Mostrando postagens com marcador Coletivismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Coletivismo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 3 de abril de 2014

AI DA IMPRENSA

“Ai, ai, ai da imprensa! Se Cristo voltasse ao mundo, Ele – tão certo como eu estou vivo – não teria como adversários os Sumo Sacerdotes, senão os jornalistas”.

Sören KIERKEGAARD. Diario, Tomo X, p. 258.


sexta-feira, 28 de março de 2014

O HOMEM MODERNO

Dizíamos que este homem moderno desarraigado é fruto do grande processo revolucionário do mundo moderno. Não em vão aquelas duas revoluções a que acabamos de aludir [a francesa e a russa], e que tiveram a Europa por cenário, tentaram dissociá-lo de todas as suas re-ligações: de sua família, de sua profissão, de sua terra, de sua pátria, imaginando a sociedade política como um absoluto, diagramado por pensadores de gabinete, desenhado sobre uma mesa de escritório. A primeira revolução simbolizou concretamente dito projeto na famosa Lei Chapelier, que desligava o homem das corporações artesanais, para entregá-lo à segunda revolução que o obrigou a adaptar-se ao molde estatal. O homem ficou cada vez mais só e inerme ante um Estado cada vez mais onipotente, sem raízes nas famílias, nas associações intermediárias, na pátria, em Deus. 
Alfredo SÁENZ. El hombre moderno, descripción fenomenológica, Buenos Aires: Editorial Gladius, p. 08. 

sexta-feira, 21 de março de 2014

O HOMEM AUTÔMATO

“Sinto-me hoje profundamente triste – e triste em profundidade. Sinto-me triste por causa da minha geração, vazia de toda substância humana, geração que só conheceu o bar, as matemáticas e os Bugatti como forma de vida espiritual e se entrega hoje a uma ação estritamente gregária, que já não tem cor alguma... Não lhe parece que já não se pode viver de frigoríficos, de política, de balanços e de palavras cruzadas? Não podemos mais. Não se pode viver mais tempo sem poesia, sem cor, nem amor... Desculpe-me, mas já só nos resta a voz do autômato da propaganda. Dois milhões de homens já só ouvem o autômato, já só compreendem o autômato, convertem-se em autômato... O homem autômato, o homem térmita, oscilante entre o trabalho em cadeia segundo o sistema de Bedeau e a bisca... o homem castrado do seu poder criador e que, do fundo da sua aldeia, nem sequer já sabe criar uma dança nem uma canção. O homem que se alimenta de cultura confeccionada, de cultura ‘standard’ como os bois se alimentam de feno. O homem de hoje é isso”.

Antoine de SAINT-EXUPÉRY (1900-1944). Carta ao General “X”. 


terça-feira, 18 de março de 2014

A TECNIFICAÇÃO DA VIDA


“A prodigiosa explanação da técnica nos últimos dois séculos e principalmente nos últimos decênios resultou da concentração de todas as energias humanas num só de seus rumos possíveis. O sentido das ideologias da técnica consiste em manter inflexivelmente esse rumo único. Qualquer desvio, qualquer concessão ao que não é rigorosamente operacional, pode pôr em perigo o processo todo. Por isso está o homem agora saturado de explicações – niveladas e homogêneas – de sua própria realidade interna e externa. Seu senso crítico foi previamente abatido pela sua instrução, minuciosamente especializada. Suas verdadeiras angústias, suas inquietações metafísicas e estéticas são mascaradas e rotuladas como neuroses e paranóias. Seu comportamento é estereotipado pelos meios de comunicação. É vitima de uma luta sem tréguas contra o valor e o sentido de sua pessoa: poderosas correntes de idéias ensinam-lhe que sua consciência individual não tem realidade em si, não passando de um fogo fátuo da consciência coletiva ou da consciência de classe. E como para justificar as ideologias que o anulam, sua vida se passa toda na inautenticidade dos grupos anônimos, onde ele é um ingrediente, não uma pessoa. Se lhe sobrasse ainda uma réstia de liberdade, seu dilema consistiria numa dramática escolha entre sua negação no coletivo e sua afirmação como pessoa autêntica; esta pressuporia, acima da existência banal, acima do mundo-à-mão da técnica, a plena consciência de sua finitude, de sua angústia e de seu ser-para-a-morte. Mas este seria também o caminho de sua salvação”. 

Heraldo BARBUY. Preâmbulo sobre a técnica, 1976.

segunda-feira, 17 de março de 2014

A ABOLIÇÃO DO ESPÍRITO

“[Aldous Huxley] quis mostrar uma sociedade ‘cientifica’ que não deixou nem rasto do direito natural nem da velha preocupação da justiça, uma sociedade na qual o ingênuo se sacrifica à coletividade, aonde se encontram todas as comodidades materiais e já não se experimenta a necessidade de algum tipo de assistência espiritual, porque, com uma sagaz utilização dos reflexos condicionados, se suprimiram as tendências espiritualistas do homem. Em uma palavra, se eliminou a dor moral e a angustia metafísica mediante a abolição do espírito. É o regresso do homem a uma existência puramente animal”.
R. P Alfredo SÁENZ. El Nuevo Orden Mundial en el pensamiento de Fukuyama, Ediciones del Pórtico, Buenos Aires: 2000, p. 118.