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domingo, 8 de outubro de 2017

DIABÓLICA TENTAÇÃO

“A ideologia marxista não é uma teoria, nem mesmo uma verdadeira política. É uma adulação, uma tentação sedutora, porém não irresistível, que vem tirando dos trilhos os humildes, os pobres, fazendo-os esquecer que "ninguém é tão pobre, nem tão desamparado que não tenha a cada instante, o meio de fazer o bem a outra criatura sem interesse, por ela mesma, por um puro movimento de amizade" (Paul Claudel). Arranca deles sua consciência cristã que julga a riqueza como a mais pequena de todas as grandezas, para arrastá-los a uma falaz e rancorosa consciência de classe pela qual se julgam miseráveis. E essa diabólica tentação vai os despojando de todos os bens que receberam de Deus, de sua Pátria, de sua família, de seus amigos; deixando suas almas vazias de todas estas coisas preciosas que acumulavam na conformidade de sua pobreza; a humildade, a sobriedade, a paciência, a disposição para a vida esforçada e sobretudo, o temor de Deus e o amor dos seus e de sua terra. Assim é que vão ingressar na legião dos miseráveis cheios de ódio, saturados de ressentimento contra tudo o que existe e tem comando. A esta destruição interior, a esta desmobilização moral dos operários, dos camponeses, dos soldados e suboficiais, dos filhos e dos jovens estudantes, os Comunistas denominam: consciência de classe".
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Jordán Bruno Genta. Libre Examen y Comunismo. Buenos Aires: Libreria Huemul, 1960, p. 35-36.


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

A PÁTRIA RESTABELECIDA EM CRISTO

“Isto que se chama inflação, que nós estamos suportando, nesta forma galopante, progressiva, incessante, não é a causa da socialização, mas a acelera. E permite essas duas grandes concentrações monstruosas: a concentração da plutocracia da riqueza nas mãos de uns poucos, o que poderíamos chamar de centralização do poder do dinheiro, e o estatismo cada vez mais avançado, porque o Estado vai se fazendo absorvente e destrutor da pessoa humana. A luta é precisamente contra esse socialismo, que nos leva ao Leviatã, ao Estado monstro, que absorve e destrói a pessoa humana.
A luta deve ser precisamente para que reine na Pátria: em vez do dinheiro, reine Cristo. É a única saída que temos, o reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo, que toda a Pátria seja reconstruída n’Ele: a pessoa, a família, a propriedade, a empresa, a escola, a universidade, as forças armadas, o Estado... tudo reconstruído em Cristo. Esse senhorio sim podemos aceitar, inclusive um senhorio totalitário, porque tudo pertence a Ele, porque é Criador e Redentor. Na mesma medida que Ele preside, se afirma a personalidade de cada homem. Porque Ele não veio para a multidão, para a massa, para a humanidade em geral; veio para cada homem em particular, para restabelecer n’Ele a imagem e semelhança de Deus e para devolver-nos a Ele pela força de sua graça e pela liberdade do homem, à união com Deus.
Ou a Pátria mergulhada nessa coisa monstruosa e satânica, que é o Estado socialista, ou a Pátria restabelecida em Cristo, para contribuir com Seu Reinado.

Esta é nossa esperança e empenho”. 
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Jordan Bruno Genta. El asalto terrorista al poder: la afirmación de la verdad frente a la corrupción de la inteligencia. Buenos Aires: Librería y Editorial Santiago Apóstol, 1999, p. 398-399.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

O DEVER DE FIDELIDADE

“Nem Deus nem a Pátria, nem a família, são bens que se escolhem. Pertencemos a eles e debemos servi-los com fidelidade até a norte. Desertar, esquecê-los ou voltar-se contra eles é traição, o maior dos crimes […] Conscientizar-se de nossa origem divina, de que o próprio Deus se fez carne para imolar-se na Cruz por amor aos homens; conscientizar-se da verdadeira história da Pátria; saber-se herdeiro, continuador e responsável de uma grande obra nacional e da honra familiar, é proclamar a nobreza de origem, a gloria do Fidalgo, seja rico ou pobre de bens materiais”.
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Jordán BRUNO GENTA. Citado por Alberto Caturelli em sua “Historia de la filosofía en la Argentina”, Buenos Aires, 2001, p.457).



