quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O SÉCULO DAS LUZES

“O século XVIII é o século das luzes, do deísmo inglês, da ilustração francesa, do iluminismo alemão, é um importantíssimo episódio deste combate secular contra Cristo e contra todo o cristianismo”.


don Lucas GARCÍA BORREGUERO, cônego de Segovia.




segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

A BUSCA INCESSANTE DA "NOVIDADE"

Uma das características fundamentais da época em que vivemos é a aficção desmedida às novidades, às inovações e às originalidades. As palavras “novo”, “moderno” e “revolucionário” são epítetos empregados com êxito nas propagandas desenvolvidas para tornar aceitáveis ideias originais ou extravagantes e para suscitar o consumo dos mais variados produtos comerciais. Agora estas palavras carregam uma carga emocional que atrai a juventude a parece seduzir bembém os menos jovens que para não ficarem para trás se deixam amiúdo arrastar docilmente pelo toverlinho da mudança irreflexiva. Até mesmo nas atividades humanas que pareciam mais estáveis, definitivas e refretárias às transformações, se introduziram os agentes do “inovacionismo” e assim se fala agora de uma “nova liturgia” e da “matemática moderna”, e colocamos em parelelo estas duas expressões, pois nos parece que, uma no sagrado e a outra no profano, representam dois dos mais aldazes avanços do espírito modernista em domínios que até agora se haviam considerado como formando parte da “sacta sanctorum” das tradições da humanidade. Por ora o reformismo triunfa em toda a linha e nos mais variados campos através de uma hábil propaganda que mescla sem discriminação os indubitáveis benefícios de muitas inovações com outras mudanças e originalidades muito mais discutíveis. Nos postos chave de muitas administrações se tem introduzido na maioria dos países elementos messiânicos, cuja boa fé não nos corresponde colocar em duvida, mas que se inspiram na ideia simplista de que toda mudança ou modernização é sinônimo de progreso eque este é tanto mais acusado e benéfico quando mais drástica é a ruptura com o passado que se qualifica, no mais das vezes, precipitadamente de rotineira e estática. Os ousados que se atravem a apor-se à semelhantes ações e inovações, as vezes comparáveis com a passagem de um rebanho de búfalos sobre um armazém de valiosas porcelanas, são qualificados com os epítetos infamantes de “imobilistas” e “reacionários”, de “conservadores” e “retrógrados”. Só são permitidas algumas discretas retificações no trajeto que seguem os búfalos, com a condição de não se olvidar de saldar-lhes amavelmente quando passam e fechar os olhos aos destroços que causam. 


Julio GARRIDO MARECA († 14-5-1982). Las matematicas y la realidad: consideraciones sobre la "matemática moderna" y la reforma de la enseñanza, Revista Verbo, Madri, p. 391-392.

A DOGMATICA MARXISTA

O ódio ao passado, o ódio à tradição são faceis de suscitar entre os jovens irreflexivos; estes sentimentos transformam-se com facilidade em ódio à Igreja e fatalmente em ódio a Deus, desembocando facilmente no ateísmo militante e na aceitação da totalidade dos dogmas marxistas... Os sentimentos de esperança que suscita o marxismo se fundamentam nos princípios hedonistas quando não se espera nada após a vida terrena e se nega a existencia de recompensa e castigos de parte de uma justiça transcendente. Surge assim outro grupo de sentimentos de base hedonista que serve para desenvolver o filomarxismo. A inclinação natural do homem para a fuga da dor e de buscar o prazer, quando não temperada por uma ideia de submissão à uma autoridade transcendente de ordem superior, leva facilmente ao hedonismo. Se o hedonismo é combinado com a esperança futurológica adquire um atrativo singular. Estes sentimentos levam à aceitação do dogma da panevolução e facilmente a um entusiasmo pela ação. Depois passa facilmente ao ateísmo...  Quando o hedonismo se tinge de filantropia desemboca com frequência na utopia. Resulta assim um tipo de filomarxista essencialmente débil, pois seus seguidores, quando observam a diferença existente entre a realidade e o que haviam imaginado com seu otimismo irreflexivo, se convertem frequentemente em inimigos do marxismo.


Julio GARRIDO MARECA. Criticas Cientificas a la dogmatica marxista. Revista Verbo, n. 137-138, Madri, Ago-Out de 1975, pp. 984-985.

                   Julio GARRIDO MARECA (1911-1982)

BEM COMUM

O homem procura os bens de que carece para a vida a fim de realizar a própria felicidade. Mas a felicidade completa não é possível neste mundo. E a posse dos bens temporais nunca chegará a satisfazer completamente o homem. Só a posse de Deus, na eterna bem-aventurança, dá ao ser humano a satisfação fotal e plena. Claro está, pois, que aqueles bens temporais não se devem opor (com o que não seriam verdadeiros bens), mas facilitar, à consecução da finalidade última para a qual fomos todos criados. O Bem Comum resulta das condições exteriores que a sociedade deve proporcionar aos seus membros: a paz ou ‘tranquilidade da ordem’ como a define Santo Agostinho; a garantia dos direitos de cada um; os bens materiais necessários à própria subsistência, postos ao alcance de todos, etc. Mas a felicidade é obra pessoal de cada um de nós, resulta de nossos próprios esforços. A sociedade não pode reparti-la entre seus membros e nenhuma ‘providência social’ pode assegurá-la para o futuro de cada indivíduo. Daó o dizer Taparelli: o Bem Comum é o bem social externo, coordenado ao interno e subordinado ao eterno.


