanhã será terrorista. De forma alguma filosofia do terrorismo, senão filosofia terrorista, ligada a uma prática política do terrorismo”. Essa é toda a filosofia moderna que estava ligada substancialmente a pratica do terrorismo por ela iluminado. Semelhante declaração não espantaria em nada um Charles de Koninck e tampouco espantará um Gilson. O desiderato principal e último da filosofia moderna não está em um erro da inteligência, senão em uma revolta da vontade, é um non serviam universalmente destruidor. De Descartes - que certamente teria se horrorizado -, de Descartes a Kant, de Kant a Hegel, de Hegel ao coquetel molotov, a consequência é valida. Eu não vim vos dizer: “Eu” já havia dito... Sei que não inventei nada. Venho vos dizer: tudo está em Péguy. Principalmente. E em Chesterton. E em Charles de Koninck... e em uns vinte mais.  Cem vezes anunciado, desmontado, demonstrado. Com quarenta, cinquenta, sessenta anos de antecipação. A comédia que representa a Revolução tem suas paginas escritas ponto por ponto, há muito tempo, com todas as notas explicativas de rodapé. Já é hora de finalmente compreendê-la. Já é hora.

Jean MADIRAN (1920-2013). Después de la Revolución de mayo. Revista Verbo n. 67-68. Originalmente em Itineraires n.124, 1968.

quarta-feira, 19 de março de 2014

ARTE E SUBVERSÃO


“As correntes poéticas e artísticas de nossa época se caracterizam por uma proliferação desorbitada de propósitos e realizações. Não é que semelhante pluralidade constitua uma riqueza digna de louvor. Ao contrario, o que está se manifestando ali, é certo incontido afã niilista que tende à fazer tabula rasa de tudo quanto se tenha criado no passado e, em especial, desse privilegio humano pela qual somos cada um de nós uma imagem e semelhança de Deus. Este privilégio francamente enobrecedor de nossa condição espiritual, que nos constitui como uma espécie de ilha dentro do mar do Universo visível, ou melhor, como o cume privilegiado de uma alta montanha, e que se projeta na ordem de nossas atividades pela vontade e pela razão; em outras palavras, pela faculdade intelectiva e pela capacidade de determinarmos a nós mesmos na esfera de ações propriamente humanas... As correntes artísticas que espiritualmente pertencem ao mundo moderno, ao mundo estético que se constituiu no âmbito de nossa civilização cristã e ocidental revelam um claro e indiscutível ateísmo. Ostentam um humanismo que, longe de enobrecer as condições tipicamente humanas de espiritualidade e racionalidade, as privam de seu desenvolvimento normal, que só pode alcançar submergindo suas raízes nas águas vivificantes da graça. Porque, não nos enganemos: desde que o pecado original deixou a natureza humana ferida e menoscabada, nos será impossível, por mais esforços que façamos, alcançar a normalidade em um clima exclusivamente natural”


R.P Osvaldo LIRA (1904-1996). Prólogo do livro “Arte y Subversión” de Alberto Boixadós, Buenos Aires: Areté, 1977.