sábado, 23 de maio de 2015

O MAGISTÉRIO DOS ARQUÉTIPOS

Abandonamos o magistério dos heróis, das mais altas excelências de vida, para conformarmo-nos “cada vez mais aos procedimentos da natureza”, mecanizada, impessoal e cega. E é, todavia, uma pseudofilosofia empírica e utilitária, com seu cortejo de virtudes pequeno-burguesas, a que fundamenta nossa pedagogia oficial. Compreende-se que o materialismo em todas suas formas, que se reduzem sempre ao tipo ideológico forjado pela experiência sensível o sentido econômico das coisas, tenha um caráter eminentemente populista e tenha gozado sempre do favor da multidão. Somente uma mentalidade pequena é capaz de hipóteses tão grosseiras como o evolucionismo darwinista ou o materialismo histórico. Somente a vulgaridade irremissível da época pode consagrar-lhe seu entusiasmo e sua devoção. Platão, primeiro entre os pares da mais alta aristocracia da inteligência que já existiu, assinalou a origem plebeia de toda forma de empirismo e de utilitarismo. Isto não exclui a presença de qualidades respeitáveis nos depositários desse espírito pragmático: capacidade de trabalho, tenacidade, exatidão, paciência, pontualidade etc.. Ao contrário, é sinal inequívoco de autentica aristocracia do espírito a veneração da antiguidade e o orgulho de uma origem elevada; afirmar os mesmos princípios e as mesmas razões últimas que foram reconhecidas e respeitadas no passado; querer que a mesma fé a mesma identidade dos antecessores sejam ainda hoje nossa fé e nossa fidelidade.
O ódio à antiguidade e aos valores permanentes é o sinal da mediocridade irrevogável. As almas plebeias não reconhecem normas imutáveis nem arquétipos definitivos; confundem o respeito com a urbanidade e o pudor com a higiene. Os materialistas expõem este incurável ressentimento contra o ser, em linguagem mais direta e mais clara que seus tímidos sequazes: “Tudo o que existe merece perecer”, declara Engels e aderem todos os amantes do progresso indefinido, para quem a Idade de Ouro está sempre no porvir... O empirismo que informa nossa pedagogia liberal é a filosofia típica dos pequenos burgueses; uma espécie vergonhosa de materialismo, uma forma dissimulada, oportunista e farisaica dessa mesma ideologia que se expressa na linguagem cínica e audaz dos doutrinários marxistas. É uma linguagem própria dos tíbios e dos cômodos, cujo léxico padecemos longamente nas escolas: evolução, adaptação ao meio, seleção natural, progresso indefinido, livre pensamento, expansão ilimitada da individualidade, tolerâncias, liberalidade, humanidade etc.
O recurso crítico empregado igualmente por empiristas e materialistas é a historia natural do espírito e de seus bens transcendentes ou objetivos: religião, filosofia, arte, moral e direito. Uma vez que se fixa a origem da crença religiosa na ignorância e no temor, e se faz radicar a especulação filosófica em um estado oculto da inteligência; uma vez que o espírito e seus conteúdos próprios são reduzidos por essa crítica perversa às condições materiais ou razões externas de sua existência, não resta outro princípio que a utilidade para forjar uma explicação universal do destino do homem, nem outro fundamento que a economia para construir a sociedade, nem outro método cientifico que o experimental para dar um sentido positivo ao esforço e assegurar a melhora progressiva das condições de vida, fim ultimo de todos os afãs do homem.
