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terça-feira, 18 de março de 2014

A PRESENÇA AÇAMBARCADORA DO ESTADO

“A autoridade não nos aparece hoje a não ser sob a figura de um funcionário sentado atrás de uma escrivaninha e investido dos mais amplos direitos... Essa personagem é eterna, imutável, idêntica a si própria... Recenseia, registra, espiona. Conhece nossos rendimentos e inventaria nossas heranças. Sabe se possuímos um aparelho de rádio, um cachorro ou um automóvel. Instrui nossos filhos e fixa o preço do nosso pão. Fabrica nossos fósforos e vende-nos nosso tabaco. É industrial, armador, comerciante, corretor e médico. Tem arquivos, florestas, estradas de ferro, hospitais, bancos e usinas. Monopoliza a caridade. Se nós pertencemos ao sexo masculino, faz-nos comparecer à sua frente, pesa-nos, mede-nos, examina o funcionamento de nosso coração, de nossos pulmões e de nosso baço. Não podemos dar um passo ou fazer um gesto sem que disso se advirta e encontre um pretexto para intervir”.


Pierre GAXOTTE (1895-1982). A revolução francesa.

domingo, 16 de março de 2014

A BOA REPÚBLICA

Pierre Gaxotte (1895-1982)
“A boa República se dissipa assim como uma miragem. Em uma violenta reação do bom senso, os eleitores podem escolher às vezes homens respeitáveis, honrados, conhecidos por sua moderação; quando isto ocorre, se dá conta com assombro de que nada há mudado; e então volta a se lançar cegamente para a extra-esquerda, até que chegue o dia em que farto, decepcionado, desanimado, não tem o incomodo sequer de votar”.

Pierre GAXOTTE. La buena republica. Acción española: antologia.