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sexta-feira, 28 de março de 2014

CRISTIANISMO DEGENERADO

O cristianismo dessobrenaturalizado é o mais poderoso fator de destruição da natureza do homem e da sociedade. Conforme o célebre verso de Péguy relativo ao primado do dinheiro no mundo moderno, se pode afirmar que, em razão de um cristianismo degenerado, laico, humanizado ou hominizado, o Estado se apoderou do lugar que Deus ocupava. O gênio de Nietzsche viu com olhos de águia: “A democracia é o cristianismo naturalizado”, é a projeção na natureza social do homem de um elemento de dissociação que a destrói e que conseqüentemente destrói o próprio cristianismo. A graça, sempre pessoal, ao já não encontrar natureza humana aonde implantar-se, cai em um lugar pedregoso, conforme a parábola evangélica.
Marcel de CORTE. De La sociedad a la termitera pasando por la “disociedad”.

DEMÊNCIA PROGRESSISTA

O progressismo, deixando a tradição, a síntese tomista, os velhos argumentos da escolástica, busca uma nova cimentação da fé religiosa, um diálogo ecumêmico, com o mundo materialista e ateu, uma transação decorosa entre a verdade e o erro, entre a religião de Cristo e seus mortais inimigos: religião na negação da religião, teísmo e espiritualismo no ateísmo e materialismo, liberdade na escravidão, paz em meio à guerra. Essa a incoexistência pacífica, religiosa, social, política, econômica e moral, que o progressismo sonha, busca e trata de realizar em sua demência. 
J. Saenz ARRIAGA. El antisemitismo y el Concilio Ecumenico, Buenos Aires: Nueva Orden, 1964, p. 52.

quarta-feira, 26 de março de 2014

A DESPOETIZAÇÃO DA VIDA E DO MUNDO

 “O processo lento de afastamento de Deus que vem de séculos atrás, se faz vertiginoso no curso deste século... Mas não creio que se tenha falado... sobre este processo de dessacralização da vida e do mundo, de um processo que chamaria de despoetização da vida e do mundo, um processo de prosificação universal. Séculos atrás a vida podia ser mais rude, menos confortável, mas acaso era mais poética, ou ao mesmo tempo mais mística e mais poética. A relação do homem com a terra, com a natureza, com a história, com universo era sentida não só como misteriosa, senão como poética, quer dizer, criadora, sensivelmente atrativa”. 

Adolfo de OBIETA (1912-2002). Despoetización del Mundo.

segunda-feira, 24 de março de 2014

O NOVO EVANGELHO DO MUNDO SE ESTÁ ESCREVENDO EM UM PRESÍDIO

“Os governos não são competentes para impor uma pena ao homem senão na qualidade de delegados de Deus. Só em nome de Deus podem ser justos e fortes. E quando começam a secularizar-se ou apartar-se de Deus, afrouxam na penalidade, como se sentissem que diminui seu direito. As teorias laxas dos criminalistas modernos são contemporâneas da decadência religiosa, e seu predomínio nos códigos é contemporâneo da secularização das potestades políticas. Os racionalistas modernos chamam ao crime desventura: dia virá em que o governo passe aos desventurados; e, então, não haverá outro crime senão a inocência. O novo evangelho do mundo se está escrevendo em um presídio. O mundo não terá senão o que merece, quando for evangelizado pelos novos apóstolos”.


Juan DONOSO CORTÉS. Ensayo sobre el catolicismo el liberalismo y el socialismo, Tomo II, Cap. VI.