Assim se chega a propor como progresso a substituição do magistério do modelo divino e dos grandes homens, por essa tendência da vida do individuo e da sociedade a imitar os processos mecânicos do mundo físico e o equilíbrio das forças cegas, que estuda a ciência empírico-matematica da natureza. É o programa de socialização radical da economia e da nivelação completa dos indivíduos, mediante sua adaptação e ajude a uma administração coletiva da Sociedade, mercê a um processo que converta a comunidade de todos os homens em um imenso mecanismo de produção e distribuição coletivas, onde cada indivíduo não seja mais que uma ínfima peça articulada com todas as demais. A força resultante dessa combinação de elementos insignificantes em si e facilmente substituíveis teve poder suficiente como para assegurar o máximo de bem estar e de estabilidade a todas as pelas do conjunto.  Se conseguiu desse modo o extremo envilecimento do homem, a escravidão irremediável do individuo à espécie. Se a inteligência não tem em nós mais que um mero valor de instrumento de trabalho, os indivíduos e os povos não são mais que funções de melhoramento indefinido das condições materiais da vida, que acompanharão os sempre novos exemplares da espécie.
Ocorre, pois, que o homem se manifesta como instrumento das condições externas de sua existência, em lugar de serem estas, o meio para a perfeição de seu ser e para o cumprimento de seu fim político e espiritual. Tais são os caminhos para onde leva essa pedagogia liberal e cosmopolita que suportamos durante sessenta anos e que comprometeu, mais que nosso patrimônio material, a existência mesmo de nossa individualidade moral e política. A educação estrutura sobre os valores utilitários, desvinculada da formação ética da pessoa, que prega um pacifismo internacionalista, o menosprezo da Cruz com seu laicismo beligerante e o menosprezo da Espada com seu ódio aos homens que a levantam, necessitava ser reintegrada a sua verdadeira função especifica: a de formar o homem no conhecimento da verdade e na vida da justiça, quer dizer, no serviço de Deus e da Pátria. A tarefa primordial consiste em reestabelecer a hierarquia da inteligência mediante o cultivo da filosofia perene, cujas fontes vivas são os grandes mestres clássicos – Platão, Aristóteles, santo Agostinho e Santo Tomás -; assim como beber daqueles exímios doutores da Espanha Imperial, mestres de doutrina oral e jurídica como Vitória e Suárez, a fim de devolver à Política seu status de ciência arquitetônica e à antiga prudência aos varões esclarecidos, que terão presente na legislação temporal e perecível, a contemplação da verdade eterna a ordem imutável do ser.
À política educacional, no que atine a formação do caráter nas almas juvenis, se propõe restituir a pedagogia dos Santos e dos Heróis a fim de que voltem a brilhar na conduta do cidadão, a fortaleza, a prudência e a justiça dos modelos escolhidos. O cumprimento desse ideal educativo, solidamente estabelecido, dará como resultado a aparição de cidadãos exemplares nos quais se integrará uma alma serena e firme com um espírito vivo e brilhante...


