“Os governos não são competentes para impor uma pena ao homem senão na qualidade de delegados de Deus. Só em nome de Deus podem ser justos e fortes. E quando começam a secularizar-se ou apartar-se de Deus, afrouxam na penalidade, como se sentissem que diminui seu direito. As teorias laxas dos criminalistas modernos são contemporâneas da decadência religiosa, e seu predomínio nos códigos é contemporâneo da secularização das potestades políticas. Os racionalistas modernos chamam ao crime desventura: dia virá em que o governo passe aos desventurados; e, então, não haverá outro crime senão a inocência. O novo evangelho do mundo se está escrevendo em um presídio. O mundo não terá senão o que merece, quando for evangelizado pelos novos apóstolos”.
"Ó Cidadela, minha morada, prometo salvar-te dos projetos de areia, e hei de bordar-te de clarins para tocarem na guerra contra os bárbaros". A. de Saint-Exupéry ("Cidadela", II)
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segunda-feira, 24 de março de 2014
O NOVO EVANGELHO DO MUNDO SE ESTÁ ESCREVENDO EM UM PRESÍDIO
A IMPUNIDADE LEVA À BARBÁRIE
O amor aos inimigos não exclui a luta contra a injustiça que está neles; antes, às vezes, a impõe... A injustiça é o dissolvente mais tenaz que existe. Uma injustiça não reparada é algo imortal. Provoca naturalmente no homem o desejo de vingança, para restabelecer o equilíbrio quebrado; ou mesmo a propensão de responder com outra injustiça... É, pois, exatamente, um veneno moral.
Padre LEONARDO CASTELLANI. Los
papeles de Benjamín Benavides. Bs. As., Dictio, 1978.
HOJE, O ADOLESCENTE LEVA UMA SENSAÇÃO DE ONIPOTÊNCIA
Eis o que eu queria dizer: - a origem do Poder Jovem está numa bofetada consentida, de filha em mãe, ou de filho em pai. Hoje, o adolescente leva uma sensação de onipotência. O homem maduro tem, por vezes, um olhar estrábico de pavor. Sim, o homem maduro traz o medo no coração...
Mas eis o que eu queria repetir: - o jovem não tem culpa nenhuma. Vítima de um processo de desumanização, ele é vítima também dos velhos. Numa das minhas confissões, referi um episódio que considero magistral. A coisa se passou com o padre Ávila. Certo rapaz, se não me engano aluno da PUC, cometeu uma vileza atroz com um amigo. O padre Ávila (espírito altamente compreensivo) foi interpelá-lo. Perguntou-lhe: ‘Você acha isso uma deslealdade?’ O adolescente pergunta: ‘É preciso ser leal?’ O bom sacerdote perdeu noites sem saber direito o que aquilo significava. E nem lhe ocorreu que, por trás do moço, explicando esse e outras lealdades, estava um velho conhecido nosso – o pulha. Ora, o ser humano não anda de quatro, nem está no bosque urrando à lua. E por quê? Resposta: - porque somos responsáveis. É a responsabilidade o nosso mistério e a nossa salvação. Os velhos começaram por suprimir os limites morais da juventude. O nosso Padre Ávila apreciou a canalhice do aluno ou conhecido, sei lá, com um espanto muito leve, quase imperceptível... Portanto, são os velhos, sacerdotes, psicólogos, professores, artistas, sociólogos que dão cobertura à imaturidade. Os jovens são o certo, o direito, o histórico, o infalível.
Nelson
RODRIGUES. A cabra vadia, Rio de Janeiro: Eldorado, pp. 298-299.
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