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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A NAÇÃO

“A nação é o passado, o presente, e o futuro. Assemelha-se a uma árvore, que não pode dar fruto se não recebe a seiva que lhe vem das raízes. Essa seiva, no caso das nações, é a tradição, elemento por excelência caracterizador de cada uma delas. Povos sem tradição tornam-se arvores secas, figueiras estéreis. A tradição nos dá o elemento essencial de uma nação por ser esta uma comunidade de herdeiros, recebendo e devendo transmitir o legado dos antepassados. Transmitir ou entregar na expressão latina ‘tradere’. Donde tradição, uma entrega constante. Tradição não é conservação estática, mas dinamismo do movimento, do progresso, da vida. Tradição que, por isso mesmo, vem do passado e tem os olhos voltados para o futuro. E que no dizer do grande historiador chileno Jaime Eyzaguirre, ‘não é uma nostalgia, mas uma esperança’”.
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José Pedro GALVÃO DE SOUSA. O transnacionalismo hispano, uma doutrina para as américas, revista Verbo, n. 157, Madri, p. 859.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

O SÉTIMO MANDAMENTO E A CONDENAÇÃO DO COMUNISMO

“O sétimo Mandamento consagra o direito de propriedade. A propriedade privada é legitima em face da lei natural e da lei divina positiva. Por isso, neste Mandamento está condenado o comunismo como sistema econômico (além de o ser pela sua ideologia materialista), pois ele transfere a propriedade dos particulares para o Estado. Por esse motivo, os Papas Leão XIII e Pio XI, respectivamente nas Encíclicas Rerum novarum e Quadragesimo anno, fizeram ver que um católico não pode ser socialista (o que foi reiterado noutros documentos dos mesmos Pontífices)”.
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José Pedro GALVÃO DE SOUSA. Breve Catecismo Expositivo: para Conhecer e Viver as Verdades da Fé, Belo Horizonte: Edições Cristo Rei, 2013, p. 70.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O SURTO DA SOCIALIZAÇÃO TOTALITÁRIA

“A filosofia liberal e a do Estado totalitário são duas modalidades do imanentismo moderno no pensamento político. Aí temos, respectivamente, o imanentismo da liberdade e a divinização do Estado, concebido como um absoluto, como a encarnação da ideia ética. A liberdade, para os liberais, deixa de ser ordenada a um fim pessoal transcendente; e concretamente, na perspectiva do totalitarismo, ela resulta da total subordinação dos indivíduos e dos grupos ao Estado, isto é, ao fim imanente deste.
No primeiro caso, a dimensão social da liberdade desaparece. No segundo caso, o homem é inteiramente socializado numa completa ‘estatização’ da vida.
Uma das razões dos fracassos a que se têm exposto as democracias modernas, está em que seus regimes constitucionais, estruturados segundo os princípios do liberalismo desvinculam o homem dos grupos orgânicos, cujo fortalecimento preserva as liberdades e cujo desaparecimento ou enfraquecimento as deixam sem defesa. Em face de tais regimes de uma liberdade meramente abstrata, Hegel percebeu que nesses grupos as liberdades concretamente são asseguradas, mas, fazendo do Estado a síntese absorvente de toda a sociedade, preparou o monismo totalitário.
O liberalismo desconhece o princípio de subsidiariedade, fundado na autonomia dos grupos intermediários: em relação aos quais o Estado deve exercer uma função supletiva, para atender às suas deficiências. Por falta desse enquadramento social, abandona as liberdades individuais umas em face das outras, deixando-as, assim, desprotegidas para enfrentar a concorrência. Dessa forma, na competição da struggle for life, a liberdade dos mais fracos parece ante a dos mais fortes.
Daí facilmente se passa ao totalitarismo, pois o Estado encontra caminho preparado para exercer uma liberdade onímoda na direção da vida social, suprimindo a falta dos grupos e anulando as liberdades individuais.
Foi o cristianismo que ensinou ao mundo antigo o verdadeiro sentido da dignidade da pessoa humana e da liberdade em sua ordenação para o fim transcendente e sobrenatural do homem. Sob sua influencia floresceram as comunidades autônomas e se formaram as monarquias limitadas, anteriores à centralização do Estado moderno. O liberalismo foi a negação dessa transcendência e a perda da dimensão social da liberdade, propiciando o surto da socialização totalitária”.
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José Pedro GALVÃO DE SOUSA. A Liberdade em sua Dimensão Social, a Proposito da Distinção entre “Liberdade Abstrata” e “Liberdades Concretas”, in Filosofar Cristiano, Asociación Católica Interamericana de Filosofía, Revista Semestral, VIII-IX, n. 15-18, 1984-1985, p. 148-149.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