____ Jordán Bruno GENTA. El magistério de lós arquétipos de la nacionalidad, 20 de junho de 1944, pp. 100-104.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A HORA DA INTRANSIGÊNCIA

“Esta é a hora da intransigência. Esta é a hora de falar a linguagem que Cristo nos recomenda no Sermão da Montanha: Sim, sim; Não, não! Esta é a hora da obstinação invencível, da constância persistente, da fidelidade continuada. É certo que não temos a força do dinheiro, não temos a força das armas, não temos a força das lojas e nem dos poderes ocultos; mas nós temos a força de Cristo. E na medida em que esta força se irradie em nós e Cristo viva em nós mais do que nós mesmos, nessa mesma medida seremos invencíveis, ainda que na derrota... pois depois tudo, este é um lugar de passagem, de prova e de testemunho. E o importante é que sejamos capazes de ser até a morte, sobretudo na hora da morte, testemunhos da Verdade”.

___ Jordán BRUNO GENTA. Conferência “livre exame e comunismo”, pronunciada em 02 de abril de 1960.



A PRUDÊNCIA

“De todas as virtudes humanas, de todas as virtudes morais qual é a mais alta? É a prudência; e a prudência o que é? É uma sabedoria, a prudência é uma sabedoria prática. A prudência não é nada mais que isto: agir na verdade, quer dizer, agir conforme a verdade. Quando eu ajo em conformidade com o que é, com a realidade, isto é, com a verdade (porque a realidade é a verdade na mente que a pensa), então eu atuo como um homem prudente. O mesmo ocorre no terreno familiar, no terreno escolar, no terreno social, no terreno político ou no terreno militar... por isso Santa Teresa dizia ‘só o humildade está na verdade’, só o humilde, aquele que se encontra desprendido de si mesmo, só aquele que não está atado, nem ao seu próprio eu, nem aos seus bens, nem aos seus poderes, nem a suas paixões, nem aos seus apetites, o que está desprendido, esse pode ver as coisas como são, esse permite às coisas mostrar-lhe seu verdadeiro ser”.

____ Jordán BRUNO GENTA. El Asalto Terrorista al Poder: La afirmación de la Verdad frente a la corrupción de la inteligencia, Bs.As.: Ediciones Buen Combate, pp. 52-53. 

O INFERNO COMUNISTA

“Estão convertendo o país em um paralitico para terminar derrubando-o de um só golpe. E sobre suas ruínas não será erigido o paraíso terreal, mas o inferno comunista, que chega tanto através do terror sistemático como pela via democrática do sufrágio universal”.


___ Jordán BRUNO GENTA. Guerra Contrarrevolucionaria. 

O VALOR DO TESTEMUNHO

“como os antigos mártires, e os milhões de Santos que refulgem na história da Igreja, [devemos] dar testemunho de que a vida é tanto mais digna de ser vivida, quanto mais dedicada está ao serviço de Deus, de seus mandamentos e de uma causa justa, como é a de nossa Pátria restaurada em Cristo”.


___ Jordán Bruno GENTA. El asalto terrorista al poder, Ed. Santiago Apóstol, Bs. As., 1999, p. 261.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A LIÇÃO DE DOM QUIXOTE

  Acaso quando [Dom Quixote] chama as moças da comarca de “altas donzelas” e elas não podem conter o riso, não é a observação profunda e piedosa do cavaleiro cristão que reconhece nas infelizes criaturas, a dignidade da mulher, a inocência perdida na impudicícia e na humilhação de todas as horas? E quando reflete com os acolhedores pastores sobre a “ditosa idade e séculos ditosos, aqueles que os antigos chamavam de dourados”, quando “não havia a fraude, nem engano, nem a malicia mesclando-se com a verdade e a franqueza”, e os pastores lhe escutavam ‘maravilhados e atônitos’, não é em razão de sentirem-se arrebatados pela magia do verbo criador até a nostalgia do tempo do esplendor original da criatura humana?  Dom Quixote, senhor de piedade e de sapiência, levanta com as mãos graciosas e varonis das ponderadas palavras e das discretas e bem ajustas razões, os caídos, os humilhados, os necessitados, a humanidade derrotada e claudicante, até a altura de sua nobilíssima condição e dignidade de ‘ser’, até a excelência da imagem e semelhança de Deus”.


