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terça-feira, 22 de julho de 2014

DESENRAIZAMENTO EXISTENCIAL E INTELECTUAL

“A negação do ‘laço nupcial’ que une o homem ao universo desde sua chegada ao mundo, acarretou a recusa desta experiência vital que lastra com um peso real todas as faculdades, ações e projetos humanos. A inteligência do homem, em particular, renuncia receber ativamente por meio deste cordão umbilical, que a une com o mundo, com a realidade dos seres e das coisas.”


___ Marcel de CORTE. La educación política, Revista Verbo, Madri, n.54, p. 646.  

terça-feira, 8 de julho de 2014

LIÇÕES DE GUSTAVE THIBON

FOME DE FELICIDADE: Santo Deus, o que ai vai de ambições! Queres isso, aquilo e mais aquilo. Muito bem. Mas já pensaste em saber se mereces que todas essas coisas te queiram a ti? Desunhas-te na recolha da felicidade. Procura antes tornar-te digno de ser escolhido pela felicidade. Quando fores suficientemente puro, verás como a felicidade te segue por toda a parte: por mais que lhe fujas, ela irá ter contigo, onde quer que te encontres.

VAZIO INTERIOR: Um homem exaure-se na medida em que não existem, para ele, seres ou coisas insubstituíveis. Faz lembrar um buraco que se cuidasse poder tapar seja com o que for, e que o essencial é tapado. Daí, e paralelamente, a maré alta do vazio interior e da paixão pelo dinheiro. Desde o instante em que se pensa que nada do que se ama é insubstituível, logo se acredita que basta ter dinheiro para tudo substituir. 

OBEDIÊNCIA E SERVIDÃO: Não se foge a obediência, senão para cair na servidão. Afliges-te, vendo de que é que os homens são escravos? Se queres a chave deste "mistério de abjeção", procura ver a quem é que eles fogem de servir. O homem não escapa à autoridade das coisas do alto, que o sustentam, senão para cair na tirania das coisas de baixo, que o devoram.

Noli judicare - etiam teipsum. - Vede estes homens. O que sofrem e porque sofrem. Ora, o azedume, de que dão provas, tem uma origem. É que passam o tempo a comparar-se com os outros. Este jogo entusiasma-os. Mas também os irrita e desmoraliza. Quando aprenderão, finalmente, a considerarem-se único, e não a julgarem-se em comparação com os outros? Seria esta a aurora da verdadeira humildade. Para que precisas tu de te confrontar com os teus irmãos? Não te basta saberes que é filho de Deus?

___ Gustave THIBON. A Escada de Jacob, Lisboa: Editorial Aster, p. 31-33.

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Como já assinalado em outras oportunidades, e nunca é demais repetir, GUSTAVE THIBON (02 de setembro de 1903 – 19 de janeiro de 2001), foi autodidata genial, nasceu em Saint-Marcel-d'Ardèche (França) onde foi sempre lavrador. Não foi um homem de diplomas e títulos. Estudou por si só o grego e o latim, os "Diálogos" de Platão e a filosofia de Aristóteles, a "Suma Teológica" de Santo Tomás. Deu-nos páginas luminosas de "Diagnósticos de Fisiologia Social", "O que Deus uniu", "A Escada de Jacob" e outros volumes de aforismos penetrantes, que são como flechas agudas atiradas para todos os lados. Poucos como ele compreenderam tão profundamente o homem e a mulher, o amor humano e o casamento. Thibon foi o testemunho que se ocultou para deixar brilhar a verdade em todo o seu esplendor. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

O INTEIRO SIGNIFICADO DAS COISAS

“Uma das mais profundas e estranhas de todas as humanas sensações é a que nos penetra subitamente em um jardim, de noite, ou em um prado suave: a sensação de que cada flor e cada folha acabam de pronunciar algo estupendamente direto e importante, e que nós, por um prodígio de imbecilidade, não ouvimos ou compreendemos. Há certo valor poético e genuíno nessa sensação de haver deixado escapar o inteiro significado das coisas. Não só há beleza na sabedoria, senão nesta assombrosa e dramática ignorância”.


G.K. CHESTERTON (1874-1936). Robert Browning.