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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O AGNOSTICISMO DA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM

Meu querido amigo, Frei Victorino Rodríguez, O.P., que acaba de partir para a Casa do Pai, publicou uma crítica detalhada à Declaração [dos direitos do homem] de 1948 quando se cumpriram quarenta anos de sua proclamação. Minha coincidência profunda com sua crítica me obriga agora a citar com frequência seu excelente trabalho. Antes de tudo é necessário insistir na concepção não-metafísica do homem, o que implica ignorar os deveres naturais, raiz de todos os direitos. O agnosticismo da Declaração – que tão só exige como “fundamento” a liberdade individual e o mero “consenso social” – a impede de sustentar o direito à verdade e à veracidade e a conduz à absolutização da liberdade e da igualdade, deformadas como arbitrariedade e como igualitarismo que caracterizam-se por confundir a igualdade essencial com as desigualdades acidentais. De minha parte, demonstrarei que a liberdade (perfeição da vontade prévia a todo direito) é substituída por seu contrário que é a arbitrariedade individual; a igualdade especifica é substituída pela “igualação” ou igualitarismo contranatura; a fraternidade sustentada na igualdade essencial e na imagem e semelhança de Deus Criador é substituída por uma abstrata e não fundada “fraternidade” de fato inexistente. Os conceitos cristãos de liberdade, igualdade essencial e fraternidade, foram substituídos por seus contrários “iluministas” das jornadas de 1789.
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Alberto CATURELLI. Los derechos del hombre y el futuro de la humanidade, Revista Verbo, Madri, p. 10.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O MUNDO NOVO

“O ato do descobrimento, inicial e progressivo, se produziu no presente da consciência de um homem que reponde a seu próprio nome: Cristóforo, ‘o que leva a Cristo’, o Almirante, que sempre se auto-considerou como mensageiro da Providência, um enviado obediente que leva a Palavra. Daí que o descobrimento do Novo Mundo tenha sido um ato da consciência cristã, consciência sobrenatural iluminada pela fé e dirigida à Cristo! É a consciência do homem ‘novo’ do Evangelho da ‘nova criatura’ de São Paulo, mariana, missionária e evangelizadora, desmistificadora e transfigurada do mundo pré-colombiano. Consciência descobridora que implica o grego, o romano e o hispano sobrelevado tudo pela tradição cristã... Com o descobrimento do Novo Mundo pela consciência cristã (que á a consciência da cultura grego-romano-ibérico e católica) começava o período da hispanidade”.



___ Alberto CATURELLI. El Nuevo Mundo, México: Universidad Popular del Estado de Puebla (México) y EDAMEX (Editores Mexicanos Asociados), 1991.

domingo, 30 de março de 2014

AUTORIDADE E OBEDIÊNCIA

O exercício da autoridade deve ser santificador desde o pai de família até o governante político, porque em todos os graus, deve ser exercida segundo o Modelo de todo governante que é Cristo, Rei de Reis. Não se veja exagero em minhas palavras, porque é o mínimo que Deus pede ao sujeito da autoridade. Tampouco deixemos nos impressionar pelos muitos exemplos de corrupção e anti-testemunho dos sujeitos indignos da potestade; na verdade, a auto-suficiência mundana do governante se apropria indevidamente, usurpa e rouba a autoridade como se fosse absolutamente sua: é o pecado essencial do totalitarismo, porque se apropria da potestade divina, inverte o seu sentido e a desorienta colocando-a ao serviço de si mesmo. Pecado verdadeiramente satânico porque é imitação fiel da atitude do “deus deste mundo” que quer que toda autoridade provenha apenas do homem e, no fundo, de si mesmo. É a reiteração do pecado original, porque se o homem é como Deus (Gen., 3,5) então toda autoridade se torna definitivamente secular. Os atuais planos e realizações conducentes a uma “nova (na verdade velha) ordem do mudo”, são satânicos. Devemos proclamar e reiterar. Por outro lado, o acontecimento da morte salvadora de Cristo, livrou o homem do despotismo do pecado; por isso, assim como a autoridade temporal exercida despoticamente contra o homem oprime o retira a sua liberdade, o exercício cristão da autoridade (que implica ordem, disciplina, sacrifício) abre o âmbito da verdadeira liberdade. O exercício da autoridade (por um sujeito cristão) não só não é tolhido com a liberdade, senão que é a fonte viva e a expansão da liberdade. Quando São Paulo diz que somos “chamados a liberdade” (Gal 5, 1), é verdade que se referente à libertação do pecado por Cristo, mas esta libertação inclui a todo sujeito de autoridade, desde o pai de família até o governante, que coloca a potestade ao serviço da verdadeira libertação do homem. Do que se segue a sacralidade a necessidade de obediência. O Modelo é Cristo, o Obediente ao Pai; na verdade, a obediência de Cristo é a mesma libertação ou salvação do homem. Ele nos ensina não somente a obediência ao Pai senão que, com ela e por ela, nos ensina também a obediência à toda autoridade participada legítima: em nome de Cristo, devemos, pois, obedecer aos pais, aos mestres, ao superior, ao governante; mas também em seu Nome sabemos que, quando exercem a autoridade contra a lei de Deus, temos o dever de “obedecer a Deus antes que aos homens” (Atos 5,29), ainda que essa “desobediência” obediência implique a glória do martírio. 
Alberto CATURELLI. La autoridad y La obediencia. Revista Verbo, ns. 341-342, pp. 70-71.

segunda-feira, 17 de março de 2014

O ESPÍRITO DO MUNDO

“O espírito do mundo, o ‘consenso’ geral, o relativismo invasor, o sentimentalismo, a intolerância da ‘tolerância’, se assemelham a uma maré sem refluxo, que cresce sem cessar, que nos cobre, nos cala, nos afoga até deixar-nos sem palavras”.
Alberto CATURELLI. La moral católica del matrimonio y la familia, Revista Gladius, número 54, 2002, p. 109.