Jordán B. GENTA. Rehabilitacion de la Inteligencia. Buenos Aires: Universidad Libre Argentina, 1946, p. 41-42.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O VALOR DA PALAVRA

A arte divina da Criação tem sua analogia mais próxima no ato de afirmar o que é ou intuir uma forma bela, mais do que o ato de fazer ou de produzir. Em outros términos, se trata de esclarecer que o ato de criar se compreende melhor através da contemplação intelectual que da prática manual ou técnica. Se queremos buscar entre as atividades próprias do homem a que está mais próxima e é mais semelhante ao Ato de Criar, a encontraremos na atividade intelectual mais pura e mais desprendida do material... o que é o mesmo, o ato de nomear um ser, de chama-lo por seu nome, indicando quem é e fazendo-o vir à presença.... O “Fazer” divino tem sua analogia mais próxima na arte da palavra... Falar com propriedade, chamas as coisas por seu nome, sabe-las distinguir e hierarquizar, esta atividade especulativa teórica cuja plenitude se alcançaria na Contemplação pura, é a que melhor e mais adequadamente nos permite compreender o Ato da Criação... No princípio era o Verbo e não o trabalho. Primeiro é nomear as coisas e depois é faze-las. A tarefa peremptória que incumbe a nós ocidentais, é precisamente a reabilitação da palavra restituindo-a ao seu prestigio antigo, à sua nobreza original.


Jordán Bruno GENTA. La idea y las ideologias, Dialogos metafísicos de Platon. La teoria de las ideas en la demonstración de la inmaterialidad y de la libertad del alma. Buenos Aires: Ed. del Restaurador, 1949, p. 207.  


O MONOPÓLIO DAS METAMÁTICAS

“Nosso século instaurou o monopólio pedagógico das matemáticas. Não somente o estudo das diversas ciências está vertebrado nas matemáticas, mas o recurso didático universal para ensinar quaisquer saberes é o sistema do cálculo numérico e das ilustrações geométricas; planos, mapas, esquemas, enumerações, catálogos, diagramas, estatísticas e gráficos de todas as classes. O mesmo para ensinar as partes de uma casa que para ensinar as partes da alma, o movimento de um corpo que a história da Pátria. A concepção mecânica que define nossa mentalidade de modernos radica na função retora cada vez mais exclusiva que vem exercendo as matemáticas em todos os domínios do saber humano, desde começos do séculos XVII, a partir de Descartes e Galileu... O habito de cálculo e experimentação se generalizou tanto e chegou a ser tão absorvente e abusivo que só se admitem os resultados obtidos por tais métodos, trate-se de um problema físico ou de um problema moral".


Jordán Bruno GENTA. El filósofo y los sofistas. Curso de  introducción a la Filosofía. Diálogos socráticos de Platón. Bs. As., 1949, pp. 18-19
Jordán Bruno GENTA (2 de outubro de 1909 - 27 de outubro de 1974).

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

É JUSTO E BELO MORRER PELO ESSENCIAL

“Genta nunca vacilou. Inundada sua inteligência com a luz da Revelação, pode escrever – agora sabe que com o próprio sangue – duas frases em que de um modo quase místico descreveu o seu destino: “Nem Deus nem a Pátria nem a Família são bens que escolhem. À eles pertencemos e devemos servi-los com fidelidade até a morte. E desertar, esquece-los, voltar-se contra eles é traição, o maior dos crimes”... “É justo e belo morrer pela Pátria e por tudo o que é essencial e permanente nela: unidade de ser, integridade moral e natural, a soberania nacional, a Igreja de Cristo”. Estas frases estão escritas com o estilo militar da exatidão. Não houve tempo nem lugar para a retorica. E se não fosse vulgaridade, se poderia dizer que Gente teve sua própria morte. Este livros nos explica.
Ninguém na Argentina, caminhou com seu passo de mártir, de frente para a morte justa e bela, como Jordán Bruno Genta.
Apenas Carlos Alberto Sacheri.”