AO HOMEM NÃO CABE SEPARAR O QUE DEUS UNIU

“O verdadeiro amor consiste no desprendimento de si mesmo e na entrega à pessoa amada, sem medir sacrifícios. O que é verdade tanto do amor conjugal como dos amores materno e paterno. Amor não se confunde com paixão animal, segundo pensam os que fazem do prazer a meta da vida.... Se o amor pode nascer da fogueira de uma paixão, ele acaba por converter-se numa comunhão de almas e de vidas, caso contrário não terá passado de expressão de um refinado egoísmo.
(...)
Sacrifício: de sacrum facere. Os sofrimentos em comum, na vida matrimonial, têm o sentido de uma oblação. O matrimônio realiza-se na sua plenitude e torna-se fonte de verdadeira felicidade quando os sacrifícios que exige são oferecidos a Deus, na comum convicção dos cônjuges de que ao homem não cabe separar o que Deus uniu”.
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José Pedro GALVÃO DE SOUSA. O divórcio e a família do futuro. In. Hora Presente. Ano III – Maio/1971 - n. 9, p. 68-70.

domingo, 14 de agosto de 2016

NOSSA ADVOGADA

“Nossa Senhora é a nossa Advogada junto a Jesus Cristo e Medianeira de todas as graças. É chamada a Onipotência Suplicante, porque sendo a Mãe de Deus, é impossível que Deus não a ouça. Daí o grande valor da devoção a Nossa Senhora, cujos devotos ela protege qual a mais terna e carinhosa das mães. São Luís Maria Grignion de Montfort ensina que, assim como o Filho de Deus veio a nós por Maria, é por Maria que iremos a Ele.
E Dante, na belíssima oração à Virgem que põe nos lábios de São Bernardo (canto XXIII do Paraíso), diz que pedir graças sem recorrer a Maria equivale a voar sem asas”.
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José Pedro GALVÃO DE SOUSA. Breve Catecismo Expositivo: para Conhecer e Viver as Verdades da Fé, Belo Horizonte: Edições Cristo Rei, 2013, p. 52.

sábado, 9 de abril de 2016

A MUDANÇA DO ESTADO

 “Hoje o Estado dirige a economia e se passa por empresário; supervisiona a educação e administra o ensino em todos os níveis; intervém na vida da família e inclusive promove planos de controle de natalidade. Em plena monarquia absoluta – cujo apogeu na França coincidiu com o reinado de Luis XIV – o Estado não fazia nada disso, embora desse os primeiros passos na política de uma economia dirigida, pálida imagem da que atualmente temos ante nossos olhos. As autoridades sociais daquela época, embora já sem o poder e o prestígio que haviam gozado em séculos anteriores, desempenhavam, em sua esfera de ação, um papel de grande importância, o que implicava numa ampla descentralização na sociedade política. Se nos remontássemos a épocas mais distantes, veríamos o vigor com que essas autoridades sociais, nas monarquias cristãs da Idade Média, limitadas e representativas, cumpriam tarefas que ninguém imaginava que pudessem ser exercidas pelo soberano, ao qual correspondia salvaguardar o interesse de toda coletividade, manter a paz e fazer cumprir a justiça, sem imiscuir-se nem na organização do trabalho que incumbia às corporações de ofício, nem no ensino, nem na assistência social proporcionadas pela Igreja, nem nas Universidades que desfrutavam da autonomia que foi perdida com a intromissão estatal. Mas não era apenas isso. Até mesmo o poder de policia, a faculdade de tributação e a força armada escapavam das mãos do monarca, pois os senhores feudais mantinham a ordem pública em seus domínios, cobravam impostos e mobilizavam tropas quando ainda não haviam exércitos permanentes. Então, o que fazia o rei? Muito pouco. E onde estava o Estado: na verdade, eclipsou-se na sociedade feudal. A Idade Média, como já foi dito, foi a idade de ouro das comunidades, ao irradiar-se as funções do Estado no conjunto orgânico das sociedades. A fragmentação da soberania e a descentralização são as duas marcas características apontadas pelos juristas e historiadores ao caracterizar o feudalismo”.
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José Pedro GALVÃO DE SOUSA. El cambio del Estado, Revista Verbo, Madri, ns. 235-236, p. 595-596.



