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terça-feira, 29 de julho de 2014

O MITO DO HOMEM NOVO

“O mito do homem novo é uma nova religião; secular, artificial e artificiosa. Seus princípios radicam no artificialismo que corre por toda a cultura europeia desde o contratualismo político. Se baseia na ideia de que o homem pode construir praticamente tudo. Nesta nova religião, a ideia de Deus está completamente apagada”.


___ Dalmacio Negro Pavón, catedrático espanhol e membro da Real Academia de Ciências Morais e Políticas, em seu livro “El mito del hombre nuevo”.


quarta-feira, 23 de julho de 2014

BARBÁRIE DA ALMA

“Marcel de Corte não se equivocava ao afirmar que as civilizações não morrem pelo impacto dos bárbaros de fora, mas pelo influxo de uma decomposição interna que se chama barbárie da alma, e como bárbaro significa estranho, pela introdução em nós de um elemento estranho que faz romper as fronteiras do humano. O mais trágico é que nossos contemporâneos sentem-se eufóricos, crendo haver chegado a 'plenitude dos tempos'. Justamente agora, quando se anuncia 'o fim da história', está se projetando o que pomposamente se chama 'A Carta da Terra', um programa político da 'Cúpula da Terra'. Referindo-se a ela disse Gorbachev, um de seus principais promotores que, o mecanismo a ser usado será a substituição dos Dez Mandamentos pelos Princípios contidos nesta 'Constituição a Terra'. Dezoito são estes 'princípios', o novo Credo aonde se inclui o feminismo, a homossexualidade, o aborto, a saúde reprodutiva. Desditado homem de nosso tempo! Não se encaminha precisamente para o ‘cume’ senão para o ‘abismo’”.

____ Pe. Alfredo SÁENZ. El hombre moderno: Descripción fenomenológica, Editorial Gladius, p. 88.


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terça-feira, 25 de março de 2014

UMA ÉPOCA DE DESFUNDAMENTAÇÃO

“A época contemporânea é uma época de desfundamentação. Isso se deve ‘à perda da realidade’. É uma época amorfa, incapaz de produzir um estilo e um tipo humano característicos. É também uma época ocasionalista caracterizada por produzir toda espécie de substituições inspiradas na boa nova da religião secular da modernidade herdada do humanismo. A substituição principal, que abre a porta para todas as demais, é a do princípio de transcendência pelo de imanência. Isto desfundamenta a anterior visão da realidade sem, no entanto, ter sido capaz de estabelecer uma nova fundamentação. Dai que seja também uma época niilista. O impulso veio, efetivamente, do humanismo, cuja fé na capacidade de conhecer e de fazer do homem, suscitou a esperança em conseguir, por fim, o estabelecimento da Cidade Perfeita. Seria uma Cidade do Homem constituída por homens novos nos quais a virtude da solidariedade, virtude do homem exterior, substitui a caridade, virtude do homem interior. Esta religião veio à luz na Revolução francesa, competindo desde então com o cristianismo: a fé no homem substitui a fé em Deus, a fé no homem novo substitui a fé em Cristo, e o Reino do Homem substitui o Reino de Deus. A moral desta religião do homem emancipado é o humanismo e sua igreja o Estado-Nação, um Estado Moral. Dizia Heinrich Heine: ‘wir wollen hier auf Erden schon das Himmelreich errichten’ (queremos alcançar já aqui na terra o Reino do Céu). Após a revolução, o humano é, miméticamente, o deus do homem (Feuerbach). O humano se diviniza como Eu romântico, sendo a humanidade o demiurgo revolucionário (C. Schmitt). Por trás disso está o mito do nostálgico estado de natureza rousseuniano”.


Dalmacio NEGRO PAVÓN. Política y facciones: la guerra de todos contra todos. Revista Verbo.