Víctor EDUARDO ORDOÑEZ. Estudo preliminar da obra de Jordán BRUNO GENTA,  “Acerca de la libertad de enseñar y de la enseñanza de la libertad; libre examen y comunismo; Guerra contrarrevolucionario”,  Buenos Aires: Biblioteca del pensamento nacionalista argentino, 1975.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A UNIVERSIDADE É O UNIVERSO DA ALMA QUE CONHECE

A Universidade é um fruto de vida perene na Cidade que envelhece e morre como os homens que nascem e se nutrem de sua história.
A Universidade é o reflexo mental, a imagem viva, a ideia do Universo: a realidade das coisas e sua ordem imutável estão intima e vitalmente presentes na Verdade da Sabedoria, das ciências e das artes.
A Universidade é o universo da alma que conhece. Seu fim transcende, repetimos, a vida da Cidade cuja virtude e perfeição é o Bem Comum, ao qual se ordena o homem inteiro, o composto de alma e corpo que substancialmente é.
A missão primeira e principal da Universidade não é a preparação do cidadão para a vida pública, nem a superior capacitação profissional. É verdade que lhe compete, uma vez que o Bem Comum se subordina à Verdade e não é possível fora dela, a formação da classe dirigente e o cuidado da identidade moral da Pátria; assim como assegurar a primeira e mais elevada idoneidade cientifica e técnica nas profissões liberais.
E é neste plano do saber prático e útil, exclusivamente, que a Universidade se modifica e necessita renovar-se para responder às exigências do presente: o progresso incessante das ciências exatas e experimentais impõe a readaptação continua dessa parte subordinada da Universidade.
A Universidade é para o homem, antes de tudo, ser: o melhor ser e a perfeição intelectual de sua natureza na Sabedoria. Sua missão primeira e principal é a formação do douto, do verdadeiro doutor: o que possui um saber universal (não enciclopédico) porque sabe as causas primeiras e o princípio de todas as coisas; e que, em razão desse saber puro e ótimo, é o que melhor ensina.
O sábio não é o que sabe muito de uma ou de várias ciências particulares e segundas (matemáticas, física, química, biologia, psicologia etc.); tampouco o investigador paciente e sagaz que aumenta a ciência experimental com novas e valiosas descobertas.
Sábio é o filosofo, cujo perfil interior nos deixou Aristóteles na Ética a Nicômaco e na Metafísica; e cujo arquétipo é o próprio Aristóteles “o mestre daqueles que sabem”.
A Universidade é o testemunho visível da preeminência intelectual sobre as virtudes praticas, da visão sobre a ação, da teoria sobre a práxis, do ócio contemplativo sobre o trabalho manual ou mecânico.
A parte superior e dirigente da Universidade é imóvel como a Verdade dos princípios e das essências, cujo conhecimento aumenta em profundidade, pelo progresso no mesmo ser definido e inesgotável; e não por substituição de hipóteses anteriores por outras ajustadas ao limite da experiência alcançado até o dia de hoje.
No princípio era o Verbo, declara a voz mais antiga; e não foi a ação, como declamam, por igual, os corifeus do materialismo marxista e do pragmatismo plutocrático, empresários de novidades precárias e terríveis.


Jordán Bruno GENTA (1909-1974). Rehabilitación de la inteligência, Universidad Libre Argentina: Estudios de Filosofía, Política y Letras, Buenos Aires: 1946, pp. 25-29.
Jordán Bruno GENTA (1909-1974)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

VIRÁ UM TEMPO...


A INVASÃO DA BARBÁRIE

“Em uma hora em que o mundo desata forças pavorosas cujo domínio ainda está longe de possuir e com sua magnitude satânica trata de arrastar todos os princípios espirituais do Ocidente, em momentos em que se produz – desta vez sim -  a invasão da barbárie autentica que desgarra dolorosamente a vida de nossa cultura, compreendemos com mais força que nunca o valor da vida interior, como único e último baluarte para salvar os princípios que manterão nossa dignidade. E em um momento de profunda crise para a Pátria, optamos pelo trabalho silencioso, mas perdurável, de cimentar seu futuro no espirito de novas gerações, temperadas e fortalecidas no conhecimento e na admiração dos altos valores de nosso espírito tradicional e iluminadas pela sabedoria fundada nos princípios eternos do catolicismo”.