José Pedro GALVÃO DE SOUSA. Iniciação à Teoria do Estado, São Paulo: José Bushatsky Editor, 1967, p. 24.


A ESSÊNCIA DA REVOLUÇÃO

O homem, que considerava autônoma sua razão e livre sua vontade para construir o mundo conforme lhe ditava aquela, não queria, não podia nem sabia suportar uma religião que anunciava a existência de um Deus pessoal, criador de todas as coisas e da ordem que as governe, acima da razão e da vontade humana; de uma religião que reconhece o pecado original do homem, tentado pela serpente com o “sereis como deuses”, e redimido pelo sangue derramado pelo mesmo Deus, feito homem na pessoa de seu Filho, encarnado por efusão do Espírito Santo na Virgem Maria; de uma religião que requer o sacrifício e a caridade – como forma mais elevada do amor – para a boa ordem das sociedades e instituições humanas. Tudo isso não pode ser suportado pela soberba do “sereis como deuses” redivivos.


Juan VALLET DE GOYTISOLO. Qual a essência e as consequências básicas da Revolução Francesa. Revista Verbo, Madri, n. 281-282, p. 150.

                Juan VALLET DE GOYTISOLO (1917-2011)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A PEDAGOGIA DO HOMEM ESSENCIAL

Frente à Pedagogia da mediocridade e do ecletismo, frente à proposta de um self-made man sem mais compromissos senão desfazer-se deles, frente à moral autônoma e a prescidência magisterial, frente aos pensamentos moveis e à anormalidade homologada com o normal, frente à todas as formas de imanentismo, reducionismo e massificação, frente à destruição da vida contemplativa com as maquinas de ensinar e os programas de controle remoto, frente – em suma – à Pedagogia Moderna, é necessário, urgente, impostergável, reconquistar a Pedagogia dos Arquétipos.
Tudo já foi provado; resta provar a Verdade.
Um ensino fundado no senhorio sobre si mesmo – que não é outra coisa que a verdadeira liberdade -, na renúncia e na obediência, na concepção da vida como um ato de serviço; um ensino sustentado nos mais altos valores especulativos e nas mais licitas preocupações concretas.
Pedagogia do homem essencial, portador de um destino transcendente; Pedagogia da virtude e do Patriotismo; da Ordem Natural e do realismo; Pedagogia da Cruz e não da foice e do martelo, porque uma não se salva nem engrandece com as saídas laborais e os avanços técnicos, mas – como dizia Marechal –

“cuando traza la cruz en su esfera durable; la Cruz tiene dos líneas: ¿cómo las traza un pueblo? con la marcha fogosa de sus héroes abajo (tal es la horizontal) y la levitación de sus Santos arriba (tal es la vertical de uma Cruz bien lograda)”

A resposta adequada deve partir de uma atitude metafísica. Não basta resolver problemas conjunturais por importantes que pareçam. Mas, ademais -  e isto é decisivo -, esse movimento da alma para o Exemplar que suscitam os Arquétipos, não só incide no próprio aperfeiçoamento pessoa e social mas tem seu desenlace obrigatório, sua coroação, diríamos, no conhecimento e imitação do Arquétipo por antonomásia, a Causa Exemplar, Modelo e Modelador, guia e matriz de tudo o que existe: Deus.



Antonio CAPONNETTO. Pedagogía y educación: la crisis de la contemplación en la Escuela Moderna. Colección Ensayos Doctrinarios. Buenos Aires: Cruz y Fierro Editores, 1981, pp. 256-257.


O VALOR DA PALAVRA

A arte divina da Criação tem sua analogia mais próxima no ato de afirmar o que é ou intuir uma forma bela, mais do que o ato de fazer ou de produzir. Em outros términos, se trata de esclarecer que o ato de criar se compreende melhor através da contemplação intelectual que da prática manual ou técnica. Se queremos buscar entre as atividades próprias do homem a que está mais próxima e é mais semelhante ao Ato de Criar, a encontraremos na atividade intelectual mais pura e mais desprendida do material... o que é o mesmo, o ato de nomear um ser, de chama-lo por seu nome, indicando quem é e fazendo-o vir à presença.... O “Fazer” divino tem sua analogia mais próxima na arte da palavra... Falar com propriedade, chamas as coisas por seu nome, sabe-las distinguir e hierarquizar, esta atividade especulativa teórica cuja plenitude se alcançaria na Contemplação pura, é a que melhor e mais adequadamente nos permite compreender o Ato da Criação... No princípio era o Verbo e não o trabalho. Primeiro é nomear as coisas e depois é faze-las. A tarefa peremptória que incumbe a nós ocidentais, é precisamente a reabilitação da palavra restituindo-a ao seu prestigio antigo, à sua nobreza original.


Jordán Bruno GENTA. La idea y las ideologias, Dialogos metafísicos de Platon. La teoria de las ideas en la demonstración de la inmaterialidad y de la libertad del alma. Buenos Aires: Ed. del Restaurador, 1949, p. 207.