  

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

PORQUE DEUS SE CALA

Resenha do livro "El silencio de Dios" do saudoso filósofo espanhol, Rafael Gambra (Editorial Prensa Española, Madrid, 1968. Prólogo de Gustave Thibon), elaborada por José Pedro Galvão de Sousa.



Deixemos falar o próprio autor. Numa entrevista dada a propósito deste livro e publicada na revista Roca Viva, assim justifica Rafael Gambra o título do mesmo: "O título desse meu último livro faz referência ao silêncio que Cristo manteve diante de seus acusadores e diante dos que em sua vida humana lhe falaram para tentá-lo. Alude também ao silêncio com que Deus responde aos mais duros transes da vida espiritual humana, e a como o homem deve saber escutar e interpretar esse silêncio na profundidade da fé. Refere-se, enfim, à duríssima prova que para a sobrevivência da fé e da Cristandade está supondo isso que se chame hoje ‘experiência pós-conciliar’', à angústia daqueles que creem hoje perder a fé ou a esperança, enquanto Deus, uma vez mais, responde com o silêncio da sua dor''.
Mostra-nos o livro como nascem as civilizações históricas, mediante uma re-ligação transcendente, isto é, sobre bases sacralizadas, e como perecem por uma dissolução interior, decorrente de lenta erosão provocada pelo racionalismo, negador daquelas bases. Neste sentido, toma como ponto de partida o duplo conceito de engagement e apprivoisement, de Saint-Exupéry, para fazer o processo, à luz dessas noções, da civilização moderna tecnocratizada e paulatinamente desumanizada. Desligado de suas bases transcendentes, o homem acaba por se tornar também desligado dos "compromissos'' que o fazem participar da vida social no seu sentido mais profundo - o comunitário - e deixa de "domesticar'' os seres dos reinos inferiores que o cercam, tornando-se um estrangeiro no seu próprio mundo. Daí o fenômeno da massificação e as concepções mecanicistas do Estado de direito do liberalismo e do totalitarismo nivelador.
Na visão realista de Aristóteles, indivíduo e sociedade são "aspectos de um só ser: o homem concreto, que é ao mesmo tempo individual e social (natureza individual com radical tendência à sociabilidade), como demonstra o fato de que nunca se conheceram homens sem viver em sociedade, nem sociedade alguma que absorva a individualidade como nos grupos de animais gregários (formigueiros, enxames)''. O abstracionismo racionalista gerou primeiro a idéia do homem fora da sociedade, de Rousseau, inspirando o constitucionalismo liberal, e depois a concepção da sociedade absorvendo os homens, característica do Estado totalitário. Tanto para o liberalismo quanto para o socialismo, a sociedade passa a ser algo de extrínseco para o homem, sendo que no caso do socialismo o Estado a constrói como "um habitáculo técnico forjado mediante a organização e a adaptação dirigidas". A organização do Estado liberal cifra-se a uma técnica de convivência das liberdades, e a do Estado totalitário consiste no planejamento dos serviços e dos seguros abrangendo toda a via humana.
"Em face de tais concepções de fundo racionalista" - escreve Gambra - "a autêntica reivindicação humana se expressaria num impulso que, segundo seus diversos aspectos, poderíamos chamar corporativismo, institucionalismo ou comunitarismo histórico. A ordem social não se cifraria assim em criar ou manter um poder racional e neutro que vele só pela liberdade dos indivíduos ou que os proveja de meios e seguros. Mas, pelo contrário, consistiria em recuperar mediante o compromisso e a domesticação o universo existencial de grupos e de instituições capazes de conferir sentido histórico, cordial, à vida coletiva dos homens, e ao mesmo tempo defendê-la das supercriações do Estado racionalista planificador”. Assim, pôde escrever Camus num de seus últimos livros: "A verdadeira libertação do homem se apoiou sempre nas realidades mais concretas: a família, a profissão, o município, que fazem transparecer em seus limites o ser, o coração vivo das coisas e dos homens". Tal, enfim, a idéia de Saint-Exupéry, que concebe a cidade como o navio ou a mansão dos homens, "comunidade de laços, de recordações, de esperanças, onde cada passo e cada tempo tem sentido".