Cecilio J. MORALES.  Secretário geral do Conselho Diretivo da Universidade Livre da Argentina, na Apresentação do pequeno livro "Rehabilitación de la inteligência” de Jordán Bruno GENTA, 1946, p. 15.


O HOMEM NÃO EXISTE PARA SI MESMO

“É verdade que os homens, criaturas racionais e livres, governam e ordenam a si mesmos para lograr o Bem Comum, sob a direção de uma autoridade legítima; mas é erro grave sustentar que existem para si mesmos posto que embora tenham razão de causa e de fim, não são causa primeira nem fim último. O homem, cada homem, é pessoa uma vez que subsiste em si e por si como sujeito único e exclusivo de sua existência, de seus atos, de seus acidentes. A distinção último de sua natureza é a alma imaterial e imortal, feita à imagem e semelhança de Deus, unida substancialmente a um corpo com o qual subsistem como alguém, como uma pessoa singular com vocação e destino eternos. A causa primeira e o fim último de cada pessoa humana é Deus; quer dizer que vem de Deus e vai para Deus que é sua meta definida e definitiva. Isso nos permite compreender que quando o homem se divide/afasta de Deus pelo pecado original e os cometidos doravante, corrompe seu próprio ser, distorce sua natureza desarraigada do princípio e do fim, torna-se desumano para com os demais homens e para consigo mesmo. Dividido/afastado de Deus se divide do próximo e de si mesmo, precipitando-se na dialética da contradição infinita”.


Jórdan Bruno GENTA (1909-1974). Opción política del Cristiano: soberanía de Cristo o soberanía popular, Buenos Aires: Ediciones REX, 1997, P. 19.


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

JORDAN BRUNO GENTA: Pedagogo do “¡O juremos con gloria morir!”

Por: Mario Caponnetto


Jordan Bruno Genta
(2 de outubro de 1909 - 27 de outubro de 1974)

Certa ocasião o Padre Leonardo Castellani, ao dedicar a Jordán Bruno Genta um exemplar de seu livro Martita Ofelia y otros cuentos de fantasmas, estampou, com sua letra tão inimitável como seu talento: "A Jordán B. Genta, pedagogo del ¡O juremos con gloria morir!". Se levarmos em conta que, então, Genta era um jovem professor universitário, não é difícil advertir que a dedicatória, ademais de justa, resultou profética. Pois não só, no transcorrer do tempo, Genta mesmo morreria com glória - a glória dos mártires- senão que todo seu dilatado magistério estaria dedicado, além de buscar reabilitar a inteligência argentina, foi formar homens (sobretudo soldados) capazes de morrer com glória. O exemplo mais notável foram os pilotos da Força Aérea Argentina na Guerra das Malvinas. Não o dizemos nós: disseram os próprios ingleses.
Jordán B. Genta constitui um modelo autêntico de mestre cristão. Foi um pedagogo; e um pedagogo de raça. Assim testemunha um dilatado magistério de mais de quarenta anos que começou desde tenra idade e culminou com sua morte, sua última e mais excelsa lição.
Reunia em suas aulas uma multidão de pessoas de condições diversas que acudiam atraídas pela clareza de seu pensamento, a riqueza de sua doutrina e sua personalidade cativante. A palavra viva era o coração e o centro de sua pedagogia (a "pedagogia do verbo", gostava de chama-la) pois conhecia muito bem o poder arrebatador da palavra sobretudo quando ela é imagem do Verbo, do Logos Incriado.
Bebia na fonte dos clássicos e dava de beber a seus alunos a água dessa mesma fonte; por isso o texto frontal, direto, era o centro congregante de suas aulas. Mas a pedagogia de Genta não apontava para formação da inteligência (a "reabilitação da inteligências nos hábitos dos metafísicos" e o exercício da "nobre arte das definições", como costumava dizer) senão que se dirigia, ademais, a formação inteira do caráter na imitação dos grandes arquétipos. O santo, o herói, o poeta, o sábio: tudo quanto há de eminente, de egrégio, de expressão cabal de superioridade humana, colocava e propunha Genta em suas aulas, convencido da atração irresistível que o arquétipo exerce sobre as almas.
Por isso sua pedagogia foi, por sua vez, pedagogia do verbo e pedagogia dos arquétipos
Mas, posto que Genta foi acima de tudo um mestre cristão, sua pedagogia não pode ser senão cristocentrica porque Cristo é o Verbo Encarnado e o Supremo Arquétipo. Esta pedagogia teve, pois, em vista a formação de autênticas superioridades e hierarquias sociais e intelectuais, homens e mulheres lúcidos, capazes de buscar, conhecer e amar a verdade e dispostos a defende-la mediante o testemunho, ainda que a custa da própria vida. "Filosofar é aprender a morrer" costumava repetir com frequência.
No entanto, sabe-se, também, que esta pedagogia - que em sua última ratio apontava à eternidade - teve, não obstante, uma envergadura temporal e histórica concreta pois ela não se entendia sem sua essencial referência e ordenação para a Argentina, ao seu tempo, ao seu drama e ao seu destino. Foi um pedagogia que abraçou, em síntese admirável, dois amores: Cristo e a Pátria. Genta amou a Argentina com um amor que ele mesmo não trepidou em qualificar de "amor exacerbado" frente a Pátria em perigo extremo de dissolução. Por isso, a medida que esse perigo foi incrementando-se até alcançar uma magnitude insuspeita no cenário da Guerra Revolucionaria que foi imposta ao país desde fora com a cumplicidade de atores locais, esse amor exacerbado alcançou, também, seu cimo. Os anos finais do magistério de Genta são um testemunho vivo disto que dissemos. Seus escritos, suas conferências, suas lições adquiriram um tom profético, um chamado gratificante as forças naturais de resistência as quais convocou ao combate em defesa da Cidade assediada
A mais de três décadas de sua morte como mártir, Genta resulta, hoje, mais atual que nunca, nesta Argentina assediada, já não pelos exércitos dos partisans, senão, pelas forças obscuras de uma dissolução gradual e sustentada que vai minando e corroendo as almas e as instituições.
É esta hora de velar, de vigília atenta. Estamos de guarda. Que a vida e a obra de Jordán B. Genta nos inspirem, pois, e nos ajudem a fazer realidade - se assim Deus nos pede - a estrofe do Hino: "O juremos con gloria morir".

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Tradução: Fernando Rodrigues Batista

quarta-feira, 16 de julho de 2014

MINHA CÁTEDRA É MINHA PALAVRA

“Minha cátedra é minha palavra, e é também minha vida. Minha palavra compromete somente a mim: eu não falo respaldado por alguma instituição, nem por alguma força. Não tenho outro compromisso além da verdade, e sou inteiramente tributário à ela. Por isso rogo a Deus que ajude em minha debilidade para ser fiel até a morte aos princípios egrégios da filosofia ocidental. Vamos nos ocupar da religião, da pátria e da família. Três princípios de vida verdadeira, íntegra e plena; três causas intimamente próximas no desenvolvimento, na formação e atuação da pessoa humana; três instituições necessárias e imprescindíveis para que o homem possa existir em conformidade com seu ser e com o fim último de sua existência. Estas instituições são tão primordiais porque elas nos vinculam à origem e, ademais, nos outorgam a dignidade de um homem”.


____ Jordán BRUNO GENTA (1909-1974). Filósofo e mártir argentino, assassinado, tal qual ocorrera com seu amigo e compatriota Carlos ALBERTO SACHERI, com 11 tiros, pela guerrilha marxista argentina, em um domingo, dia 27 de Outubro de 1974, Festa de Cristo Rei, quando saia de sua casa para assistir a Santa Missa.