"Compromisso, domesticação (apprivoisement) e corporativismo histórico vêm a ser assim os correlatos dialéticos do que no século racional foram o individualismo, a atitude estética e o liberalismo".

São sempre estas as idéias que dirigem o fio das reflexões contida no presente volume: "Na entrega (compromisso) e no amor, o homem cria sua própria personalidade e seu mundo próprio. Na sua sêde ou seu fervor, e na domesticação de um mundo valioso e sagrado para êle, está o verdadeiro homem e o sentido de seus dias".
Belas páginas sobre a "aceleração da história" - tão bem estudada por Daniel Halévy e por Marcel de Corte - e um capítulo impressionante sobre "a jogralizaçao da fé", comentado estas palavras de João XXIII: "Não é culpado somente quem de modo deliberado desfigura a verdade, mas igualmente quem, para estar "em dia", a atraiçoa com uma atitude ambígua".
Em seu prólogo, Gustave Thibon assim se expressa: "Num século em que reina o conformismo do absurdo e da desordem, em que o ídolo da revolução permanente se converteu em centro de atração para os rebanhos de escravos teledirigidos, nada há de mais novo e mais insólito do que pregar o retorno às fontes e defender a natureza e a tradição".
Essa pregação tem sido uma constante na vida de Rafael Gambra. Em El silencio de Dios ele a retoma, em meio à amargura da hora presente, procurando sobrepor-se ao derrotismo e "esperar contra toda a esperança", segundo o conselho do Apóstolo, dando um brado veemente entre os "arautos e forjadores de uma futura reconciliação do homem com a Cidade; uma Cidade renovada cujos fundamentos re-ligados sejam aceitos na humildade, no amor, e nunca mais no orgulho racionalista dos "desmitificadores" da fé".
Clama, ne cesses... Este livro - diz ainda Thibon - é "um grito de alarma profético". A nós que não queremos fugir aos "compromissos" e ao apprivoisement, que queremos preservar a natureza e salvar os valores da tradição, cumpre-nos gritar até que a nossa voz se imponha e faça calar o linguajar bárbaro dos slogans condicionadores do pensamento teleguiado.
E um dia Deus romperá o seu silêncio.

José Pedro Galvão de Sousa.


Revista "Hora Presente" - Ano I - Janeiro/Fevereiro 1969 - Número 3

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

BEM COMUM

O homem procura os bens de que carece para a vida a fim de realizar a própria felicidade. Mas a felicidade completa não é possível neste mundo. E a posse dos bens temporais nunca chegará a satisfazer completamente o homem. Só a posse de Deus, na eterna bem-aventurança, dá ao ser humano a satisfação fotal e plena. Claro está, pois, que aqueles bens temporais não se devem opor (com o que não seriam verdadeiros bens), mas facilitar, à consecução da finalidade última para a qual fomos todos criados. O Bem Comum resulta das condições exteriores que a sociedade deve proporcionar aos seus membros: a paz ou ‘tranquilidade da ordem’ como a define Santo Agostinho; a garantia dos direitos de cada um; os bens materiais necessários à própria subsistência, postos ao alcance de todos, etc. Mas a felicidade é obra pessoal de cada um de nós, resulta de nossos próprios esforços. A sociedade não pode reparti-la entre seus membros e nenhuma ‘providência social’ pode assegurá-la para o futuro de cada indivíduo. Daó o dizer Taparelli: o Bem Comum é o bem social externo, coordenado ao interno e subordinado ao eterno.


José Pedro GALVÃO DE SOUSA. Iniciação à Teoria do Estado, São Paulo: José Bushatsky Editor, 1967, p. 24.


segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O VERDADEIRO SENTIDO DA DIGNIDADE E DA LIBERDADE

“Foi o cristianismo que ensinou ao mundo antigo o verdadeiro sentido da dignidade e da liberdade em sua ordenação para o fim transcendente e sobrenatural do homem. Sob sua influência floresceram as comunidades autônomas e se formaram as monarquias limitadas anteriores à centralização do Estado moderno. O liberalismo foi a negação dessa transcendência e a perda da dimensão social da liberdade, propiciando o surto da socialização totalitária.


____ José Pedro GALVÃO DE SOUSA. A liberdade em sua dimensão social. A propósito da distinção entre “liberdade abstrata” e “liberdades concretas”, In. Filosofar Cristiano. Revista Semestral, n. 15-16, Córdoba: Asociacion católica interamericana de filosofia, 1984-1985, p. 149.

O HOMEM É LIVRE PORQUE É CAPAZ DE DOMINAR SEUS PRÓPRIOS ATOS

“O homem é livre porque é capaz de dominar seus próprios atos, desde a deliberação até a execução. Ser livre é ser senhor de si mesmo. Nesse autodomínio está o sentido ontológico mais profundo da liberdade. Ora, como criatura racional que é, o homem está sujeito não apenas às leis físicas ou biológicas, que regulam o cosmo e os organismos vivos, mas também à lei moral, que o leva a praticar o bem e evitar o mal. Acontece que, quando ele se desvia da norma da moralidade, conhecida naturalmente pela sua razão, deixando-se conduzir por inclinações más e abusando de sua liberdade, acaba muitas vezes por escravizar-se aos próprios instintos, ou aos maus hábitos... Ou seja: não usando devidamente da liberdade, na subordinação desta à ordem moral, o homem vem a perde-la, tornando-se incapaz daquele domínio sobre si, característico essencial da liberdade”.
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José Pedro GALVÃO DE SOUSA. A liberdade em sua dimensão social. A propósito da distinção entre “liberdade abstrata” e “liberdades concretas”, In. Filosofar Cristiano. Revista Semestral, n. 15-16, Córdoba: Asociacion católica interamericana de filosofia, 1984-1985, p. 143.

terça-feira, 15 de julho de 2014

O HOMEM ESTÁ NESTE MUNDO DE PASSAGEM

"O homem está neste mundo de passagem, destinando-se a uma finalidade transcendente e superior aos objetivos temporais daquelas sociedades [família, município, associações, estado...]. Ele é um viadante na terra, criado para amar e servir a Deus e devendo preparar-se, na vida terrena, para ganhar a eterna bem aventurança. Os meios para alcançar a salvação, encontra-os numa sociedade que estabelece o laço entre o céu e a terra: a Igreja".


___ José Pedro GALVÃO DE SOUSA. Iniciação à Teoria do Estado. São Paulo: José Buschatsky, 1967, p. 11.


domingo, 23 de março de 2014

AS DIFERENTES SOCIEDADES

“Desde a família, que é a primeira e a mais natural das sociedades, encontramos toda uma sequela de organizações através das quais se manifesta a sociabilidade humana, afirmada por Aristóteles e negada pelos devaneios de Rousseau. É na verdade o homem, como dizia aquele filosofo grego, um ser eminentemente social, começando por viver em pequenas comunidades e depois alargando a sua esfera de ação em círculos mais amplos da vida coletiva. Desta forma, partido da família, e passando pelo município, as associações profissionais e outras de caráter econômico, as entidades culturais, grêmios esportivos, chegamos até ao Estado. Importa considerar que o homem está neste mundo de passagem, destinando-se a uma finalidade transcendente e superior aos objetivos temporais daquelas sociedades. Ele é viandante na terra, criado para amar e servir a Deus e devendo preparar-se, na vida terrena, para ganhar a eterna bem-aventurança. Os meios para alcançar a salvação, encontra-os numa sociedade que estabelece um laço entre o Céu e a terra: a Igreja”.


José Pedro GALVÃO DE SOUSA. Iniciação à Teoria do Estado, São Paulo: José Bushatsky, 1967, p. 10-11.

terça-feira, 18 de março de 2014

DO GOVERNO DAS PESSOAS À ADMINISTRAÇÃO DAS COISAS

“Mais do que nunca o governo das pessoas tende a ser deslocado pela administração das coisas, e conseqüentemente a sociedade política vai deixando de ser uma reunião de cidadãos para se transformar na massa de administrados. A automação e as modernas técnicas administrativas contribuem para acentuar tal fisionomia deste novo tipo de Estado, cujos traços são ainda mais fortes no Estado totalitário”.


José Pedro GALVÃO DE SOUSA (1912-1992). O Estado tecnocrático, São Paulo: Saraiva, 1973, p. 29.